Os males do individualismo

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por Ronaldo Lundgren.

males do individualismo

Os males do individualismo

Eu, eu, eu, eu,… Cada vez mais preocupados consigo mesmos. Esses são os seres humanos do atual mundo em que vivemos.

Individualismo pode ser definido como uma tendência. Uma atitude de quem vive exclusivamente para si e demonstra pouca ou nenhuma solidariedade.

O psiquiatra Flávio Gikovate entende que o “individualismo tem crescido basicamente em função dos avanços tecnológicos.

Tais avanços nos levam a passar cada vez mais tempo em atividades solitárias, tais como o uso do computador, do celular, de jogos eletrônicos etc.; isso desde os primeiros anos de vida.”

Compulsando Olavo de Carvalho, verifica-se que o “individualismo” sugere, de um lado, o egoísmo, a indiferença ao próximo, a concentração de cada um na busca de seus interesses exclusivos.

De outro lado, sugere o dever de respeitar a integridade e a liberdade de cada indivíduo, o que automaticamente proíbe que o usemos como mero instrumento e coloca portanto limites à consecução de nossos propósitos egoístas.

Individualismo x Egoísmo

Individualismo não é egoísmo. O egoísmo é algo sem controle já o individualismo é consciente. Ele faz com que as pessoas pensem em seu próximo como um ser que existe apenas para o servir.

Quais as razões que têm levado o ser humano a cada vez mais pensar em si mesmo? Dentre os vários motivos, podemos listar:

  • A internet e o isolamento que gera (por trás da ilusão de vida social que as redes sociais sugerem);
  • o mundo capitalista e a necessidade de se destacar dentro dele;
  • o afastamento de conceitos de fé e de família.

Os 3 males do individualismo

EU SOU O CENTRO – O que EU quero, o que EU sei, o que EU faço. O individualismo existe no ambiente de trabalho. Ao mesmo tempo que se apregoa as vantagens do trabalho em equipe, estimulando a participação dos funcionários, preferencialmente em um ambiente multidisciplinar, encontramos pessoas que não conseguem se envolver com os demais integrantes do grupo. Pessoas que estão presentes apenas em corpo, alheias a todas as discussões e propostas que não coincidam com suas próprias ideias.

EU ATROPELO – Sozinho EU vou mais rápido. O reverendo Juarez Ferreira explica que algumas pessoas “acreditam e defendem o individualismo como um aspecto necessário para sobrevivência do ser humano neste mundo globalizado onde a competição é inevitável e que facilmente nos transforma em objetos, números, mão de obra barata e escravos.” Essa independência de ações baseia-se na crença de poder realizar suas atividades com excelência, graças ao elevado nível de competência que possui.

EU ESTOU BEM – Para Tocqueville, o individualismo é um sentimento consciente que leva cada cidadão a isolar-se da massa dos seus semelhantes. Assim, na empresa o funcionário não se preocupa com as necessidades do conjunto de  companheiros. Se EU estou bem, não me interessa reivindicar melhoria das condições de trabalho. O individualista constitui a sua volta uma pequena sociedade, para seu uso, e deixa voluntariamente de se interessar pela grande sociedade propriamente dita.


Considerações finais

O individualismo provém mais de um juízo errado do que dum sentimento adulterado. As suas raízes encontram-se tanto nos defeitos do espírito como nos do coração. O individualismo extingue a fonte das virtudes públicas.

No ciclo de debates “Fronteiras do Pensamento”, conduzido no Instituto Tomie Ohtake em São Paulo, o casal de sociólogos Richard Sennet e Sakia Lassen, acredita que a sociedade moderna tirou das pessoas a capacidade de se organizar coletivamente e de comunicar com o diferente.

Para os sociólogos, essa incapacidade se expressa de forma contundente na atual crise ambiental e social por qual passam as grandes cidades do mundo. Richard Sennet elencou três habilidades que a sociedade deveria desenvolver de forma a recuperar a possibilidade de cooperação.

São elas a capacidade de ouvir uns aos outros e empatizar com aquilo que o outro faz; superar o vácuo de comunicação a partir de relações ordinárias e criar sociabilidade por meio da ambiguidade; e não enxergar as identidades de cor, gênero, religião ou origem como obstáculos para a interação.

Faltam pessoas que digam “eu não entendo o que você está dizendo porque eu não entendo a sua experiência, conte-me mais”. Segundo Sennett, devemos “preferir a empatia à identificação”.

Hora de agir!

Compartilhe. As pessoas de seu círculo de amizade aguardam por indicações vindas de você.

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Categorizado como Coaching

Por Ronaldo Lundgren

Possui graduação pela Academia Militar das Agulhas Negras; é Mestre em Estudos Estratégicos pelo US Army War College; e Doutor em Ciências Militares pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército.

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