por Ronaldo Lundgren.
Se você ocupa um cargo no médio escalão de uma empresa, é bem provável ter feito críticas aos seus chefes, que ocupam o alto escalão. Normalmente, essas críticas são faladas a subordinados, na intenção de demonstrar que você está próximo deles.
Como uma crítica é percebida por seus subordinados e por seus superiores?
A crítica faz parte do ambiente de trabalho
Segundo Larissa Avelar, a “crítica é algo que faz parte do ambiente de trabalho e mesmo o mais competente dos funcionários sabe que um dia será criticado seja pelo chefe, seja por outros funcionários ou clientes. Mas e o chefe, como criticá-lo? A crítica é algo essencial para o crescimento do profissional e da empresa, de modo que o chefe não pode deixar de ser criticado”.
Continuando, Larissa (que é editora do site Dicas de Mulher) ressalta que a “maneira como criticamos o chefe diz muito da nossa conduta profissional, portanto a crítica é um momento não só para o funcionário comunicar suas insatisfações, mas também para demonstrar que está em sintonia com a empresa, com o que a empresa necessita e também para demonstrar proatividade”.
Como seus subordinados lhe observam
O livro “100 maneiras de motivar as pessoas”, de Steve Chandler e Scott Richardson, argumenta que há uma tentação da liderança intermediária de distanciar-se de seus superiores.
Este distanciamento se dá para conquistar a simpatia dos subordinados, na tentativa de se colocar no mesmo nível dos liderados. Chandler e Scott afirmam que isso não vai funcionar. “Na verdade, acabará destruindo a confiança dos funcionários”.
Segundo os autores, quando um líder intermediário tece críticas aos superiores ele envia 3 mensagens muito prejudiciais ao moral e à motivação:
- Não se pode confiar nesta organização.
- Nossa própria administração está contra nós.
- O líder de nossa equipe é fraco e impotente dentro da empresa.
Como os superiores lhe observam
Existem pelo menos duas maneiras de se criticar o superior: na sua frente ou pelas costas. E os superiores sabem que as críticas acontecem.
Quando um colaborador resolve fazer uma crítica direta ao superior, ele deve agir com uma postura amigável e respeitosa. Deve também, destacar a importância da transparência em uma empresa e escolher um momento adequado para o bate-papo. O colaborador deve agir com simplicidade, objetividade e segurança, deixando claro o seu interesse em contribuir para o crescimento de ambas as partes.
Retornando ao texto de Larissa Avelar, as críticas que acontecem “pelas costas”, segundo depoimento de pessoas em cargos de chefia, são vistas assim:
“Críticas públicas, agressivas e pejorativas que comprometam a autoridade do superior devem ser evitadas. Nesses casos, o próprio profissional corre o risco de ter sua imagem comprometida.”. (Pamela Mocelin Manfrin, Gerente de Estratégia da Apetit Serviços de Alimentação)
“O colaborador tem que se sentir como uma pessoa que está ali para agregar, não apenas um número entre outros”. (Solange Pinheiro, sócia-diretora do Grupo Aliar)
Conclusão
Agregar. Importante verbo nas relações de trabalho. O líder intermediário tem uma enorme responsabilidade na conjugação desse verbo. Caso o líder adote uma postura de “não sei por que estamos fazendo isso”; “eles sabem que eu discordo…”; “eles querem que se faça desse jeito…”; “eles não entendem os problemas que vocês estão enfrentando…”. Enfim, uma postura de eles contra nós.
Steve Chandler e Scott Richardson consideram que o uso excessivo do pronome “eles” passa a impressão de que os subordinados (liderança intermediária inclusive) são vítimas isoladas e incompreendidas.
“Um verdadeiro líder deve ter a coragem de representar a direção, não tentar desacreditá-la”.
