por Ronaldo Lundgren.
O que é que o Twitter, a University College of London (UCL), a FIFA e o Ministério da Saúde brasileiro têm em comum? Quem respondeu que a imprensa noticiou sobre os quatro, acertou parcialmente.
O que foi divulgado ressalta o fato que quando há uma divergência entre a liderança e a organização, deve prevalecer a organização. Vejamos um resumo do que se passou.
Why did Twitter boss Dick Costolo stand down? For a social network that only allows very brief messages, we perhaps shouldn't be surprised that some users had a short attention span. (Dick Costolo - CEO/Twitter)
Tim Hunt, um dos mais laureados cientistas britânicos, pediu demissão do cargo de professor honorário que ocupava numa das mais renomadas universidades do mundo após ter feito comentários sexistas sobre o papel desempenhado pelas mulheres na pesquisa científica. (O fato ocorreu durante palestra na Coreia do Sul).
"O presidente da Fifa, o secretário geral e o diretor de comunicações estão em um carro. Quem está dirigindo? A polícia", brincou Walter De Gregório em participação no programa do apresentador Roger Schawinski
A "volta" da Contribuição sobre Movimentações Financeiras (CPMF) foi sugerida pelo ministro da Saúde, Arthur Chioro, durante o 5º Congresso do PT em Salvador. O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, afirmou nesta sexta-feira (12) que "não há perspectiva" de retorno da CPMF. "Pelo menos que eu esteja vendo", disse. Em nota à imprensa, o Ministério da Saúde disse que acompanha sugestões e debates, mas que "não há, no âmbito do governo federal - o que abrange a equipe econômica - nenhuma discussão em curso sobre o tema".
O caso Dick Costolo
Por acreditar nisso, Dick Costolo está deixando a presidência do Twitter.
Para analistas, a saída de Costolo se deve à pressão contínua sobre o líder do Twitter nos últimos meses – o crescimento lento da rede social e controvérsias a respeito de abuso e pirataria na plataforma lhe causaram problemas. A decisão de renunciar foi do próprio Costolo, e ele permanecerá no conselho executivo.
O caso Tim Hunt
Durante palestra na Conferência Mundial para Jornalistas de Ciências realizada nesta semana na Coreia do Sul, Tim Hunt, ganhador do Prêmio Nobel de medicina e fisiologia de 2001 por seu trabalho sobre a multiplicação das células, falou sobre os “problemas que tinha com as mulheres” na ciência.
O professor da University College London (UCL), disse que mulheres no laboratório, “choram” ao serem criticadas e se “apaixonam” pelos colegas de trabalho.
“Três coisas acontecem quando há mulheres no laboratório: você se apaixona por elas; elas se apaixonam por você e elas choram quando são criticadas.”
Após suas declarações, o professor pediu demissão do cargo que ocupava.
O caso Walter De Gregório
— Um policial!
O caso Ministro Chioro
Questionado por jornalistas sobre se o imposto retornaria, o ministro da Fazenda Joaquim Levy foi enfático: “Não há perspectiva”. O ministro foi também perguntado se a volta da contribuição estaria sendo cogitada, ao que ele voltou a responder: “Eu não estou cogitando”.
Se não bastasse a divergência entre os dois ministros, foi expedida uma nota do Ministério da Saúde, contradizendo o seu próprio ministro.
A organização é maior do que seus líderes
Ou será ao contrário? A organização não é maior do que os seus líderes. A resposta está na combinação dessas duas afirmações.
Imagine uma corrida de revezamento. O primeiro corredor dá o máximo de seu esforço e conduz o bastão até um ponto onde ele passa para o sucessor. Este recebe o bastão e faz o mesmo, repetindo-se o processo até o final da corrida.
Mesmo se o primeiro corredor for o melhor de sua equipe, chega um momento que ele não vai acompanhar seus competidores. Que são bem preparados e estão mais descansados. Se ele permanecer correndo, sua equipe vai perder.
Comparando-se a equipe de corrida com uma organização, podemos considerar que o corredor da vez é o líder da equipe/organização. Nesse caso, a equipe/organização depende totalmente do desempenho dele. Podemos afirmar então, que a equipe/organização não é maior do que os seus líderes.
Olhando-se para toda a corrida de revezamento, percebemos que há necessidade de troca de liderança dentro da equipe. Chega um momento que aquele corredor não produz mais. Se ele não for substituído, a equipe/organização vai sucumbir. Então, podemos afirmar que a organização é maior do que os seus líderes.
É o que aconteceu com os casos do Twitter, da UCL e da Fifa. Líderes dessas três organizações se viram na necessidade de passar o bastão, porque a organização é maior do que eles. No mundo corporativo, pediram demissão. Abrindo a oportunidade para que seus sucessores imprimam novo ritmo na corrida que estavam fazendo.
Quanto ao caso do ministro da Saúde, também a organização foi maior. De imediato, expediu uma nota contrária às declarações de seu chefe. A diferença está no fato de o ministro não ter se apercebido da necessidade de passar o bastão. Pelo menos, ainda não.
