As três peneiras

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por Marco Fabossi.(*)

Peneiras

Olavo foi transferido de setor. Logo no primeiro dia, para fazer média com o novo chefe, saiu-se com esta:

– Chefe, o senhor nem imagina o que me contaram a respeito do Marco; Disseram que ele…

Antes mesmo de terminar a frase, Juliano, o chefe, o interrompeu:

– Espere um pouco Olavo, o que vai me contar sobre o Marco já passou pelo crivo das três peneiras?

– Peneiras? Que peneiras, chefe?

– A primeira peneira é a da VERDADE. Você tem certeza que o que vai me contar sobre o Marco é absolutamente verdadeiro?

– Não. Só sei o que me contaram, mas acho que…

E, novamente Olavo é interrompido pelo chefe.

– Então sua história já vazou a primeira peneira.

Vamos então para a segunda; a peneira da BONDADE.

O que você vai me contar é algo bom? Gostaria que os outros também dissessem isso a seu respeito?

– Claro que não! Deus me livre, chefe! – responde Olavo assustado.

– Então – continua o chefe – Sua história vazou também a segunda peneira.

Vamos ver a terceira peneira, que é a da NECESSIDADE.

Você acha mesmo necessário me contar esse fato ou passá-lo adiante? Ele ajuda a resolver alguma coisa? Pode ajudar a melhorar algo em nosso dia-a-dia?

– Sinceramente não, chefe. É, passando pelo crivo das três peneiras, vi que não sobrou nada do que eu iria contar – comentou Olavo, um pouco decepcionado.

– Pois é, Olavo. Já pensou como as pessoas poderiam ser mais felizes e as empresas muito mais agradáveis para se trabalhar se todos usassem essas peneiras? – diz o chefe sorrindo, e continua …

– Da próxima vez em que surgir um boato por aí, submeta-o ao crivo das três peneiras antes de obedecer ao impulso de passá-lo adiante: VerdadeBondade e Necessidade.

Pessoas inteligentes falam sobre idéias. Pessoas comuns falam sobre coisas. Pessoas medíocres falam (mal) sobre pessoas.

Pense um pouco: qual é o perfil das pessoas fofoqueiras? Em geral são pessoas infelizes consigo mesmas, com a vida, com o trabalho, com a família, enfim, nada pra elas tem uma razão nem um sentido positivo. A pessoa fofoqueira, como não tem perspectivas e nem motivação pessoal, ocupa o seu tempo julgando e falando mal da vida dos outros.

A fofoca chega até nossos ouvidos, geralmente com as seguintes frases:

– Já está sabendo da novidade?

– Sabe da última?

– Você não vai acreditar…

– Nem te conto…

Independentemente da frase maldosa que venha a chegar aos seus ouvidos, pense: Se alguém fala mal de outra pessoa para mim, quem garante que quando eu viro as costas, esta pessoa não estará falando mal de mim também?

Caso a fofoca venha acompanhada da seguinte frase: Vou te contar uma coisa, mas jura que guarda segredo? Desbanque o fofoqueiro com classe, dizendo: Se é um segredo seu, sinto-me lisonjeado por você confiar em mim. Caso eu não possa ajudá-lo, pelo menos ouvirei e guardarei segredo, mas se for um segredo sobre a vida de outra pessoa, por favor, não me conte, pois não quero saber!

Não aproveite o impulso diante de uma situação para falar mal de alguém. Não julgue o todo por uma parte, e não julgue para não ser julgado. Lembre-se de que quando você aponta um dedo para uma pessoa na intenção de julgá-la, três dedos da sua própria mão se voltam contra você.

A fofoca (rádio peão, rádio corredor, telefone sem fio) é um dos mais nocivos instrumentos de desagregação no ambiente de trabalho. O verdadeiro líder deve fazer uso destas três peneiras sempre que comentários mal-intencionados chegarem até ele. Não devemos esquecer que toda história tem pelo menos dois lados, e pra tomarmos decisões justas e acertadas, todos os envolvidos precisam ser ouvidos.


(*) Marco Fabossi, alguém que, como você, busca agir com o Coração de Líder, e contribuir para a construção de um futuro melhor.

publicado
Categorizado como Coaching

Por Ronaldo Lundgren

Possui graduação pela Academia Militar das Agulhas Negras; é Mestre em Estudos Estratégicos pelo US Army War College; e Doutor em Ciências Militares pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército.

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