por Ronaldo Lundgren.

A mudança de liderança
Do ponto de vista prático, não podia ser de outra forma, tal a dependência do modelo global de livre circulação que faz da China o maior exportador mundial.
Mas do ponto de vista conceitual e sobretudo estratégico, Jinping trouxe duas novidades: primeiro, aproveitou as angústias de muitos investidores e países com o modelo comercial mais restritivo proposto por Trump para ocupar o potencial espaço livre deixado por Washington; segundo, assumiu uma vocação universal para o status da China na ordem internacional em evolução, quando até aqui o foco da sua ascensão estava sobretudo centrado na Ásia.
Não existe vácuo de poder
Mais: ao defender claramente o Acordo de Paris sobre alterações climáticas, ao contrário de Trump, que já disse não o respeitar, Jinping fez simultaneamente o reconhecimento de que a gestão climática é um dilema político interno na China, como sublinhou o respeito pela assinatura de um acordo que vai passar a ser maldito em Washington, virando assim o mundo contra a administração americana. Foi uma forma hábil de disseminar o soft power chinês.
A retração dos Estados Unidos para o seu interior acelerará a ascensão da China como superpotência, cedendo áreas estratégicas cujo relativo vazio os chineses ocuparão. A retirada norte-americana da Parceria Transpacífico é um erro que a China também agradece, enquanto Trump, pela sensação de melhor preservar o seu mercado interno, perde condições preferenciais nas gigantes novas classes médias asiáticas em formação.
É só o começo…
Ainda não transcorreram os 100 primeiros dias do governo Trump. Pode ser que a situação retorne à normalidade geopolítica estabelecida. Pode ser que, ao contrário, o isolacionismo se acentue. E o Brasil? Como será afetado? É importante que nossos interesses nacionais estejam bem definidos e bem defendidos.
Por sinal, você conhece nossos interesses nacionais? Confira! Basta clicar no link abaixo. Compartilhe. É desta forma que podemos nos fortalecer.
<<<Interesses Nacionais>>>
(*) Este post baseou-se nos artigos de Pedro Jordão e do Diário de Notícias.

É um artigo sensato e inteligente. No entanto, cabe aguardar os efeitos da estratégia “Trump”, que não prega restrições ao livre comércio, mas sim às servidões multilaterais. Ele pretende substituir o multilateralismo por acordos bilaterais. Considera o globalismo uma ameaça aos EUA, por ser controlado por uma corporação financeira que enfraquece a soberania do país, em favor de uma burocracia supranacional, onde o poder real é exercido por desconhecidos (pessoas sem rosto), como ocorre na União Europeia. A China moderna é dependente dos grandes mercados. Se perde a capacidade de exportar, torna-se vulnerável, sendo, portanto, um tigre de papel. Trump pretende reordenar os fatores de produção que tornaram os EUA uma superpotência econômica. Se a visão dele estiver correta, será a redenção, não só do seu país, mas do conceito de soberania do Estado-nação (inclusive o Brasil), hoje tolhida pela onda massificadora do conceito globalista do politicamente correto, ditado por esses grupos hegemônicos.
Prezado Gen Santa Rosa,
agradeço pelo comentário. Esta interação estimula a continuar trabalhando. O tema é instigante: a globalização tem seus arautos e seus críticos.
A opção por negociações bilaterais nas relações comerciais, fugindo dos organismos multilaterais, parece ser benéfica sempre ao lado mais forte. Quanto ao Estado-nação, ações estratégicas precisam ser adotadas para fortalecê-lo. A decisão britânica de deixar a União Europeia pode servir de exemplo para tal fortalecimento. No que diz respeito a China, além da dependência do comércio exterior e de energia, vejo que suas últimas lideranças têm conseguido implementar um planejamento de longo prazo.
Espero continuar recebendo comentários de V Exa. Aproveito para colocar o espaço deste blog à disposição.
Respeitosamente,