por Ronaldo Lundgren.
Quando pedir desculpas
Errar é humano; perdoar, divino e não admitir o erro é demoníaco. (Érico Teixeira)
Quando somos injustos com alguém, ainda que sem querer, o esperado é que peçamos desculpas. A pessoa ofendida se sente no direito de ouvir um mea culpa de nossa parte, uma manifestação de arrependimento. Já quem agiu de modo errado tenta consertar a situação com um pedido de perdão, talvez com a reparação do dano.
Nas relações pessoais, existe um entendimento comum onde aquele que falhou deve se desculpar de imediato, evitando que a situação venha a se agravar, deteriorando o relacionamento.
Para o psiquiatra Roberto Shinyashiki, “Uma pessoa que tem maturidade percebe facilmente quando alguma coisa está maculando seu coração. […] é fácil perceber que alguma coisa não está bem nos relacionamentos com as pessoas que ama. Ao notar que criou um mal-estar, prontifica-se a se desculpar com alguém que magoou ou questionar quem magoou você.”
Errar é humano, mas quando a borracha se gasta mais do que o lápis, você está positivamente exagerando. (J. Jenkis)
Reconhecer o erro
O descuido é a maior causa de mágoas. Reconhecer isso ajuda os dois lados do relacionamento: tanto quem feriu – e deve se desculpar – quanto quem vai perdoar. A atenção com o outro é o melhor antídoto para evitar os mal-entendidos.
A coisa muda de figura quando ocupamos o papel de líder. Um líder responde não só por seus atos, mas também pelo comportamento de todos aqueles sob seu comando, que podem ser centenas, milhares, milhões de indivíduos. Logo, a primeira dúvida a esclarecer é a quem cabe a culpa.
Uma decisão difícil não vai agradar todo mundo na organização. E nem o líder deve estar preocupado com isso. Aliás, se o líder não estiver “mexendo no queijo” de alguém, provavelmente, ele está agindo muito na sua zona de conforto.
Bons líderes sabem como agir decisivamente. Mas, também sabem reconhecer quando seus atos machucam seus colaboradores, clientes ou fornecedores. Ao reconhecerem tais ações, eles devem tomar medidas para remediar os danos causados a essas relações profissionais.
Desculpar-se em público
Se um líder se sente obrigado a se desculpar, sobretudo quando o imbróglio envolve subordinados seus, é bem provável que o dano tenha sido sério, vasto e permanente.
Já que o líder fala para e por seus seguidores, seu pedido de perdão tem vastas implicações. O ato de se desculpar ocorre não só no nível individual, mas também no da instituição. Não é algo puramente pessoal é também político. É uma atuação na qual todo gesto tem importância e toda palavra fica publicamente registrada.
Logo, pedir desculpas em público é, para o líder, uma tacada arriscadíssima: para si, para os subordinados, para a organização que representa. Fugir a um pedido de desculpas pode ser astuto, ou suicida.
Já a prontidão em buscar o perdão pode ser sinal de caráter exemplar ou de fraqueza. Um bom pedido de desculpas pode converter a animosidade em vantagem pessoal e organizacional, enquanto uma escusa modesta, tardia ou taticamente transparente demais pode ser a ruína do indivíduo e da instituição.
Como, então, enfrentar a questão? Como saber quando e como vir a público com um pedido de desculpas?
Nas relações entre o líder e os liderados, pedidos de desculpa devem ser apresentados sempre que houver uma atitude desrespeitosa. Não basta se desculpar em particular. É necessário que todos percebam que o respeito ao outro é um valor importante na organização.
Considerações finais
Se não houve falta de respeito, mas o líder percebe que sua atitude causou mal-estar, como por exemplo: não convidar um chefe de setor para uma reunião que vai tratar de assuntos do interesse dos funcionários daquele setor. O chefe pode se sentir desprestigiado e adotar uma atitude de retraimento ou confrontação. Nesses casos, convém explicar o motivo da não convocação para a reunião, sem procurar se desculpar.
Este artigo contou com dados publicados por Barbara Kellerman e por Bruce Eckfeldt.
