Um pouco sobre hierarquia

Share

por Ronaldo Lundgren.

Hierarquia parece ser um palavrão. Daqueles nomes feios que só se fala para xingar alguém. Na era do conhecimento, será que já existem outras formas de gestão sem depender da hierarquia?

Nos tempos do Fordismo, as estruturas burocratizadas reforçavam a importância de graus hierárquicos. Cargos foram criados, definindo níveis de subordinação dentro da organização. Presidente, Vice-Presidente, Diretores, Gerentes, Supervisores, indicam o nível de poder dentro da organização. Até hoje essas denominações continuam a existir, convivendo com outras como: CEO, CFO, etc.

Mesmo em organizações informais, a cadeia de comando é estabelecida.

Para o chefe/líder, um dos principais aspectos ruins da hierarquia é a perda de assessoramento. Explicando melhor: se o líder adota uma postura que reforça a “distância” entre ele e os seus liderados, a tendência é que a qualidade do assessoramento diminua. Pior ainda, que os seus assessores passem a tentar adivinhar o que o líder gostaria de ouvir, o que ele pensa a respeito do assunto.

Para reduzir esse problema que a hierarquia causa, algumas organizações procuram criar um ambiente mais descontraído, de modo a estimular que seus integrantes exponham suas ideias sem medo de reprimendas. São conhecidos os casos de empresas como a Google, Apple e Liferay.

Até mesmo organizações militares procuram adotar uma cultura interna que possibilite uma franca exposição de motivos, de modo a oferecer ao comandante as melhores opções para a tomada de decisão.

Existem organizações que iniciam um modelo onde a hierariquia é descaracterizada, quase que abolida. Para essas organizações, as decisões são tomadas por consenso. Ou seja, todos devem concordar. A partir daí, todos se comprometem com o resultado da decisão que foi tomada. A revista Exame publicou um artigo sobre o tema (http://exame.abril.com.br/carreira/noticias/voce-esta-pronto-para-nao-ter-chefe).

Pude acompanhar um pouco desse modelo na OEA (Organização dos Estados Americanos). Por estatuto, as resoluções daquele organismo internacional são decididas por consenso. O voto de cada país tem o mesmo valor. Percebi que, antes das votações, há uma série de reuniões preliminares, às vezes sigilosas entre alguns países, de modo a combinar o voto. Fiquei com a impressão de que países mais fortes têm uma boa capacidade de influenciar outros países a se posicionarem conforme seus interesses. Será que esse fato não pode ser entendido como um tipo de hierarquia?

Vale terminar esse post voltando ao principal problema que a hierarquia pode causar: isolar o chefe/líder, que passa a receber assessoramento de baixa qualidade.

Por Ronaldo Lundgren

Possui graduação pela Academia Militar das Agulhas Negras; é Mestre em Estudos Estratégicos pelo US Army War College; e Doutor em Ciências Militares pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército.

2 comentários

Deixe uma resposta