Efeitos da cultura organizacional no trabalho

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por Ronaldo Lundgren.

Segunda-feira de manhã. João nem parecia o mesmo cara do final de semana. Aquela maneira espontânea de dizer o que pensa deu lugar à seriedade que o emprego pedia. Não era apenas o efeito “segunda-feira”. A empresa exigia uma postura discreta de seus funcionários.Segunda-feira

Você já viu algo parecido em seu trabalho?

A firma que você trabalha possui uma cultura organizacional própria.

Só dela. Essa cultura molda o comportamento das pessoas. Por vezes, um funcionário espirituoso, extrovertido, muda seu comportamento ao chegar na empresa, se a cultura dessa empresa valoriza a seriedade nas relações de trabalho.

Por sua vez, a cultura organizacional sofre influência das instituições que têm relação com a empresa. Por exemplo, se a firma está localizada em um ambiente onde a prática da corrupção é aceita nas negociações com os órgãos públicos, muito provavelmente essa prática vai ser incorporada na cultura organizacional da empresa.

As influências institucionais são sutis, mas penetrantes. Na verdade, são tão sutis que as firmas e os indivíduos não têm consciência do impacto que tais influências exercem sobre suas próprias escolhas, práticas, atitudes, valores e expectativas.

Nesse ponto entra o papel da liderança. As influências institucionais precisam ser limitadas pelos valores que a empresa definiu como importantes.  Os efeitos da cultura organizacional no trabalho de cada colaborador é uma realidade, exigindo atenção da liderança no reforço das boas práticas e, mais ainda, na correção daquelas que são prejudiciais à empresa.

Instituições
Instituições

Quando falo de liderança, refiro-me a sua amplitude por toda a empresa. Na opinião de Senge, em seu livro “A Quinta Disciplina”, toda organização possui muitos líderes em seus diferentes níveis hierárquicos, que desempenham papéis decisivos na geração e sustentação de articulações inventivas. Mais que isso, “[…] é líder, segundo a complexidade, também aquele que na rede, em determinado momento, é o mais competente para encaminhar soluções aos problemas do trabalho”.

Segundo o mesmo autor, na organização ocorre a interação entre três tipos de líderes:

a) de linha em nível local, os responsáveis diretos sobre os resultados do trabalho das equipes;

b) networkers internos ou ‘líderes de rede’, os que atuam fortemente na construção de comunidades e, de uma maneira geral, não exercem poder na hierarquia formal da organização;

c) executivos que têm responsabilidade estratégica pelo desempenho organizacional, no entanto, têm menor probabilidade de influenciar espontaneamente os processos de trabalho.

Essa liderança deve estar preparada. Buscar o aperfeiçoamento constantemente. O ideal é que tal capacitação seja feita sob orientação da empresa. Porém, o auto-aperfeiçoamento é válido.

Para dominar, aperfeiçoar e pôr em prática a arte da liderança, o administrador deve começar frequentando cursos específicos. Como qualquer outra habilitação que pretenda desfrutar, além de assimilar técnicas e conceitos teóricos, o administrador precisa exercer a liderança em sua plenitude, até que se transforme em manifestação entranhada em seus hábitos naturais e se torne parte integrante de sua vida profissional, familiar e social.

Um ponto importante, que não deve ser desconsiderado pela liderança, é que as instituições estão influenciando a cultura organizacional da sua empresa. Por conseguinte, de seus funcionários e a da própria liderança. Procure identificar essas influências fazendo a análise dos ambientes externo e interno. Reforce os valores de sua organização. Capacite toda a linha de liderança. Essas são dicas de sucesso, que ajudam a evitar situações constrangedoras futuramente.


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Autor: Ronaldo Lundgren

Possui graduação pela Academia Militar das Agulhas Negras; é Mestre em Estudos Estratégicos pelo US Army War College; e Doutor em Ciências Militares pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército.

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