Tendências para os próximos 15 anos

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por Ronaldo Lundgren.

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O “National Intelligence Council”, órgão do governo americano, tem publicado, desde 1996-97, um documento abordando as principais tendências mundiais. Este post baseou-se em “Global Trends 2030: Alternative Worlds“, que é a quinta edição destinada a fornecer uma moldura que permita a estudiosos e governos a pensarem sobre o futuro.

O Global Trends aborda as mega-tendências (que são fatores de grande probabilidade de ocorrência) e os game-changers (que são os eventos que podem “virar o jogo”). Os coordenadores do trabalho fazem questão de afirmar que um estudo dessa magnitude não assegura que as previsões vão se concretizar, embora os resultados dos 4 estudos anteriores tenham sido bem consistentes.

Neste post, serão apresentadas apenas as mega-tendências. Vamos então, às tendências para os próximos 15 anos.

“Empowerment” (empoderamento) individual

Em sua forma literal, o termo inglês empowerment significa “empoderamento”, um neologismo que designa as relações de poder dentro de uma sociedade. O empowerment como fenômeno sociológico se refere a um aumento de força política e social de um grupo ou de um único indivíduo, através do fortalecimento de suas próprias capacidades.

Nos próximos 15 anos, veremos aumentar o empoderamento individual em todo o mundo, graças à significativa redução da pobreza, ao crescimento da classe média, a uma melhora nos níveis de educação, a um maior uso de novos meios de comunicações e de outros produtos tecnológicos, e a um significativo avanço nos serviços de saúde.

Pela primeira vez na história, a maioria da população mundial deixará de viver abaixo da linha de pobreza e a classe média será o mais importante grupo econômico e social na maioria dos países.

Futuro2empoderamento individual é a mais importante tendência nesses próximos quinze anos porque, ao mesmo tempo, ele é causa e efeito de outras tendências, tais como: expansão da economia mundial; rápido crescimento dos países em desenvolvimento; e a exploração generalizada de novas comunicações e de produtos tecnológicos.

Esse empoderamento acarretará duas situações opostas. De um lado, um maior número de indivíduos irá contribuir para solucionar os desafios mundiais nos próximos 15 anos. Por outro lado, outros indivíduos e pequenos grupos terão acesso a tecnologias que podem causar grandes impactos letais na população, o que os colocará no mesmo patamar de alguns países.

Difusão de poder

A época de potências hegemônicas está passando. Mesmo os Estados Unidos, ainda detentor do maior poder econômico, político e militar, estão reduzindo sua capacidade de influência. O país está em um claro movimento de voltar-se para seus problemas domésticos, adotando um misto de incentivo e expectativa para que outros atores se apresentem como protagonistas na manutenção da estabilidade em suas respectivas áreas de influência.

No momento, vemos a eterna crise que atinge o Oriente Médio ser tratada por outros atores, como a Rússia, atuando com desenvoltura na Síria, onde possui fortes interesses. Israel, Irã, Turquia, França e a Arábia Saudita passam a atuar mais assertivamente, na tentativa de assegurar, simultaneamente, uma acomodação política que atenda aos interesses das minorias – reduzindo o êxodo em direção à Europa e o questionamento do poder das monarquias locais -, e o comércio do petróleo.

Na Europa, a situação de afluxo de imigrantes fugindo da África e do próprio Oriente Médio, está sendo resolvida pelos europeus, com a Alemanha e a França assumindo o protagonismo das medidas a serem adotadas. Da mesma forma, a solução da crise econômica que abala a zona do Euro vem sendo conduzida pelas lideranças europeias, com pequena participação americana.

A China, com seu ajustamento econômico em curso, atrelado a uma distensão política que começa ser exigida pela população, vai concentrar suas energias na solução de suas questões internas e nas áreas que assegurem o fornecimento das commodities necessárias ao seu desenvolvimento.

É de se esperar portanto, que nos próximos quinze anos, em um mundo multipolar, o poder passe para coalizões e mesmo redes que se formem visando a atingir objetivos limitados e temporários.

O comportamento das economias dos países em desenvolvimento afetará, significativamente, o desempenho da economia mundial. China, Índia, Brasil Colômbia, Indonésia, Nigéria, África do Sul e Turquia serão cada vez mais importantes atores na economia mundial.

A forma de exercício do poder nacional também sofrerá mudanças importantes. O poder será exercido com base em redes, apoiadas pela tecnologia da informação. Essas redes, multifacetadas e amorfas, serão estabelecidas para influenciar estados a adotarem ações por elas pleiteadas.

Mesmo países com fortes fundamentos econômicos e sociais (PIB, população, área territorial, etc.) não serão capazes de impor seu poder, a menos que aprendam a operar em redes e coalizões em mundo multipolar.

Demografia

A demografia tende a se comportar sob quatro padrões até 2030, quando a população mundial saltará dos atuais 7,2 bilhões de pessoas para cerca de 8,3 bilhões: Futuro1) envelhecimento da população mundial, mesmo nos países em desenvolvimento; 2) permanência de um considerável número de estados com o predomínio de uma população jovem; 3) migração, inclusive entre estados; e 4) aumento na urbanização, contribuindo para o crescimento econômico, mas ampliando a demanda por alimentos e água.

Países com população mais velha terão dificuldade em manter o padrão de vida alcançado. Também precisarão de mão-de-obra, seja qualificada ou não. Os países em desenvolvimento, devido à rápida urbanização, precisarão acelerar a construção de moradias e de locais de trabalho, saneamento básico, bem como ampliar a oferta de serviços de saúde, educação e transporte.

Conexão entre alimento, água e energia

Existem uma tendência de que a demanda por comida, água e energia aumentará cerca de 35, 40 e 50 por cento, respectivamente, fruto do crescimento populacional e de uma classe média maior no mundo.

As mudanças climáticas tornarão mais críticas a disponibilidades desses recursos. Analistas indicam que as condições climáticas ficarão mais severas. Regiões afetadas por inundações estarão sujeitas a mais inundações. Aquelas que se ressentem de água, tenderão a sofrer com mais estiagens.

Isso não significa que o mundo vai entrar em um período de escassez, mas deve servir de alerta para que governos e o setor privado se preparem, adotando medidas que reduzam esses impactos sobre a atividade humana. Muitos países não conseguiram suplantar seus problemas sem a ajuda externa.

Um outro ponto importante diz respeito à conexão existente entre a produção de água, de alimento e de energia. Escolhas precisarão ser feitas. Desenvolvimentos tecnológicos podem minorar a pressão sobre os dirigentes que deverão se posicionar quanto de água será destinado para a agricultura, para as hidrelétricas e para o consumo humano.

Os Estados Unidos caminham para a autossuficiência na produção de energia. Suas reservas de gás natural saltaram de 30 para 100 anos. A extração de petróleo está reduzindo sua necessidade de comprar essa commodity de outros produtores, o que acarretará impactos na balança comercial  desses países.

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Categorizado como Empreender

Por Ronaldo Lundgren

Possui graduação pela Academia Militar das Agulhas Negras; é Mestre em Estudos Estratégicos pelo US Army War College; e Doutor em Ciências Militares pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército.

4 comentários

  1. Muito interessante este post!
    Precisamos, como economistas, cada vez mais, pensarmos em como conciliar as questões do “capitalismo financeiro” da economia ortodoxa com não somente as necessidades básicas do ser humano, água, energia e alimentos, mas, com seu “bem-estar geral “. Esta também é uma tendência..
    Como exemplo o ganhador do Nobel de Economia deste ano, e, o índice de FELICIDADE INTERNA BRUTA do Butão…(Preciso ir lá: um próximo destino de viagem..)

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