por Ronaldo Lundgren.
Entendendo Competência
Os trabalhos acadêmicos que tratam de competências definem o seu estudo em, basicamente, dois níveis de análise: individuais e organizacionais. Esses níveis estão relacionados. Para serem competentes, as empresas precisam de funcionários competentes.
O mundo organizacional está carente de talentos. As empresas estão conscientes do impacto que a falta de capital humano exerce na sustentação de sua vantagem competitiva. O contexto empresarial necessita de indivíduos preparados e dispostos a fazerem a diferença, todos os dias. Precisa de pessoas que busquem o auto desenvolvimento de maneira contínua e estruturada.
Conhecer quais são as competências necessárias e identificar o nível de desenvolvimento no qual o indivíduo se encontra, portanto são premissas fundamentais, tanto para as empresas quantos para seus colaboradores.
Competências Individuais
Para a Política Nacional de Desenvolvimento de Pessoas, competência pode ser entendida como:
“Um conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes necessários ao desempenho das funções dos servidores, visando ao alcance dos objetivos da instituição”.
Competências envolvem comportamentos observáveis que se expressam na ação ou desempenho dos indivíduos.
Sendo assim, toda função dentro de uma empresa é composta por diversas competências que devem ser acompanhadas, avaliadas e desenvolvidas. Vamos detalhar uma competência que todos entendem: Dirigir.
Competência “Dirigir um Automóvel”
Conhecimento (Saber): Saber como liga o carro. Entender que você precisa, vagarosamente, soltar a embreagem enquanto acelera na primeira marcha. Ter consciência de que o volante é necessário para fazer curvas, etc…
Habilidade (Saber Fazer): Conseguir colocar o conhecimento na prática. Articular os movimentos de maneira coordenada para que o carro dê partida sem morrer. Conseguir virar o volante. Trocar a marcha e olhar no espelho ao mesmo tempo que está atento ao movimento de pessoas na rua.
Atitude (Querer Fazer): Querer dirigir o carro, apesar das chateações que podem estar envolvidas como não chegar atrasado, encontrar vaga para estacionar, trânsito e várias outras.
Apenas quando as 3 esferas são verdadeiras é que alguém é competente para desempenhar plenamente aquela atividade. Por essa razão, é indicado que as avaliações de desempenho de funcionários de uma empresa sejam feitas de acordo com as competências necessárias para cada cargo.
No nível do indivíduo, as competências humanas ou profissionais referem-se às competências individuais.
Para o sociólogo Philippe Zarifian, a competência é a capacidade de uma pessoa assumir iniciativas, ir além das atividades descritas, ser capaz de compreender e dominar novas situações no trabalho, além de ser responsável e reconhecida por isso.
Competências Organizacionais
Já as competências organizacionais estão relacionadas à organização ou as suas unidades produtivas e representam os atributos que a tornam eficaz.
Para Raphael Amit e Paul Schoemaker, competências seriam a “habilidade que as firmas têm de implantar seus recursos”. Algumas variações da definição de competência seriam: a habilidade das firmas de realizar uma determinada tarefa ou atividade, ou ainda, a habilidade que estas têm de usar seus recursos a fim de gerar vantagens competitivas.
Em 1990, Coimbatore Prahalad e Gary Hamel introduziram o conceito de “core competence” ou competência essencial. Este conceito pode ser sentido como o aprendizado coletivo da organização, a competência responsável pela alimentação, sustentação e estabilidade da firma. A competência essencial é difícil de ser imitada. É ela que permite que a firma tenha acesso aos diversos mercados relacionados a esta competência. Ela contribui significativamente para a percepção dos benefícios do produto da firma pelos consumidores.
A partir deste conceito, os autores argumentam a importância das firmas se concentrarem naquilo que realmente sabem fazer. Assim, investir em diferentes produtos e/ou unidades de negócio que estejam baseados em sua competência essencial.
Considerações finais
Como vimos, a competência existe nas esferas individual e organizacional. Quando o líder de uma empresa avalia a competência de seu funcionário, ele deverá observar o CHA (Conhecimento, Habilidade, Atitude). Por sua vez, para uma organização ser competente, ela vai precisar dispor de RHE (Recursos, Habilidade, Entrega).
