por Ronaldo Lundgren.
Capacidades necessárias ao exercício da liderança
Na esteira de estudos recentes em torno da noção de sustentabilidade vem se ampliando a preocupação com impactos da atuação das lideranças para além de seus desempenhos em nível das organizações. Maior atenção vem sendo atribuída a efeitos de suas ações sobre diferentes stakeholders.
Embora não haja unanimidade em torno do conceito de liderança, as diversas definições costumam apresentar como ponto comum seu entendimento como uma relação de influência – a capacidade de “A” influenciar “B”.
Nesse sentido, a liderança pressupõe relações que envolvem não apenas atributos pessoais de “A” e “B”.
Mas também as condições internas e externas que podem facilitar ou dificultar as “conexões” que se estabelecem entre eles.
Em consequência, cresce a demanda por entendimentos mais amplos de como se organiza a dinâmica de forças que lhes conferem influência e poder.
Isso tem implicado em considerar o exercício da liderança de modo mais sistêmico. Em escalas multinível e multidimensional.
Busca-se também, incorporar perspectivas que encerrem, de forma mais integrada, a complexidade das relações entre indivíduos, organizações e sociedade e a prática da liderança, com suas múltiplas facetas e possibilidades de interseção.
A partir de estudos e interações com ocupantes de posições em que o exercício da liderança é fortemente exigido, incluindo organizações de diversos setores e portes, Sant’Anna, Nelson e Carvalho Neto (2015) apontam tendências quanto à premência de novos olhares e perspectivas em torno da liderança, os quais compreendam o “líder” como agente fundamental na articulação das demandas de cada uma dessas perspectivas – individual, organizacional, societal – requerendo-se para tal competências nessas três dimensões.
Dimensão individual
Na dimensão individual, os autores destacam tônica no desenvolvimento de “líderes” capazes de inspirar e mobilizar competências disponíveis, por meio de intervenções, práticas e instrumentos que permitam a compreensão e desenvolvimento dos indivíduos em sua relação consigo mesmos, com seus pares, colegas e demais agentes por ele impactados.
Dimensão organizacional
Já na dimensão organizacional destacam a capacidade de desenvolver e aplicar dispositivos que configurem uma ambiência organizacional de alta performance, maximizando a diversidade de competências e subjetividades envolvidas. Incluem-se aqui a capacidade de promover a sinergia entre estratégias, políticas e práticas de gestão, processos organizacionais e cultura.
Dimensão societal
Finalmente, na dimensão societal, enfatizam a ênfase contemporânea na capacidade de os líderes difundirem valores éticos e sustentar a coerência entre as políticas, práticas e comportamentos organizacionais, levando em consideração os diferentes stakeholders, direta ou indiretamente envolvidos.
Referência
Este artigo foi baseado no texto “DA LEADERSHIP A NOVAS FORMAS DE LIDERANÇA: MOVIMENTOS E TENDÊNCIAS PARA ALÉM DO MAINSTREAM”.
