Como se preparar para uma crise

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por Ronaldo Lundgren.

como se preparar para uma crise

Como se preparar para uma crise

A combinação de crise política com crise econômica está levando várias empresas a uma situação de insolvência muito acentuada. Juros altos, legislação trabalhista asfixiante e carga tributária elevada formam o “Triângulo das Bermudas” dessas empresas, fazendo muitas delas simplesmente sumirem do mapa.

Com esse quadro, as empresas ficam com um dilema de difícil solução: demitir, para a empresa sobreviver; ou reter o funcionário, para crescer no momento de crise.

Em um cenário como esse, o que fazer? Se você estiver no lado dos empregados, o que pode ser feito? E se você for o patrão?

Preparação para grandes crises

Em tempos de crise, os funcionários precisam ainda mais de uma liderança forte. Orientadora. Transparente. Que tenha empatia. A postura do líder é o ponto de equilíbrio.

As pressões aparecem por todos os lados, com intensidade cada vez maior. Precisa-se de resultados: redução de custos, aumento de vendas, ampliar a carteira de clientes e acompanhar de perto a concorrência.

Como o líder deve se portar

Demonstre calma. Para isso, planeje. Defina os objetivos a serem alcançados. Estude e escolha as estratégias a serem seguidas. Quanto mais você conhecer sua empresa, mais autoconfiança terá. Sua postura vai contagiar a todos.

Mantenha seus colaboradores informados. Primeiro porque eles merecem saber o que está se passando com a empresa. É claro que existem informações que não podem ser passadas, devido ao sigilo do negócio. Porém, informe tudo o que não se enquadrar nesse critério. Seus funcionários vão colaborar.

Implemente as decisões que foram tomadas. A sobrevivência da empresa é importante. Quando ela voltar a uma situação sólida, será possível recontratar os funcionários que, porventura, tenham sido demitidos.

Faça uso do RH. Demitir não é para amadores. Existem empresas especializadas em conduzir demissões. Se não for o caso de contratar uma delas, utilize os profissionais de recursos humanos. Eles têm qualificação para conduzir esse processo. Além de assegurarem os direitos trabalhistas de quem está descontinuando os serviços, têm o cuidado para não afetarem a autoestima do funcionário demitido.

A empresa é formada por pessoas. Não esqueça. Pessoas, não máquinas. Elas merecem respeito. Hoje, pode ser sua função realizar a demissão de um companheiro. Amanhã, poderá ser a sua própria demissão.

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Jack Welch diz que “até um pé no traseiro te empurra para frente”.

Como os funcionários devem se portar

Para os colaboradores, é necessário que se informem sobre a situação da empresa. Não convém adotar uma conduta para tentar salvar o próprio pescoço à custa da cabeça do companheiro ao lado. A melhor atitude é pensar na empresa. O esforço do grupo vai produzir um resultado melhor do que se for aplicada a lei de Murici, onde cada um cuida de si.

Você está sendo avaliado por seus chefes, pelo pessoal do RH e por seus companheiros a todo momento.

Essa avaliação não se limita a observar o seu talento e capacidade de trabalho. Também observam se você age como se fosse o dono da empresa. Como alguém que está alinhado com os interesses e políticas da companhia. Você trabalha com entusiasmo e senso de propriedade ou está pensando apenas em pegar seu salário no fim do mês?

Você tem todo o direito de ser do tipo que sempre enxerga o copo meio vazio. Acontece que as empresas costumam valorizar mais os otimistas, que, geralmente, passam a idéia de ser mais bem-sucedidos.

Preserve sua dignidade. Não se submeta a possíveis tentativas de assédio, seja moral ou sexual, na esperança de não perder o emprego. Não compensa!

Ainda existem pessoas que buscam uma estabilidade que só existe no serviço público. Não se iluda. Imagine-se como um prestador de serviços. É uma troca: seu trabalho pelo salário e benefícios pagos pela empresa.

Além disso, adote providências pessoais, para se precaver. Reduza seus gastos e faça pesquisas de emprego (de maneira discreta, que não venha a lhe comprometer).

Você tem uma rede de contatos. Essa rede vem sendo construída no dia-a-dia do trabalho. São clientes, fornecedores, concorrentes, companheiros e amigos. Essa rede pode lhe ajudar, caso venha a perder o emprego.

Considerações finais

Por fim, não descarte a possibilidade de se preparar para montar o próprio negócio. Talvez, você esteja precisando de um chute no traseiro. Sua expertise pode ser transformada em um negócio, por pequeno que seja.

Autor: Ronaldo Lundgren

Possui graduação pela Academia Militar das Agulhas Negras; é Mestre em Estudos Estratégicos pelo US Army War College; e Doutor em Ciências Militares pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército.

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