Ronaldo Lundgren

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Editor-Chefe

Liderar é relativamente simples quando tudo funciona conforme o planejado.

O verdadeiro teste da liderança surge quando as informações são incompletas, o tempo é escasso, os recursos são limitados e as decisões afetam milhares de pessoas.

Ao longo de mais de quatro décadas de serviço ao Brasil, tive a oportunidade de liderar homens e mulheres em alguns dos ambientes mais complexos e desafiadores que um líder pode enfrentar: missões internacionais, operações humanitárias, grandes eventos globais, segurança pública e gestão de crises.

Essas experiências moldaram a convicção que orienta este espaço:

liderança não é posição hierárquica. É responsabilidade, exemplo e capacidade de desenvolver pessoas para cumprir uma missão comum.

Uma trajetória construída na liderança de pessoas

Sou General de Exército da Reserva do Exército Brasileiro, instituição da qual fiz parte durante mais de 40 anos e onde tive a honra de comandar equipes de diferentes formações, culturas e origens, no Brasil e no exterior.

Minha formação na Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), reconhecida internacionalmente pela excelência na formação de líderes, foi apenas o início de uma jornada dedicada ao estudo e à prática da liderança em ambientes de elevada complexidade.

Ao longo da carreira, aprendi que tecnologia, processos e recursos são importantes.

Mas organizações são construídas, transformadas e sustentadas por pessoas.

Liderança em cenários de crise e transformação

Uma das experiências mais marcantes da minha trajetória foi o comando do Batalhão Brasileiro de Força de Paz no Haiti, em 2010, poucos meses após o terremoto que vitimou mais de 200 mil pessoas.

Naquele contexto, lideramos cerca de 1.200 militares brasileiros em missões que envolveram ajuda humanitária, apoio ao processo eleitoral, combate ao surto de cólera e assistência às populações atingidas por desastres naturais.

Foi uma experiência que reforçou duas certezas.

A primeira é que a capacidade profissional e humana do brasileiro é extraordinária quando existe propósito, direção e confiança.

A segunda é que líderes eficazes não se limitam a oferecer respostas. Eles também precisam ter humildade para aprender com as pessoas, especialmente com aquelas que enfrentam as maiores dificuldades.

Liderança estratégica em larga escala

Posteriormente, como General, tive a responsabilidade de comandar uma Brigada de Infantaria composta por mais de 4.000 militares distribuídos em 11 organizações localizadas nos estados de Goiás, Tocantins, Minas Gerais e Distrito Federal.

Também participei da criação e implantação do primeiro Centro de Operações do Exército no Rio de Janeiro, coordenando o planejamento e o acompanhamento operacional de eventos de enorme complexidade, entre eles:

  • Copa das Confederações FIFA 2013;
  • Jornada Mundial da Juventude Rio 2013;
  • Copa do Mundo FIFA 2014;
  • Operações de Garantia da Lei e da Ordem no Complexo da Maré.

Essas experiências consolidaram uma das principais lições da liderança contemporânea:

quanto maior a complexidade do ambiente, mais importante se torna a qualidade da coordenação, da comunicação e da confiança entre as equipes.

Liderança no setor público

Após a passagem para a Reserva, assumi em 2016 a função de Secretário de Segurança Pública e Defesa Social do Estado do Rio Grande do Norte.

Durante esse período, foi elaborado o Plano Estadual de Segurança Pública e conduzida a resposta institucional a uma onda coordenada de ataques criminosos que atingiu mais de 40 municípios do estado.

Mais uma vez, a experiência confirmou que liderança em momentos de crise exige serenidade, capacidade de coordenação e decisões firmes sustentadas por valores sólidos.

Formação acadêmica e produção intelectual

Minha trajetória profissional sempre esteve acompanhada pelo estudo da estratégia, da liderança e das relações internacionais.

Minha formação acadêmica inclui:

  • Bacharel em Ciências Militares pela Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN);
  • Mestre em Operações Militares pela Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais;
  • Mestre em Estudos Estratégicos pelo United States Army War College;
  • Doutor em Ciências Militares pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército.

Também atuei como Professor Substituto da Universidade Federal do Rio de Janeiro no Curso de Defesa e Gestão Estratégica Internacional, ministrando disciplinas de Geopolítica e Guerra Civil e Assimétrica.

Além disso, participei de atividades acadêmicas e palestras em instituições nacionais e internacionais, incluindo a George Washington University, a Universidade de São Paulo e organismos internacionais ligados à defesa e à desminagem humanitária.

15 comentários

  1. Fui aluno do general, no curso de Defesa e gestão estratégica internacional. Homem de muita disciplina, organizado, mas também muito afável no trato pessoal.

  2. Parabéns General, servi na 1ª Bateria de Artilharia Antiaérea de 2010 a 2012, tive o privilégio de participar de uma missão de GLO e Tocantins – Gurupi, no comando do sr. Sempre ouvir falar muito bem do sr. Permaneci até 2018 fui cabo, hoje atuo no varejo de uma multinacional, como líder, (Coordenador Comercial), função que alcancei devido à expertise que adquiri na caserna e minha formação de tecnólogo em logística. Tenho acompanhado suas postagens sobre liderança e tem agregado bastante.

    1. Bom dia, Leonardo. Boas notícias você me traz. Nós servimos ao Exército em um ótimo período. A 1a BiaAAAe estava sempre pronta para cumprir suas missões. O Exercício em Gurupi/TO foi um marco para o adestramento da 3a Bda Inf Mtz. Obrigado por seu comentário. Desejo-lhe sucesso. Um abraço.

  3. Sd Rolim 2º pelotão da 2ª Cia do 1º Batalhão de Guardas 1989 “A guarda morre mas não se rende”
    “Me chamou pé de poeira, pé de poeira quero ser, o pó da terra Brasileira defenderei até morrer”
    Forte abraço meu amigo, parabéns pela sua trajetória

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