por Alda Andrade.(*)
“ No céu, cada estrela, pequena, média ou grande, tem o seu lugar no espaço cósmico, todas têm seu próprio brilho, sua própria luz.”
A inveja é um dos nossos sentimentos mais primitivos. Quando começamos a perceber o mundo, a inveja logo se manifesta: o que o outro tem, eu quero ter ou quero ser. Temos uma carga de instinto que contém inveja. É um comportamento evolutivo: se eu tenho que sobreviver, preciso usar todos os meus recursos, mesmo os mais primitivos.
Na verdade, a inveja teve um papel importante em uma época primitiva. Desejar o que o outro conseguia era um indicativo de quanto seria possível conquistar em determinado ambiente. Exemplo clássico: se um macaco conseguia dois cachos de banana, mas um outro obtinha mais, o invejoso percebia que ele também podia voltar para casa com uma quantidade maior. Esse componente estimulava a competição, que serviu para o desenvolvimento da espécie.
“As áreas do cérebro que processam a inveja, entre outras sensações, só aparecem nos primatas e em alguns mamíferos. Trata-se de um mecanismo evolutivo importante. Do contrário, o cérebro sequer nos disponibilizaria esses mecanismos”
“Os estímulos do ambiente refletem no cérebro e essa atividade cerebral provoca a inveja. Há uma base neurológica constituída para isso.” E não é só: existe mesmo a inveja boa e a inveja má. E isso não acontece porque somos pessoas más. O cérebro reage de forma expressiva quando processamos esses estímulos. Primeiro, em um estágio básico, o mais comum vem daquela vontade de ter o que pertence a outra pessoa. Ou seja, é um passo além da admiração, mas um comportamento natural. Em uma etapa mais avançada, a inveja se manifesta por meio da felicidade com o insucesso do outro, com o desejo de que algo ruim lhe aconteça, nesse caso é a inveja nua e crua.
Quem nunca sentiu inveja daquela pessoa que comprou um carro novo ou fez uma viagem ou ainda ter conquistado um bom emprego. Para alguns, esse tipo de inveja é do tipo boa ou inveja branca. Bem, analisando friamente, trata-se da mais pura inveja, algo que sempre existiu e irá existir.
Quando sentimos aquela inveja que nos faz desejar os bens materiais, o status ou alguma qualidade, como a beleza, de outrem, a área ativada é a mesma responsável por processar as sensações de dor física ou emocinal, segundo um estudo do Instituto Nacional de Ciência Radiológica, em Tóquio, de 2009. Ou seja: invejar dói, de verdade.
Quando o invejoso percebe que a outra pessoa tem um insucesso, fracassa no trabalho, briga com a mulher ou bate com o carro, por exemplo, ele é recompensado por isso. E aqui não se fala de maneira figurada: a área ativada no cérebro da inveja é exatamente a área que processa sensações de prazer e alegria. “Esse sentimento depende da nossa percepção de quanto uma outra pessoa é bem-sucedida. E essa percepção depende dos traços de cada indivíduo, do que consideramos invejável”.
As pessoas com mais propensão à inveja em nível patológico são aquelas que têm graves falhas ou lesões nos lobos frontais do cérebro, regiões responsáveis pelo reconhecimento das regras e pelo respeito aos outros. “Muitas vezes, apresentam traços de uma personalidade sociopata, com comportamentos não aceitáveis socialmente. Então, elas não querem mais o que o outro tem, mas sim ser exatamente o que o outro é.
Algumas pessoas que sentem inveja tendem a desencadear esse sentimento ruim, cruel e depressivo, chegando até a maquinar o mal, agindo de forma que venham a prejudicar o emprego das pessoas. Pecebe-se que tais pessoas são aquelas que nunca estão contentes com a felicidade das outras; como também não têm uma boa produção no trabalho, que ao invés de lutar para se destacar ficam perdendo tempo com intigras, destilando seu veneno no ambiente. Muitas pessoas vêm a sofrer com isso e o ambiente vai ficando improdutivo.
Como transformar a inveja em um estímulo profissional?
O “antídoto” para tais investidas negativas é manter um bom relacionamento com as pessoas, fazer amizades sem interesse com os colegas, isso contribui significativamente para que você seja visto de uma maneira positiva dentro da empresa.
Ter um bom relacionamento com todos no ambiente de trabalho espanta o sentimento de inveja das pessoas.
“A fé é a mais poderosa arma contra a descrença arremessada pela inveja”. (Julio Alkay)
Sua colaboração prestativa com os demais e incentivos, bem como elogios aos colegas, contribuem para anular investidas negativas à sua pessoa. Evitar intrigas e discussões é muito importante, pois pessoas invejosas criam armadilhas para que as pessoas percam a cabeça.
É notório que se a pessoa demonstrar ser uma pessoa legal pode reverter a situação, fazendo com que a pessoa alvo da inveja seja digna e admirada.
Se com tudo isso, as coisas não melhorarem, recomenda-se uma conversa, em particular, com seu superior, relatando os fatos ocorridos e, até mesmo, solicitando um conselho de como lidar em tal situação. É imprescindível que saibamos agir com tais pessoas ao detectarmos sinais de inveja, mesmo quando se relata que seja inveja branca, afinal tais pessoas precisam mais do nosso apoio do que nós da inveja delas.
Ressalvo que a alta competitividade do mercado deve ser interpretada como algo sadio, pois quanto maior a concorrência, mais o profissional deve se preocupar em evoluir para se destacar perante os seus colegas. Muitos veem com maus olhos o sucesso dos colegas. A insegurança interna é um dos principais fatores onde se despertam a inveja no ambiente de trabalho.
Se as pessoas têm colegas muito bons, então deve-se buscar inspiração com eles, procurando aprimorar suas atividades e não invejar o sucesso alheio. Se isso ocorrer, ficará para trás rapidamente e se focar em seu trabalho, fazendo disto uma motivação para melhorar suas habilidades.
Quanto mais expostos somos e mais nos destacamos é bem maior a probabilidade de despertar a inveja dos outros. Quanto mais se brilha no trabalho, mais vulnerável o profissional se torna.
Conviver é uma das missões mais difíceis da vida, então é importante que você conheça seu estilo comportamental e saiba quais são os perfis opostos ao seu, os que mais lhe causam dificuldades.
“Tente trabalhar e controlar suas emoções, evitando se desgastar com questões menores e que desviem a atenção de seus objetivos”. Tais desafios nos ajudam a evoluir.
Admire as pessoas pelo quanto elas trabalham para alcançarem seus resultados, pois essa é a grande diferença e a chave para curar maus pensamentos e a inveja alheia.
Se você é invejada, sinta-se feliz, pois significa que você é admirada e serve de espelho com bons reflexos.
A Bíblia nos diz: Feliz é aquele que vê a felicidade dos outros sem ter inveja. O sol é para todos e a sombra pra quem merece.
(*) Alda Andrade (Psicóloga).


Excelente texto. Parabéns
Obrigado, Izabel. Seu comentário é valioso para nós.