Você também sofre da síndrome do impostor?

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Você também sofre da síndrome do impostor?

síndrome do impostor

(*) Este texto é baseado em artigo de Jonas Jansson.

Muitos de nós, provavelmente em algum momento, duvidaram de sua capacidade ou sentiram que não sabem ou não sabem o suficiente.

É comum começar a se comparar com os outros. Daí vem o pensamento de que os colegas ou conhecidos parecem saber muito mais do que você mesmo.

O risco é de que você se veja como uma grande fraude (síndrome do impostor). Surge o medo de que, em algum momento, você seja pego por aqueles ao seu redor.

“Se eles soubessem o quão pouco eu posso ou sei…” e outros pensamentos negativos tornam difícil sua capacidade de avaliar racional e objetivamente seu conhecimento e valor.

O chamado “juiz interior” coloca uma montanha de culpa e medo em nós mesmos e rapidamente nos sentimos cada vez menores.

Depois de um tempo, esses pensamentos negativos corroem nossa auto-estima e autoconfiança, e a vida rapidamente se torna menor e mais escura a cada dia que passa.

O transtorno faz com que pessoas capacitadas vejam a si mesmas com uma inferioridade ilusória, percebendo-se como desqualificadas e subestimando as próprias habilidades.

“A pessoa tem uma competência técnica bem estabelecida, mas atribui seus sucessos a outros fatores, como sorte ou oportunismo”, explica o psicólogo Gilmar Tadeu de Azevedo Fidelis, professor convidado do Departamento de Saúde Mental da Faculdade de Medicina da UFMG.

Você encolhe nessas situações

Pode ser difícil ver uma saída. Infelizmente, esses pensamentos e comportamentos sombrios geralmente levam a consequências indesejadas na vida.

Pode, por exemplo, fazer que você:

  • Se sinta para baixo ou deprimido;
  • Experimente desconforto e inquietação no corpo;
  • Sinta ansiedade e obsessões;
  • Relute em ir trabalhar;
  • Tenha dificuldade de concentração;
  • Fique mais facilmente irritado; e
  • Tenha dificuldade para dormir.

Além da sua dúvida interna, às vezes também existem outros aspectos da vida profissional que podem piorar ainda mais a situação.

Pode ser que você não tenha estabelecido um clima de discussão aberta ou não fale sobre bem-estar e saúde mental no local de trabalho.

Também é provável que você tenha alguém em quem confiar e compartilhar o que sente e experimenta como problemas. Infelizmente, pode ser o caso de você ter um gerente incompreensível ou descomprometido que faz exigências irracionais ou talvez esteja completamente ausente.

Uma organização pouco clara ou uma descrição de trabalho pouco clara leva facilmente a nunca saber se está fazendo certo ou errado.

Além disso, alguns de nós já podem sofrer de baixa auto-estima que (provavelmente) está relacionada à educação e à infância, mas que pode aumentar facilmente em um ambiente de trabalho insalubre.

Também pode ser que você tenha uma situação de vida estressante e um quebra-cabeça diário insolúvel que bloqueie ainda mais os problemas.

Finalmente, a dúvida, a ansiedade e a desesperança tomam conta de tudo.

Vergonhoso

Torna-se como um círculo vicioso. Que termina, na pior das hipóteses, em um colapso físico e mental total. Pode até ser o início de uma depressão profunda e de longo prazo.

A maioria das pessoas afetadas por isso considera como algo vergonhoso. O que significa que você, geralmente, não ousa pedir a ajuda que realmente precisa.

Para o indivíduo, este é um sofrimento incrivelmente grande. Infelizmente, acontece muitas vezes e permanece completamente oculto.

Você está simplesmente com muito medo de dizer como se sente sobre seu chefe, seus colegas ou até mesmo seus entes queridos. Depois de se encontrar no famoso “buraco”, é difícil encontrar uma saída porque tudo parece pesado ou até impossível.

A recuperação

O caminho de volta é muitas vezes longo. Costuma envolver muitas medidas de reabilitação diferentes, como licença médica, exercício, terapia, desenvolvimento pessoal, mas também medicação.

Não é fácil sair dessa situação por conta própria. Embora você saiba, no fundo, o que deveria fazer para se sentir melhor, é comum optar por fugir dos problemas.

Muito do trabalho é feito através da autorreflexão, desafiando-se e ousando ser autocrítico. Mas, contar com o apoio, cuidado e amor da família, amigos e companheiros é fundamental.

Os casos mais graves necessitam de uma boa terapia. É bom também adotar práticas saudáveis:

  • exercícios regulares
  • consumo reduzido de álcool
  • dieta melhor
  • conversas profundas
  • tempo para reflexão e meditação, e
  • tempo sozinho.

O processo de recuperação é contínuo. Não pense em uma cura definitiva.

Referência(s)

Jonas Jansson.

Alexandre Bueno –  ‘Será que sou uma fraude?’ Conheça a síndrome do impostor

Autor: Ronaldo Lundgren

Possui graduação pela Academia Militar das Agulhas Negras; é Mestre em Estudos Estratégicos pelo US Army War College; e Doutor em Ciências Militares pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército.

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