Liderança e demissão

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por Ronaldo Lundgren.

Em momentos difíceis, a liderança ajuda sua caminhada.
Em momentos difíceis, a liderança ajuda sua caminhada.

Liderança e demissão

Em tempos de recessão, com o governo federal “abrindo a caixa da maldade”, o nível do desemprego começou a se elevar. Comparando o Brasil com outros países, ainda estamos bem. Mas iniciamos um caminho que vai trazer dificuldades para inúmeras famílias.

Seguro desemprego será modificado, postos de trabalho já estão sendo extintos, grandes empreiteiras pedindo concordata, impostos aumentando, Petrobras em crise de confiança, levando um forte impacto a todas as pequenas e médias empresas de sua cadeia de fornecedores. Um quadro triste.

Nesses tempos que se avizinham, liderança e demissão vão se encontrar.

Como preservar a empresa, de modo a que ela não venha à falência? São várias as respostas. Planejamento estratégico bem feito e bem implementado. Redução de custos de produção, eliminando desperdícios nas contas de água, energia, telefone, internet. Adotar uma concorrência mais agressiva, buscando clientes em outras áreas. E até mesmo, redução de pessoal. Demissão!

Foi fazer um curso e depois, foi demitido

Outro dia ouvi uma conversa de três colegas de trabalho. Um rapaz e duas moças. Ele comentou:

-“Demitiram o Alexandre uma semana depois de ele ter voltado do curso.”

Uma das colegas disse: “Tanta gente queria fazer aquele curso…”. E a outra, emendou: “Não dá pra entender. Se iriam demiti-lo, por que mandaram ele fazer o curso?”


Liderança e Demissão

Para preservar a empresa a liderança precisa tomar decisões difíceis


Papel da liderança

Não os conheço, mas imagino que a liderança atuou naquela situação. Deixe explicar melhor.

Para preservar a empresa que se encontra em uma situação difícil, a liderança precisa tomar decisões duras, na intenção de recuperar as condições que se encontrava.

Ao demitir um colaborador talentoso, que sempre trabalhou bem, a liderança procura fazer de uma maneira que aquele ex-empregado não vire uma espécie de inimigo.

Afinal, ele conhece a empresa na qual trabalhava. Se vier a ser contratado por uma concorrente, parte significativa dos “segredos do negócio” podem ser repassados.

O ex-empregado pode até vir a criar um negócio próprio, sendo mais um concorrente ou, quem sabe, um fornecedor ou até mesmo cliente. Tudo vai depender de como transcorreu o processo de afastamento desse funcionário.

Uma pedra no sapato

É possível, portanto, que a empresa escolheu demitir o Alexandre (o rapaz que foi fazer o curso) de forma a reduzir as chances de ele vir se tornar uma pedra no sapato.

Afastou um funcionário importante – se não o fosse, dificilmente seria indicado para uma capacitação paga pela empresa – e, durante esse período de afastamento, tomou as medidas para demiti-lo. Tudo de forma discreta.

Talvez tenham mudado senhas dos sistemas de informática, guardado documentos em lugares diferentes, conversado com o futuro substituto (um próprio companheiro que estava ocupando outro cargo). São tudo suposições, mas imagino que possam ter acontecido.

Esse é um dos papeis da liderança. É chato, desgastante e traz tristeza ao líder que tem que adotar essas medidas pela sobrevivência da empresa. Já li que alguns desses líderes, ao realizarem o planejamento das demissões, incluíram seus próprios nomes na lista.

É raro o líder que sente prazer nesse momento. Se sentir, não é líder!

Empresas maiores costumam contratar firmas especializadas nas tarefas de demitir e tentar realocar os funcionários demitidos.

No momento em que liderança e demissão se encontram, os resultados são menos traumáticos. Se você está passando por um momento como esses, vai entender a que estou me referindo. Boa sorte.

Hora de agir

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Por Ronaldo Lundgren

Possui graduação pela Academia Militar das Agulhas Negras; é Mestre em Estudos Estratégicos pelo US Army War College; e Doutor em Ciências Militares pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército.

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