Da Leadership a Novas Formas de Liderança

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Da Leadership a Novas Formas de Liderança

Movimentos e Tendências para Além do Mainstream**

A liderança, um tema vasto e muitas vezes controverso, continua a ser objeto de estudo e reflexão no campo da administração. Embora as definições de liderança variem, é comum concordar que ela envolve uma relação de influência. Neste artigo, exploramos movimentos e tendências que vão além do mainstream, incorporando contribuições de diversas disciplinas e pensadores, como Foucault, Adorno e Giddens (Sant’Anna, Campos, Lótfi, 2010; Lima, 2014; Vilela, 2012).

A Perspectiva Foucaultiana: O Poder como Construtor e Inovador

O artigo destaca a relevância da analítica do poder em Foucault, oferecendo uma visão crítica e abrangente sobre a liderança. Contrariando noções tradicionais, Foucault propõe que o poder não é apenas algo que exclui e reprime, mas também cria, observa, inova e se multiplica por meio de seus próprios efeitos. Ele apresenta uma visão positiva, técnica e política do poder, enfatizando a importância de dispositivos que criam ambiências organizacionais e sociais saudáveis, propícias à inovação e sustentabilidade (Foucault, 1987).

A compreensão foucaultiana sugere que, na sociedade contemporânea, o poder não está centrado em soberanos ou grandes personalidades, mas é difuso, emergindo das próprias relações de poder. Investigar como as pessoas produzem relações de influência no cotidiano torna-se mais eficaz do que buscar “indivíduos ideais”. Assim, a liderança não é um atributo pessoal isolado, mas a capacidade de articular diferentes atributos por meio de dispositivos, contribuindo para ambientes mais saudáveis e inovadores (Sant’Anna, Campos, Lótfi, 2010).

Contribuições de Adorno e Giddens: Dialética Negativa e Recursividade

Adorno, com sua “dialética negativa”, oferece uma perspectiva única sobre liderança, considerando também o ponto de vista do “não líder”. Muitas vezes ignorado, o “ponto fora da curva” pode fornecer insights valiosos (Vilela, 2012).

Giddens, por sua vez, introduz noções de “recursividade”, destacando a capacidade de interferência mútua entre líder e liderado, e “mudanças premeditadas e não premeditadas”, enriquecendo as análises contemporâneas sobre liderança (Lima, 2014).

Desenvolvimentos Multinível e Multidimensional: Ampliando as Fronteiras da Liderança

Recentes desenvolvimentos nos estudos sobre liderança incluem abordagens multinível e multidimensional. Essas perspectivas expandem as bases teóricas, incorporando pensadores menos frequentes na literatura tradicional, como Adorno e Giddens (Lima, 2014; Vilela, 2012).

A Crise na Percepção Atual da Liderança: Reflexões a Partir de Estudos Brasileiros

Pesquisas realizadas no Brasil, notavelmente por Sant’Anna, Campos, Lótfi (2010), indicam que a liderança é percebida como um “construto em crise”. Os estudos apontam para um esgotamento das matrizes teórico-conceituais, resultando na proliferação de literatura de autoajuda e soluções prescritivas. Além disso, há uma vinculação intrincada com a indústria da consultoria e o modelo de gerenciamento norte-americano, considerado ingênuo e ideologicamente marcado (Sant’Anna, Campos, Lótfi, 2010).

Comparação Internacional: Brasil e EUA

Ao comparar estudos brasileiros com pesquisas norte-americanas, Sant’anna, Lótfi, Nelson, Campos, Leonel (2011) destacam diferenças significativas na percepção. Enquanto os acadêmicos brasileiros veem um esgotamento, os norte-americanos enxergam vigor na área, especialmente em teorias recentes, como a “Teoria da Relação entre Líderes e Membros – LmX”.

Desafios na Liderança do Setor Público e em Dinâmicas Globais

Outra área de exploração inclui os desafios na liderança do setor público e nas dinâmicas globais, onde questões como sustentabilidade, diversidade e ética desempenham papéis cruciais (Lima, 2014).

Ressignificando a Liderança para o Século XXI

Em um mundo em constante transformação, a liderança evolui, incorporando contribuições diversas e desafiando noções estabelecidas.

A perspectiva foucaultiana, as contribuições de Adorno e Giddens, juntamente com desenvolvimentos multinível e multidimensionais, oferecem um panorama mais amplo e enriquecedor. A crise na percepção atual da liderança, especialmente evidente em estudos brasileiros, aponta para a necessidade de uma abordagem mais reflexiva e contextualizada.

Ao ressignificar a liderança para o século XXI, é possível criar ambientes mais inovadores, éticos e sustentáveis.

Por Ronaldo Lundgren

Possui graduação pela Academia Militar das Agulhas Negras; é Mestre em Estudos Estratégicos pelo US Army War College; e Doutor em Ciências Militares pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército.

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