A liderança e o ChatGPT

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inteligência artificial mudamos a liderança
Eu, robô.

A liderança e o ChatGPT

inteligência artificial mudamos a liderança

“Os robôs podem ser a espécie que evolui mais rapidamente no nosso planeta”.

É assim que os cientistas da computação Luiz Chaimowicz e Mário Campos(*) iniciam seu artigo sobre essa máquina que, cada vez mais, está em nosso cotidiano.

Se você pesquisar um pouco descobrirá as maravilhas que os robôs estão fazendo. Eles já substituíram os humanos em muitas atividades. Membros artificiais estão sendo ligados diretamente no sistema nervoso humano. Robôs minúsculos já podem entrar em nossos corpos e detectar doenças.

Até mesmo o médium Chico Xavier teve seus manuscritos psicografados questionados pela inteligência artificial.

“Será que algum dia eles substituirão o cérebro humano?”

O Fórum Econômico Mundial acredita que sim. Nos estudos prospectivos consolidados no documento Deep Shift – Technology Tipping Points and Societal Impact, estima-se que até 2026 várias empresas contarão com robôs em seus conselhos de administração.

Por sinal, esta realidade já acontece.

Veja estes casos reais…

  1. Assistência ao Cliente:
    • Exemplo: A Amazon utiliza chatbots baseados em IA em seu serviço de atendimento ao cliente para responder a perguntas frequentes e auxiliar os usuários nas interações online.
  2. Análise de Dados:
    • Exemplo: A Palantir Technologies é uma empresa de análise de dados que utiliza inteligência artificial para fornecer soluções analíticas avançadas em diversos setores, incluindo governos e empresas.
  3. Automatização de Processos:
    • Exemplo: A UiPath é uma empresa que fornece soluções de automação robótica de processos (RPA) baseadas em IA para automatizar tarefas repetitivas em processos de negócios.
  4. Recrutamento e Seleção:
    • Exemplo: HireVue é uma plataforma que utiliza IA para análise de vídeo em entrevistas de emprego, ajudando as empresas a avaliar candidatos de maneira eficiente.
  5. Saúde e Diagnóstico:
    • Exemplo: IBM Watson Health aplica a inteligência artificial em saúde para análise de dados médicos, diagnóstico e pesquisa clínica.
  6. Finanças e Investimentos:
    • Exemplo: BlackRock, uma das maiores gestoras de ativos do mundo, utiliza algoritmos de IA em suas decisões de investimento para análise de dados e previsões de mercado.
  7. Manufatura e Cadeia de Suprimentos:
    • Exemplo: A Siemens usa IA em suas soluções de automação industrial para otimizar processos de manufatura e melhorar a eficiência da cadeia de suprimentos.

Esses exemplos ilustram como a inteligência artificial é aplicada em diversas indústrias para melhorar a eficiência operacional, a tomada de decisões e a experiência do cliente.

Dizem que a história se repete...

Não é a primeira vez que uma inovação tecnológica atrai a atenção das pessoas. Em geral, elas se posicionam em um desses 3 grupos:

  • os críticos;
  • os arautos; e
  • os indiferentes.

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Veja o caso da máquina a vapor. Ela proporcionou um incrível aumento na produtividade da indústria e nos transportes. Muitos a enxergaram como “destruidoras” de postos de trabalho. O que fariam os artesãos quando fossem substituídos pelas máquinas? E os tratadores de cavalo?

Olhando com a perspectiva que o tempo proporciona, vemos que as profissões que foram extintas deram lugar a outras que surgiram. Uma nova qualificação de mão de obra capacitou os trabalhadores a exercerem as funções criadas pela tecnologia.

Se isto já aconteceu anteriormente, por que a preocupação agora é diferente? O que há de novo?

Para responder a essas indagações, vamos recorrer a Yuval Noah Harari. Em seu livro “Sapiens – uma breve história da humanidade”, o autor israelense dedica um capítulo inteiro ao Fim do Homo Sapiens.

Segundo Yuval Harari, o Homo sapiens está “começando a violar as leis da seleção natural, substituindo-as pelas leis do design inteligente“. Cientistas estão criando seres vivos em laboratórios.

O design inteligente pode acontecer de três maneiras: por meio de engenharia biológica; pela engenharia cyborg (cyborg são seres que combinam partes orgânicas e inorgânicas); ou engenharia de vida inorgânica.

Este avanço tecnológico tem sua origem desde os primórdios dos seres humanos. No entanto, nas últimas décadas assistimos a um movimento muito acelerado.

Foi apenas nos anos de 1950 que um pequeno grupo de pesquisadores se dispôs a dar um salto para um futuro nunca antes imaginado.

“Como fazer as máquinas compreenderem as coisas?” (MINSKY, 1968).

O Instituto Tércio Pacitti de Aplicações e Pesquisas Computacionais (NCE/UFRJ), da Universidade Federal do Rio de Janeiro, descreve um bom resumo sobre a Inteligência Artificial. Vamos a ele:

O termo “inteligência artificial” nasceu em 1956 no famoso encontro de Dartmouth. Dentre os presentes a este encontro incluíam-se Allen Newell, Herbert Simon, Marvin Minsky, Oliver Selfridge e John McCarthy.

No final dos anos 50 e início dos anos 60, os cientistas Newell, Simon, e J. C. Shaw introduziram o processamento simbólico. Ao invés de construir sistemas baseados em números, eles tentaram construir sistemas que manipulassem símbolos. A abordagem era poderosa e foi fundamental para muitos trabalhos posteriores.

Desde então, as diferentes correntes de pensamento em IA têm estudado formas de estabelecer comportamentos “inteligentes” nas máquinas.

Portanto, o grande desafio das pesquisas em IA, desde a sua criação, pode ser sintetizado com a indagação feita por Minsky em seu livro “Semantic Information Processing”, há quase cinquenta anos: “Como fazer as máquinas compreenderem as coisas?” (MINSKY, 1968).

Prioridades de liderança

Para começar, eles terão de enfrentar a quarta revolução industrial, que está a redefinir indústrias inteiras e a criar novas a partir do zero, devido aos avanços inovadores na inteligência artificial, robótica, internet das coisas, veículos com condução autônoma, impressão 3D, nanotecnologia, biotecnologia e computação quântica.

Estas tecnologias mal começaram ainda a mostrar todo o seu potencial. Em 2017, veremos cada vez mais coisas que costumavam ser ficção científica tornarem-se realidade.

Mas embora a quarta revolução industrial possa ajudar-nos a resolver alguns dos nossos problemas mais prementes, está também a dividir as sociedades entre aqueles que abraçam a mudança e aqueles que não o fazem. E isso ameaça o nosso bem-estar de formas que terão de ser identificadas e abordadas”.

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INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL Mudamos a liderança?

Liderança é a capacidade de influenciar pessoas para, juntas, atingirem um objetivo.

Como um líder deve agir em um ambiente onde sistemas de inteligência artificial substituem os funcionários?

Veja o caso da empresa japonesa de seguros de vida Fukoku Mutual Life.

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A empresa substituiu 34 trabalhadores por um sistema de inteligência artificial para a realização de cálculos de pagamento de seguros.

O sistema de inteligência  fará a leitura de documentos médicos, certidões, relatórios e prontuários para avaliar se o usuário deve ou não receber o valor do seguro.

A empresa ainda mantém um funcionário humano para supervisionar o trabalho das máquinas

Liderar = Saber + Fazer + Ser

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Conjugar, de forma harmônica, os verbos Saber, Fazer e Ser é o segredo para uma boa liderança. O líder deve equilibrar o uso desses verbos em seu dia a dia. (veja o artigo Líder: Ser, Saber e Fazer)

Em determinado momento, será necessário demonstrar que sabe o que está mandando executar. Que conhece bem suas atribuições. E a de seus liderados também. O conhecimento facilita muito o exercício da liderança. O Saber dá autoridade.

Mas não basta apenas Saber. Também é essencial que o líder Faça. Ficar apontando o que deve ser feito e não estar junto demonstra que falta unidade na equipe. Falta espírito de corpo. A missão é para ser cumprida por todos. Cada um fazendo sua parte, mas juntos.

Por fim, o verbo Ser. Ele contém os valores, a ética, os princípios morais. É pelo verbo Ser que o líder transmite confiança. Define a visão de futuro.

O líder deve Saber

Uma boa liderança é exercida por alguém que saiba o que faz. O líder precisa conhecer suas atribuições. É necessário também, que ele se mantenha atualizado sobre a conjuntura que interage com a sua organização. Deve ainda, conhecer as funções exercidas por seus liderados. Não é fácil. Mas é preciso.

Liderar uma organização que tenha um mix de pessoas e robôs dotados de inteligência artificial vai aumentar o estresse do líder. Mesmo reconhecendo que os robôs saibam mais sobre suas funções, caberá ao líder conhecer o resultado esperado das operações de cada máquina.

Por outro lado, é esperado um questionamento sobre a capacidade cognitiva da liderança. As orientações oriundas do líder serão postas em dúvida. “Será que todos os aspectos da situação foram adequadamente considerados? Não seria melhor seguir as indicações feitas pelo robô?”

Este tipo de situação não deve preocupar o líder. Afinal, é comum que os funcionários conheçam mais suas respectivas funções. Por serem especialistas em suas áreas, é normal que o líder recorra ao assessoramento de um liderado.

Portanto, ter um “funcionário” robô não seria um problema no tocante ao Saber.

O líder deve Fazer

Quando o líder está junto de sua equipe, ele participa das atividades. Mesmo quando ele quase nada faz, sua presença estimula.

Agindo assim, fica mais fácil e consistente a criação de um espirito de corpo. Todos os integrantes do grupo se sentem responsáveis pelo sucesso e também, pelo fracasso.

Ter um robô como funcionário não altera o papel de Fazer do líder. É esperado que o robô faça melhor e mais rápido.

O líder deve Ser

A atitude do líder causa impacto no ambiente de trabalho. Sua conduta é imitada por seus liderados.

Atitude. Talvez esta palavra resuma tudo o que o líder deve ser. Atitude é uma norma de procedimento que leva a um determinado comportamento. É a concretização de uma intenção ou propósito. De acordo com a psicologia, a atitude é comportamento habitual que se verifica em circunstâncias diferentes.

Ter atitude correta para cada situação que se apresenta é motivo de admiração. Pode-se dizer que a atitude reflete o caráter. O caráter tem por base as crenças e valores, sendo o fator preponderante nas decisões e no modo de agir de qualquer pessoa.

É importante que os líderes procurem desenvolver determinados traços de personalidade em si e nos subordinados porque, em momentos críticos ou situações difíceis, eles proporcionam segurança para agir com eficiência.

O Ser é típico do Homo Sapiens. Não cabe, portanto, preocupação com relação a um funcionário não-humano.

E se o seu chefe for um robô?

Voltando a Yuval Harari, ele defende que o Homo Sapiens será substituído por uma outra espécie. Muito provavelmente, criada pelo próprio homem.

Vejamos o que ele escreveu a esse respeito:

Imagine outra possibilidade: suponha que você pudesse fazer um backup do seu cérebro para um HD portátil e então rodá-lo em seu notebook. Seu notebook seria capaz de pensar e sentir como um Sapiens? Se sim, ele seria você ou outra pessoa? E se os programas de computador pudessem criar uma mente totalmente nova, mas digital, composta de códigos de computador, este seria uma pessoa? Se você o delatasse, poderia ser acusado de assassinato? (Sapiens - página 420)

Como esse chefe não-humano exerceria a liderança? O que você acha que ele faria? Gostaria de ouvir você. Deixe seu comentário.

Referências

publicado
Categorizado como Liderança

Por Ronaldo Lundgren

Possui graduação pela Academia Militar das Agulhas Negras; é Mestre em Estudos Estratégicos pelo US Army War College; e Doutor em Ciências Militares pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército.

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