O líder precisa agradar sua equipe?

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por Ronaldo Lundgren.

Faca o que deve ser feito. Sempre com respeito.
Faça o que deve ser feito. Sempre com respeito.

Se você é o líder, tem que decidir.

Sua equipe espera por isso. Depois que a decisão for tomada, o líder assume para si a responsabilidade pelas ações propostas. Se der certo, muitos dirão o quanto contribuíram para o sucesso. Se der errado, a culpa é toda sua. Afinal, você não ouviu o assessoramento. Foi cabeça dura. Agora arque com o resultado sozinho.

A pergunta que se faz é a seguinte: o líder precisa agradar sua equipe?

Para respondê-la, este post foi buscar a opinião de dois especialistas no assunto: Ed René Kivitz e Alexandre Prates.


O exercício da liderança é um privilégio e uma responsabilidade de poucos. Líderes são responsáveis pela eficácia (fazer as coisas certas) e a eficiência (fazer as coisas da maneira certa) da organização. Quando você tem um problema de liderança, você tem um problema de líderes, e não de liderados.

Espera-se, portanto, que os líderes sejam líderes, isto é, tenham, no mínimo, uma visão clara do futuro para onde conduzem seus liderados, uma sensibilidade aguçada para que este futuro seja fruto dos sonhos e anseios dos liderados e um senso de responsabilidade para com a organização/organismo, pois os líderes não são servos dos liderados, mas servos da visão comum. Servir os liderados é a maneira como os líderes servem à visão, e não sua finalidade essencial.

Diante destas responsabilidades, acredito que ninguém será capaz de exercer satisfatoriamente a função de liderança, sem o desenvolvimento de pelo menos três capacidades.

A capacidade de conviver com a solidão

Líderes são líderes porque enxergam, percebem, sentem, sabem, estão dispostos a sacrifícios, possuem paixão diferenciados em relação aos liderados. Um líder, cuja capacidade seja equivalente à média dos seus liderados, é um liderado que está no lugar errado, a saber, ocupando a posição de líder. Águias não voam em bandos.

A capacidade de tomar decisões impopulares

John Kennedy disse que o segredo do fracasso é “tentar agradar todo mundo”. O líder deve sempre tentar construir consenso, mas deve ter coragem para tomar decisões e assumir responsabilidades. Caso contrário, será um “facilitador de discussões”, e não um líder de fato.

A capacidade de conviver com críticas

Como se diz no popular, “nem Jesus Cristo agradou todo mundo”. Nesse caso, uma vez que o líder se posiciona, assumindo sua responsabilidade de levar todo mundo rumo ao bem comum, certamente contrariará interesses particulares, e conseqüentemente será alvo de palavras duras e imerecidas. Sempre.

(Texto de Ed René Kivitz: teólogo, escritor e palestrante, mestrando em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo).


Não tem jeito, é assim que as coisas são. Quem decide toma para si as consequências dos seus atos. A questão é que uma empresa, uma sociedade, um projeto ou um país é feito por líderes que decidem. Líderes que erram, precipitam-se, persistem, acertam e constroem.

A liderança por vezes é solitária e você precisa entender isso e saber conviver com críticas, desentendimentos, discussões. Você jamais agradará a todos, jamais! Portanto, um líder precisa ser autoritário quando uma decisão precisa ser tomada e alguém tem que assumir a responsabilidade.

Se você ouviu as pessoas, reuniu opiniões e está certo de que está tomando a melhor decisão, siga em frente! Decida, delegue e envolva as pessoas. Mostre que a decisão pode não ser um consenso, mas que é o melhor a ser feito naquele momento.

Seja autoritário quando for preciso, mas não faça disso uma constante. Não se acomode com a posição de decidir sempre, pois, além de prejudicial para a sua imagem, você pode criar um time dependente, lento e sem a capacidade de assumir a responsabilidade.

(Texto de Alexandre Prates: especialista em liderança, desenvolvimento humano e performance organizacional).

Por Ronaldo Lundgren

Possui graduação pela Academia Militar das Agulhas Negras; é Mestre em Estudos Estratégicos pelo US Army War College; e Doutor em Ciências Militares pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército.

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