A ética é um conto triste de ideais maravilhosos

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por Ronaldo Lundgren.

O historiador Yuval Noah Harari, autor do livro Sapiens – Uma breve história da humanidade, depois de 360 páginas de um total de 428, afirma que

A história da ética é um conto triste de ideais maravilhosos que ninguém consegue colocar em prática. A maioria dos cristãos não imitou Cristo, a maioria dos budistas não conseguiu seguir os passos de Buda, e a maioria dos confucianos teria causado um ataque de nervos a Confúcio.

Tal afirmação está inserida na análise da Revolução Científica, depois de ser analisada a Unificação da Humanidade. É um livro que vale ser lido. Não pretendo resumi-lo, apenas discutir se a ética é um conto triste de ideais maravilhosos.

O que é ética?

Com frequência ouvimos falar de ética e falta de ética. O que é ética, afinal?

O dicionário Aurélio apresenta dois conceitos de ética: 1) “estudo dos juízos de apreciação referentes à conduta humana, do ponto de vista do bem e do mal”; 2) “conjunto de normas e princípios que norteiam a boa conduta do ser humano”.

O filósofo Arthur Meucci explica que a “ética faz parte de uma das três grandes áreas da filosofia, mais especificamente, é o estudo da ação – práxis”. A ética “está presente no nosso cotidiano o tempo todo, seja nas decisões familiares, políticas, ou no trabalho por exemplo”.

Há uma diferença entre moral e ética. O filósofo espanhol Adolfo Sánches Vásquez defende que o “termo moral se refere a uma reflexão que a pessoa faz de sua própria ação. Já o termo ética abrange o estudo dos discursos morais, bem como os critérios de escolha para valorar e padronizar as condutas numa família, empresa ou sociedade”.

Para Arthur Meucci, definir o que é um agir ético, moral, correto ou virtuoso é se inscrever numa disputa social pela definição legítima da boa conduta. Da conduta verdadeira e necessária.

Avaliar a melhor maneira de agir pode ser visto de pontos de vista totalmente diversos. Marxistas, liberais, mulçumanos, psicanalistas, jornalistas e políticos agem e valoram as ações de maneira diferente. Porém todos eles lutam pela definição mais legitima de uma “boa ação” ou da “ação correta”.

“Como devo agir” versus “Como de fato ajo”

Voltando a Yuval Harari, a humanidade foi unificada pela conjunção de 3 forças. A primeira a surgir foi a força econômica, com sua ordem monetária. A segunda força foi política, com a ordem dos impérios ao longo da história até nossos dias. E a terceira, foi a religião, com a ordem das religiões universais como o budismo, o cristianismo e o islamismo.

A terceira força estabeleceu uma série de “boas condutas” a serem praticadas por seus respectivos seguidores. Embora tenha contribuído para a unificação da humanidade, Yuval Harari argumenta que a maioria das pessoas não consegue seguir os ensinamentos da religião que professam.

Por outro lado, a força econômica, baseada no ideal capitalista-consumista, tem influenciado a maioria das pessoas a viverem de acordo a essa nova ética.

Uma nova ética que “promete o paraíso sob a condição de que os ricos continuem gananciosos e dediquem seu tempo a ganhar mais dinheiro e as massas deem rédea solta a seus desejos e paixões – e comprem cada vez mais”.

Yuval Harari entende que o ideal capitalista-consumista é a “primeira religião na história cujos seguidores realmente fazem o que se espera que façam”.

Nem sempre conseguimos agir conforme os ensinamentos iluminados transmitidos pelos maiores líderes da humanidade, todos consubstanciados nas maiores religiões universais. Miramos em seus exemplos e buscamos o perdão quando falhamos.

Capitalismo-consumismo

Consumismo é o consumo exagerado de bens.

Se o consumo tem seu lado positivo, como argumenta Rodolfo Alves Pena, quando afirma que o “desenvolvimento econômico e social é pautado pelo aumento do consumo, que resulta em lucro ao comércio e às grandes empresas, gerando mais empregos, aumentando a renda, o que acarreta ainda mais consumo”.

Para ele, “Uma ruptura nesse modelo representaria uma crise, pois a renda diminuiria, o desemprego elevar-se-ia e o acesso a elementos básicos seria mais dificultado”.

A ética do capitalismo-consumismo, sendo praticada pela maioria das pessoas, seria portanto uma ação correta? Ou o consumo exagerado de bens é antiético, por afastar ainda mais o ser humano da ética pregada pelas principais religiões?

Essas perguntas não têm respostas incontestes. O fato é que o ideal capitalismo-consumismo está presente em todos os países. Algumas pessoas começam a questionar tal ideal. A maioria ainda o segue fielmente.

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Categorizado como Liderança

Por Ronaldo Lundgren

Possui graduação pela Academia Militar das Agulhas Negras; é Mestre em Estudos Estratégicos pelo US Army War College; e Doutor em Ciências Militares pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército.

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