Saber escutar e orientar

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por Ronaldo Lundgren.

Saber escutar e orientar

"Vivemos em tempos confusos, como muitas vezes é o caso em períodos de transição entre diferentes formas de sociedade. Isso acontece porque as categorias intelectuais que usamos para compreender o que acontece a nossa volta foram cunhadas em circunstâncias diferentes e dificilmente podem dar conta do que é novo referindo-se ao passado. [...]

Quando a rede desliga o Ser, o Ser, individual ou coletivo, constrói seu significado sem a referência instrumental global: o processo de desconexão torna-se recíproco após a recusa, pelos excluídos, da lógica unilateral de dominação estrutural e exclusão social." (Manuel Castells - A sociedade em Rede).

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Dizendo de uma maneira diferente: nesse mundo conturbado em que vivemos, é preciso saber escutar e orientar as pessoas. Se o líder recusa fazer isso, o colaborador “excluído” vai se desconectar da empresa, que poderá estar abrindo mão de uma pessoa talentosa em um momento de crise.

Ouvir e Escutar

Ouvir e escutar são verbos diferentes. O site Educação explica bem os respectivos significados.

  • Menino você não me ouviu direito?
  • Ouvi sim, eu só não escutei o que a senhora disse.

Pode parecer engraçado, mas há uma grande diferença entre os dois verbos. Como pode alguém ouvir e não escutar?

Ouvir refere-se aos sentidos da audição. A pessoa ouve apenas, mas pode ou não interpretar a comunicação.

Escutar requer mais que ouvir, ou seja, a pessoa tem que prestar atenção ao assunto, entender do que se trata, perceber o que foi dito, sentir as palavras, memorizar o assunto, opinar, levar em consideração e agir ou não em conformidade.

Aprender a escutar

Para quem deseja ir bem nos estudos, progredir profissionalmente, escutar é a melhor opção e haverá necessidade de prática. Nos dias de globalização, competição acirrada, as pessoas pouco escutam e desejam mais falar do que ouvir.

No entanto, saber ouvir é um sábio conselho milenar que requer treinamento. Uma comunicação perfeita e sem ruídos requer atenção e bons ouvintes antes de qualquer coisa.

Havendo falha na comunicação haverá falhas nas relações, sejam elas conjugais, empresariais, nos negócios ou na escola. Pesquisas indicam que atualmente um dos maiores problemas de comunicação nas empresas é o fato dos funcionários de todas as hierarquias estarem mais preocupados consigo mesmos, com seus problemas, não ouvindo seus parceiros e isto tem gerado infinitos conflitos que poderiam ser minimizados se as pessoas apenas escutassem mais ao invés de apenas ouvir.


Destacando a importância do saber escutar e orientar, o texto da palestrante Leila Navarro ajuda a entender o que deve ser feito no ambiente de trabalho.

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Queremos atenção

Desde pequenos, queremos atenção. Temos ciúme dos pais e não aceitamos que dêem atenção a outra criança. À medida que crescemos, passamos a saber conviver em sociedade, reconhecendo a hora de falar e de silenciar. Porém, é inerente aos costumes humanos o ato de falar mais e querer maior atenção do que os outros e achar que são eles os que estão sempre errados.

Quem trabalha numa equipe sabe que isso não funciona. O líder, principalmente, entende que cada um da equipe deve ter sua chance de opinar, mostrar o que sabe e o que pode fazer. Mesmo que seja a pessoa mais calada do grupo, no fundo, ela tem algo a acrescentar.

Formando equipes

Segundo especialistas da área de recursos humanos, uma equipe perfeita é aquela que possui em seus quadros o maior número de personalidades diferentes. O líder que entende de resultados positivos sabe disso. Cabe a ele, porém, saber administrar as características de cada um e de todos. São diferentes opiniões que vão levar aos melhores caminhos. Caso contrário, a equipe torna-se uma Torre de Babel, em que cada um fala sua língua.

Aproveitar os talentos de cada um em benefício da empresa é uma grande responsabilidade. E já vimos que saber delegar as tarefas de acordo com a capacidade de cada integrantes faz parte desse aproveitamento. Mas, para isso, é preciso reconhecer em cada um talento e jamais desprezar ninguém.

Com o objetivo de demonstrar o quanto é importante o discernimento do líder numa equipe em reconhecer o valor de cada um, um filme americano usado em treinamentos de empresas conta a história de uma recém-formada quadrilha de assaltantes que tinha como alvo um grande banco.

Para você não acabar na cadeia

Em várias reuniões, os integrantes programaram tudo, sob o comando de Jack Motley. Todos eram muito experientes em suas determinadas funções. Jack, que viera de outra quadrilha, era um “exímio” bandido, mas não tinha o espírito de liderança, o que tornou as reuniões um tanto desorganizadas. Mesmo assim, estava chegando o dia D.

Um dos integrantes, Bob, desengonçado, sempre tinha algo a perguntar a Jack, mas nunca era ouvido. A resposta era sempre: “Cale a boca, Bob”. Chegou o dia do assalto. Tudo ia muito bem, se Bob não tivesse aparecido na porta do banco com uma meia cobrindo o rosto, o que despertou a atenção dos policiais.

Todos conseguiram fugir e somente Jack foi preso. O que deu errado? Jack não ouviu Bob, que, por sua vez, estava acostumado a assaltar bancos sempre mascarado com meias de náilon, pois não gostava de mostrar os olhos. Jack repensou tudo isso, enquanto estava na cadeia e chegou à conclusão que, se tivesse ouvido Bob e o orientado a usar óculos escuros, sem levantar suspeitas, o assalto ia ser um sucesso.

Se você não quiser parar na “cadeia”, como Jack, ouça o que todos de sua equipe têm a dizer e dialogue com cada colaborador. Afinal, vocês formam uma equipe ou a quadrilha de “Motley”?

Autor: Ronaldo Lundgren

Possui graduação pela Academia Militar das Agulhas Negras; é Mestre em Estudos Estratégicos pelo US Army War College; e Doutor em Ciências Militares pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército.

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