Energia e espírito de decisão

Share

por Ronaldo Lundgren.

Lider

Liderar pressupõe decidir em função do interesse do grupo.

Como afirma Eugênio Valadares, Oficial da Polícia Militar de Minas Gerais, “É o líder, muitas vezes, autor não apenas de seu próprio destino, mas de toda uma equipe, uma coletividade, um povo”.

[…] sem liderança, entretanto, não há organização consistente para cumprir a missão e alcançar o objetivo. Sem liderança as nações fracassam, as organizações naufragam e as instituições se esboroam. (Klinger Sobreira de Almeida)

Os atributos que um líder deve possuir são inúmeros. Dois deles, no entanto, servem para dar um sentido de direção e de estímulo aos liderados. Energia e espírito de decisão são o tema deste post, que se baseou na obra de Jarbas Gonçalves Passarinho – Liderança Militar.

Energia

A energia é uma qualidade moral da maior relevância para o exercício da liderança. Não se compreende um líder apático, delegando suas responsabilidades continuamente.

Pela energia, um líder estimula os demais, motivando-os a se superarem na execução da tarefa. Com energia, o líder consegue, nos momentos dramáticos, impor sacrifícios aos liderados, que compreendem as dificuldades que terão que enfrentar para atingirem juntos o objetivo pretendido.

Vale destacar que energia não é sinônimo de rudeza nem de arbitrariedade. É mais substância do que forma. Está mais no ato em si do que na maneira.

Enérgico é o líder que, após estudar um problema racionalmente, chega à conclusão de que é preciso adotar medidas que ferem frontalmente as conveniências de terceiros. E as adota, a despeito de toda a oposição em contrário. Sem gritos, sem alardes, sem violências verbais.

Espírito de decisão

O espírito de decisão precisa apoiar-se na energia do líder. Para decidir, o líder precisa ter capacidade, inteligência e visão global que lhe permitam adaptar os princípios gerais às peculiaridades do caso em estudo e alcançar, num relance, a melhor solução.

Porém, muitas vezes a decisão tomada pelo líder pode contrariar interesses poderosos. Daí a necessidade da energia. Sem ela, o líder se deixará dominar por sua incapacidade de lutar para enfrentar as fortes reações ou cederá ao sentimentalismo, comprometendo o conjunto por causa de alguns.

Um dos piores defeitos do líder é a indecisão. Um líder sem energia e hesitante não inspira confiança naqueles que lidera. A capacidade de decisão é a condição por excelência do líder. Comentando a importância desse tópico, o Coronel Edward L. Munson Jr escreveu: “o fato de ter esperar que um líder tome uma decisão constitui, por si só, um motivo de descontentamento. Talvez só exista uma outra coisa, pior do que esta, qual seja a de, uma vez iniciado um trabalho, ter de interrompê-lo diversas vezes, devido a ser o dirigente absolutamente incapaz de traçar um plano e segui-lo completamente”.

Jarbas Passarinho ressalta que há chefes que se caracterizam por fazer consulta, reuniões de seus auxiliares imediatos e com eles chegar a uma decisão. No entanto, embora as opiniões alheias sejam importantes e bem-vindas, cabe ao líder decidir. Para isso, ele precisa possuir confiança em si mesmo. As ideias alheias têm valor. Mas o líder não deve se sentir “escravo” delas.

Conclusão

Energia e espírito de decisão caminham juntos. O líder precisa combinar essas duas atitudes, valendo-se da energia para impulsionar, motivar e perseverar na decisão que tomar. Os liderados estão na espreita. Vendo cada passo do líder. Esperando que a direção e o ritmo sejam apontados.


(*) Este post baseou-se na obra de Liderança Militar, de Jarbas Gonçalves Passarinho, publicada pela Bibliex Editora.

(**) Eugênio Pascoal da Cunha Valadares – Monografia “A liderança militar a partir da exigência do bacharelado em Direito para ingresso ao Oficialato da Polícia Militar de Minas Gerais”.

publicado
Categorizado como Coaching

Por Ronaldo Lundgren

Possui graduação pela Academia Militar das Agulhas Negras; é Mestre em Estudos Estratégicos pelo US Army War College; e Doutor em Ciências Militares pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército.

1 comentário

Deixe uma resposta