O chefe está errado. E agora?

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por Ronaldo Lundgren.

Errar é humano


Todos somos humanos e cometemos erros. Particularmente, costumo defender a ideia de que a grande vantagem do erro é lembrar que continuamos ser gente. Não viramos máquinas. Não somos os futuros robôs da ficção científica, que fazem tudo certinho.

Errar é humano

No entanto, certos erros são imperdoáveis. Imagine-se em uma mesa de cirurgia para operar um ligamento do joelho esquerdo. O médico, em seu dia de ser humano, errou e operou o joelho direito. Falta grave. Não dá para entender, passar a mão na cabeça…cirurgia

Nas organizações acontece algo semelhante. Às vezes tão graves que impactam muitos funcionários, clientes, fornecedores e até a sociedade.

Um erro desse porte, normalmente, é o resultado final de vários erros menores, que foram sendo “perdoados” à medida que apareciam. Dizem que é assim que se passa nos acidentes de aeronaves: o mecânico não fez a manutenção programada porque o voo não podia atrasar. O piloto foi chamado às pressas para cobrir a falta do companheiro que adoeceu. A pista do novo aeroporto regional exigia mais da aeronave durante o pouso. Pequenas falhas que vão se acumulando até transbordarem em um evento de proporções indesejadas. É difícil perceber essa cadeia de pequenas falhas.

O erro do chefe

O cargo de chefe é repleto de responsabilidades. Existem os bônus: salário, secretárias, projeção pessoal; mas há os ônus também.

Queda de aviaoUma das últimas coisas que o chefe/líder deseja é ser o último a saber. Então, quando você perceber que uma falha aconteceu ou melhor, que uma cadeia de falhas está se formando, avise ao líder. Ele pode interrompê-la. Pode modificar rotinas, transferir pessoal, aplicar mais recursos e, até mesmo, suspender todo o projeto para recomeça-lo de uma forma mais segura.

A dificuldade que você pode ter, mesmo sabendo que sua iniciativa visa o bem da organização, é se o chefe fizer parte do problema, fazendo você concluir que o chefe está errado. E agora? Como chegar ao chefe e dizer que ele está errado?

O chefe está errado. E agora?

Não existe uma fórmula do bolo a ser seguida. Porém, para sua própria salvaguarda, certifique-se de que você identificou a falha, bem como os responsáveis, de maneira correta. Se possível, junte documentos. Discuta com pessoas de sua confiança que queiram o bem da organização ou, pelo menos, evitar um mal maior. A cultura organizacional de sua empresa é que vai lhe indicar a melhor forma de agir. Contudo, existem algumas dicas que podem ser consideradas universais, servindo para qualquer ambiente.

Não torne um caso pessoal

Você está querendo o bem da empresa. Já falou com alguns companheiros e sabe que não é um capricho seu. O caso existe e precisa ser corrigido. Não é nenhum tipo de revanche ou vingança  para compensar uma repreensão que, porventura, você tenha recebido anteriormente.

Não tire proveito em benefício próprio

O chefe não pode ficar achando que você pretende solapa-lo, a fim de tomar a posição que ele ocupa.

Fale por você. Não se ache representante do grupo

Embora tenha conversado com alguns companheiros, na hora de apresentar suas apreensões, vá sozinho. Não fale que outros funcionários também estão vendo a mesma coisa, que só não vêm falar por receio. Você representa você mesmo.

Esteja aberto a outros argumentos

Chefe é chefe. Ele pode ter explicações que você desconhecia. Sua atitude de estar querendo o melhor para a organização vai ser valorizada. Ainda mais por você ter agido com lealdade e discrição.

Mantenha-se firme nos valores da organização

Se o chefe não acolher bem sua postura e você estiver convicto de estar certo, mantenha-se firme nos valores definidos pela organização. Continue trabalhando firme, com entusiasmo, sem rancor.

Conclusão

Errar é humano. Todos erramos. Quando  for você que cometer o erro, aceite as críticas. Procure se melhorar. Ao perceber erros em outras pessoas, pense em como pode ajudar. Com respeito, mostre o que está acontecendo e aponte soluções. Em breve, você vai passar a ser referência em seu ambiente de trabalho.

Obs.: caso tenha gostado, por favor não deixe de curtir e compartilhar. Obrigado.

Autor: Ronaldo Lundgren

Possui graduação pela Academia Militar das Agulhas Negras; é Mestre em Estudos Estratégicos pelo US Army War College; e Doutor em Ciências Militares pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército.

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