Uma visita ao Vale do Silício na Califórnia

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Uma visita ao Vale do Silício na Califórnia

por Ronaldo Lundgren.

O Vale do Silício na Califórnia é conhecido por abrigar várias empresas de base tecnológica. Lá, você encontra: Google, Yahoo, Skype, Evernote, Xerox, HP, Facebook e outras tantas.

Tive a oportunidade de percorrer o distrito industrial de Palo Alto (Stanford Research Park), concentrando a atenção nos quarteis-generais da HP e do Facebook – que fica mais afastado, localizado em Menlo Park. Certas impressões que colhi podem ajudar a entender alguns fundamentos da liderança praticada nessas empresas.

Partindo da cidade de São Francisco rumo ao sul, cerca de uma hora depois chega-se em Palo Alto, município que abriga a Universidade de Stanford. E é na universidade que tudo começou.

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Conhecendo a Hewlett-Packard

No final dos anos 1930, o professor Frederick Terman encorajava seus alunos a abrirem (start up) suas próprias companhias eletrônicas na área, ao invés de procurarem emprego em grandes empresas localizadas na costa Leste dos Estados Unidos.

IMG_0424Dois desses alunos, William Hewlett e David Packard (HP), acreditaram no professor e, em 1938, desenvolveram um oscilador de áudio na garagem de uma casa. Tal equipamento eletrônico já existia no mercado. Porém, conseguiram baratea-lo, ganhando espaço entre os concorrentes.

Cerca de 20 anos depois, a HP veio se instalar no distrito industrial, onde está até hoje. Embora tenha ampliado sua linha de produtos e serviços, manteve-se no ramo da eletrônica.

Em sua sede, encontram-se os escritórios dos fundadores, que permanecem mobiliados e organizados como eles deixaram. Nesse local estão dois importantes símbolos da cultura organizacional da empresa.

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Vista do escritório de Hewlett, a partir da mesa de Packard.

Portas abertas

O primeiro, é traduzido como a “Política de portas abertas“. Qualquer funcionário tem acesso aos dirigentes da HP. Para demonstrar o que tinham em mente, além de manterem suas portas sempre abertas, Hewlett e Packard construíram suas salas lado-a-lado, com uma porta entre elas, e posicionaram suas mesas de modo que um pudesse ver e falar com o outro quando quisessem.

O segundo símbolo foi criado a partir de uma situação envolvendo Hewlett e sua secretária. Contam que ele deixou uma moeda de um centavo em cima de sua mesa e disse para a secretária:

  • “Veja. Vou deixar essa moeda aqui na mesa e tenho certeza que algum funcionário vai pegá-la.” A secretária rebateu:

  • “Isso não vai acontecer. Todos aqui trabalham satisfeitos e lhe respeitam. Não vão roubar seu dinheiro.”

Essa conversa se espalhou pela empresa, gerando um movimento espontâneo com forte significado. Individualmente, vários funcionários passaram a deixar uma moeda na mesa de Hewlett, demonstrando que eles não estavam ali para sugar a HP. Ao contrário, poderiam contribuir muito mais do que apenas dedicar horas de suas vidas ao trabalho.

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Moedas sobre a mesa de Hewlett.

A empresa possui baldes cheios dessas moedas, preservando-as como símbolo do compromisso de seus colaboradores. Na mesa de Hewlett, ainda estão várias moedas, que continuam sendo colocadas por funcionários, fornecedores e clientes.

 

 

 

Na sede do Facebook

vale do silício na Califórnia

Quando penso em empresas de informática de alta tecnologia, costumo imaginar um local de jovens inteligentes, cheios de vida, dinâmicos, desenvolvendo novas ideias, prontos para explodirem com algo novo, que venha a atender uma necessidade de que nem nós mesmos sabíamos que precisávamos. O Facebook se enquadra nesse meu imaginário.

Tendo como guia um amigo programador brasileiro, que trabalha no Facebook há mais de dois anos, percorremos alguns blocos da empresa e a imagem que eu tinha foi, inicialmente, se confirmando.

Jovens percorrendo as ruas de uma “quase cidade”. Vários restaurantes, lojas, lanchonetes, salões de beleza, salas de videogame. Fazendo parte deste contexto, encontram-se alguns locais de trabalho, salas de reunião e laboratórios. Tudo bem amplo e com vistas para a rua principal do complexo. Vários serviços são oferecidos gratuitamente. Inclusive para visitantes que estejam a convite de funcionários da empresa.

No decorrer da visita, meu amigo foi me ajudando a entender aquela forma de trabalhar.

Pessoal é nosso recurso

Começando pelo processo de seleção de pessoal. Pessoas de qualquer lugar do mundo podem se candidatar a uma vaga de trabalho no Facebook. Além dessa fonte, universitários que se destacam são procurados antes mesmo de concluírem seus cursos. Com isso, a empresa tem a oportunidade de escolher seus funcionários entre os melhores especialistas que há em cada área.

O salário e os benefícios oferecidos são adequados ao mercado, permitindo uma boa qualidade de vida, mesmo em uma região com custos tão elevados como é o Vale do Silício.

Mesmo sabendo que o processo seletivo funciona como um filtro onde só passam aqueles que mais interessam à empresa, o Facebook adota uma política de avaliação de pessoal bem abrangente. A cada 6 meses o funcionário é avaliado por até quatro outros funcionários, sendo o chefe um deles. As outras três avaliações são feitas por pessoas indicadas pelo avaliado. Normalmente, são indicados os colegas que realizaram um trabalho em conjunto no período. Por fim, o próprio avaliado realiza sua autoavaliação.

São várias as pautas avaliadas, grupadas sob dois grandes conjuntos: aquilo que está bem; e aquilo que precisa melhorar. Os resultados das avaliações são consolidados e os dados servem para acompanhar o desempenho de cada colaborador. Daí, são indicados aumentos salariais, promoções, bônus ou programas de treinamento. Então, não dá para se acomodar.

Alta tecnologia e liderança

Tomando esses quatro aspectos: seleção de pessoal; política de portas abertas; avaliação de desempenho; e criação de um sentimento de compromisso com a empresa, percebe-se que os princípios de uma boa liderança continuam válidos para qualquer tipo de organização.

Por Ronaldo Lundgren

Possui graduação pela Academia Militar das Agulhas Negras; é Mestre em Estudos Estratégicos pelo US Army War College; e Doutor em Ciências Militares pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército.

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