Elogiar a tentativa não basta

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Elogiar a tentativa não basta

Você consegue se imaginar num jogo cuja forma de pontuação não conhece? Competindo diante de juízes sem saber dos seus critérios? E, ainda, os juízes ficam muito tempo sem declarar como você se saiu. Isso seria um pesadelo.

Participamos de uma reunião dirigida por Megan, que passava por um período difícil, tentando motivar sua equipe para atingir os objetivos esperados pela empresa.

- Como estamos nos saindo este mês? - perguntou uma funcionária a Megan.
- Ah, não sei - respondeu Megan. Ainda não olhei o relatório de vendas. Tenho a sensação de que estamos indo muito bem, mas ainda não tenho os números.

Podia-se ver a expressão no rosto da funcionária, uma mistura de decepção e aflição.

Posteriormente, nos reunimos apenas com Megan e lhe explicamos por que ela precisava mudar sua abordagem imediatamente se desejava motivar seus funcionários.

Ela precisava saber os resultados do trabalho da sua equipe.

  • “É que eu não gosto de números” – disse Megan. “Jamais gostei”.

Gostando ou não, se você está numa posição de liderança, é imperativo ser a pessoa dos números para a sua equipe. Você não conseguirá motivar as pessoas se não fizer o dever de casa, colocar os números na sua frente e falar sobre os resultados quando estiver com seu pessoal.

Se você for a treinadora deles, então terá de falar sobre o jogo e também sobre o placar.

Imagine um treinador de basquete durante um jogo. Ele reúne o time na lateral da quadra e diz:

“Não olho para o placar faz tempo, então não sei quantos pontos vocês estão atrás… ou na frente… estamos na frente? De qualquer forma, quero mostrar algumas jogadas que acho que devemos trabalhar nesses minutos finais da partida”.

Este tipo de treinador não é alguém que os jogadores confiariam. O mesmo serve para os grandes líderes.

Os bons líderes chamam os membros da equipe e dizem: “Acabei de receber seus números da semana passada. É o melhor que vocês já fizeram em todo o ano!” São esses os líderes que as pessoas adoram seguir, porque sabem se estão ganhando ou perdendo. Ficam sempre atentos ao placar.

Não basta tentar

Também falamos pra Megan que ela estava usando uma abordagem errada com sua equipe ao elogiá-la por seu esforço como fizera na reunião:

“Sei que vocês estão tentando com afinco, dando seu sangue. Passei por aqui de carro ontem, tarde da noite, e vi as luzes acesas. Realmente admiro o que vocês estão fazendo.”

  • O que há de errado em ter dito isso? – perguntou Megan.

O problema é que o respeito pela realização está sendo substituído pelo respeito pela tentativa.

Queríamos que Megan enxergasse que era fácil corrigir o equívoco que estava cometendo. O primeiro passo era conhecer o placar do jogo. Ela precisava examinar os números antes de enviar um e-Mail ou dar um telefonema, pois, ao não fazer isso, dava a impressão de que seus funcionários estavam ali por outras razões, e não para conquistar e realizar objetivos precisos.

O líder dever ser aquele que explica à equipe com extrema precisão qual é o placar, quanto tempo ainda resta e qual será a estratégia baseada naqueles números. Assim, fica muito mais fácil saber quando está jogando bem, quando está vencendo e quando teve um bom ou um mau dia.

Isso cria uma sensação maravilhosa de que o líder não tem intenções ocultas. Portanto, ao se comunicar com seu pessoal, procura maneiras de melhorar e aumentar essa mensuração e, especialmente, de aumentar a consciência dessa mensuração.

Mas isso tem de partir de você.

Não se pode esperar que a política da empresa se modifique. É isso que a maioria das pessoas faz: espera que seus chefes criem um novo sistema, novas maneiras de medir o desempenho ou algo do tipo. Não faça isso. Tome a iniciativa.

Considerações finais

Sua inovação pessoal será descobrir outros modos de medir o desempenho da equipe.

Assim, as pessoas saberão quanto isso significa pra você. Há algo que gostaria de melhorar? Descubra modos de medir o desempenho nessa área e fique atento aos resultados.

O gosto pelo jogo, inerente a todo ser humano, é algo que você pode utilizar. Quanto mais medir as coisas, mais motivado seu pessoal estará ara executar o que foi medido.

PS: suas medições devem contribuir para atingir os objetivos da organização. Cuidado para seus funcionários não “criarem” medidores das suas inúmeras medições.

Referência(s)

Steve Chandler e Scott Richardson – 100 maneiras de motivar as pessoas.

Por Ronaldo Lundgren

Possui graduação pela Academia Militar das Agulhas Negras; é Mestre em Estudos Estratégicos pelo US Army War College; e Doutor em Ciências Militares pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército.

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