Uma lição no sinal de trânsito

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por Ronaldo Lundgren.

uma lição no sinal de trânsito

Uma lição no sinal de trânsito

Estava voltando de carro para casa, num domingo de jogo no Maracanã. Ruas cheias. Muitos torcedores. Parados no sinal, vemos um artista ir pra frente dos carros e começar a fazer uma exibição de malabares. Não era uma exibição comum. Daquelas que se jogam 3 ou 4 coisas para cima, sem deixá-las cair. Havia algo a mais.

Comentei com a esposa: “Não basta mais apenas fazer uma coisa”.

Johnathan estava pilotando uma bicicleta de uma única roda, equilibrando 3 malabares e com uma bola dominada no pé esquerdo. Tudo feito em 45 segundos, deixando 15 segundos para percorrer entre os carros à espera de uns trocados. Minha esposa deu-lhe uns reais. Outros motoristas, também.

Outro dia fui comprar pão no mercadinho próximo de casa. A fornada ainda não estava pronta e aproveitei para conversar com dois funcionários que estavam por perto.

No bate-papo, a atendente da padaria explicou suas responsabilidades naquela função. Ela preparava a massa dos pães, colocava no forno, retirava quando prontos, atendia aos pedidos, pesava, registrava o código do produto e imprimia a etiqueta do valor.

Embora demonstrando gostar de assumir essa responsabilidade, fez questão de dizer que se sentia explorada pela empresa. Ela havia sido contratada para atuar na frente da loja. Suas tarefas consistiam em apoiar as caixas do supermercado, bem como clientes no momento de passar as compras na registradora. No entanto, era comum ser deslocada para outras tarefas, sem ter a contrapartida salarial.

O outro funcionário, segurança para redução de perdas, disse que o gerente o utiliza para a limpeza da loja, repor estoques e outras coisas extras, diferentes de sua função principal.

Não basta mais apenas fazer uma coisa

O artista do sinal de trânsito e os funcionários do supermercado mostram uma realidade no mercado de trabalho. Não basta mais apenas fazer uma coisa. Não se espera que o funcionário fique limitado a executar sua tarefa numa linha de montagem.

Necessidades vão surgindo e o chefe vai lançando mão do colaborador que tem capacidade para realizar o trabalho. Isto é bom para o empregado. Demonstra que ele está comprometido com a missão da empresa. Contudo, há um limite. Não pode haver exploração. Desrespeito aos direitos trabalhistas.

Conclusão

Da próxima vez que achar que está fazendo mais do que o previsto em seu contrato inicial de trabalho, lembre do Johnathan no sinal de trânsito. À medida que assumir mais responsabilidades na empresa, você começa a ficar indispensável (ver Você se acha substituível em seu local de trabalho?). Depois, é seguir as dicas de Fernanda Bottoni para fazer seu trabalho aparecer.

Autor: Ronaldo Lundgren

Possui graduação pela Academia Militar das Agulhas Negras; é Mestre em Estudos Estratégicos pelo US Army War College; e Doutor em Ciências Militares pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército.

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