Cultura organizacional: aprendendo com as falhas

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Cultura organizacional: aprendendo com as falhas

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É fato que podemos aprender bastante com nossas falhas. Entretanto, empresas que fazem isso de uma maneira efetiva são extremamente raras.

A maioria dos gestores entende que aprender com os erros é muito importante, porém boa parte das atitudes com essa proposta não demonstra resultados. A principal razão disso é o fato de se pensar sobre falhas da maneira errada.

Amy Edmondson, professora da Harvard Business School, é uma das estudiosas desse tema. Em conversas com executivos, ela percebeu que as atitudes com relação às falhas eram muito similares:

  • pedir aos funcionários para refletir sobre seus erros (para não os cometer novamente);
  • e designar um time para elaborar um relatório sobre o acontecido (e entregá-lo a todos).

Edmondson enxergou que, entre os executivos, existia um pensamento de que falhas eram sempre ruins. Mas isso não é verdade: falhas fazem parte das nossas vidas. Algumas vezes, elas são inevitáveis; outras vezes, podem até ser positivas.

O grande ponto é que as companhias não dispõem do conhecimento necessário para detectar e analisar as falhas. Na maioria das vezes, quando algo de errado acontece, as lições aprendidas são muito superficiais, como culpar as condições de mercado.

Alto nível de trabalho

Desde quando somos crianças, temos a tendência de não lidar com falhas, pois o fato de admiti-las geralmente está associado a se tornar o culpado. Assim, pouquíssimas empresas têm um ambiente psicologicamente seguro para que a aprendizagem com falhas seja realizada.

Um fator que dificulta essa aprendizagem é a tendência de os gestores condenarem falhas com o intuito de manter um nível alto de trabalho de seus liderados. Entretanto, um ambiente com tolerância às falhas pode coexistir com um trabalho de alto nível.

Quando Edmondson pediu aos executivos para que estimassem a porcentagem de falhas condenáveis em uma companhia, eles responderam entre 2% e 5%. Já quando ela perguntou a porcentagem que os executivos condenavam, eles responderam entre 70% e 90%.

Razões para falhas

A questão é: muitas companhias estão condenando falhas que não são necessariamente ruins. Dessa maneira, elas deixam de lado a experimentação, a qual pode muito bem criar vantagens competitivas – duradouras – para essas mesmas companhias.

Assim, Amy Edmondson propôs um espectro de razões para a falha, partindo das mais culpáveis até as louváveis. Nessa ordem, o espectro consiste em

  • desvio de conduta;
  • desatenção;
  • falta de habilidade;
  • inadequação de processo;
  • tarefas desafiadoras;
  • complexidade de processos;
  • incerteza;
  • teste de hipóteses; e
  • teste exploratório.

Dessa forma, as empresas devem implementar uma cultura de aprendizado, a qual só pode ser puxada pelos líderes. Por sua vez, estes devem criar um ambiente em que as pessoas se sintam confortáveis para lidar e aprender com as falhas.

Não podemos deixar de falar da importância de detectar e analisar falhas. Edmondson dá o exemplo da explosão do ônibus espacial Columbia, que ocasionou a morte de sete astronautas.

Um dos motivos do desastre foi o fato de gerentes da Nasa terem deixado de lado um pedido dos engenheiros para que um problema fosse analisado. Eles estavam concentrados em resolver outro acontecimento.

Desse modo, em razão de uma estrutura muito vertical (comum à época), uma questão menor não foi analisada e acabou se tornando o motivo de uma tragédia. Tudo isso por um problema de cultura, sistemas e procedimentos.

Considerações finais

Portanto, a análise de empresas deve ir além dos números: alguns componentes qualitativos podem dar origem a organizações vencedoras no longo prazo. Isso simplesmente por elas entenderem que existem falhas inteligentes, as quais devem ser acessadas com clareza – e a devida cautela.

Limitar um ambiente de experimentação pode ser um grande revés para a criação de vantagens competitivas e, consequentemente, para o crescimento futuro.

Referência(s)

Suno Research.

Autor: Ronaldo Lundgren

Possui graduação pela Academia Militar das Agulhas Negras; é Mestre em Estudos Estratégicos pelo US Army War College; e Doutor em Ciências Militares pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército.

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