O poder da curiosidade

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(*) Este post foi publicado inicialmente em Poder&Gerir.

O poder da curiosidade

Hoje, as muito ricas experiências da minha vida profissional têm-me ensinado que a curiosidade é um traço da personalidade. E é extremamente importante para desenvolver a criatividade, criar novas oportunidades e resolver problemas.

O gosto por saber mais, por entender os fatos disponíveis, mesmo que incompletos, e a forma como estes afetam o mundo à nossa volta, tem-se revelado fundamental para saber tomar melhores decisões.

O querer entender os comportamentos dos meus companheiros de trabalho. Procurar compreender os motivos que os levam a agir de determinada forma, tem sido uma ajuda preciosa para melhor gerir competências e capacidades no contexto de equipes de trabalho e para melhor resolver conflitos.

Saber escutar

O desejo de aprender coisas novas tem sido muito útil para desenvolver competências de escuta ativa.

Saber escutar implica abordar cada conversa numa lógica de nova oportunidade para descobrir coisas que não sabíamos. Quanto mais energia investirmos em explorar e entender os sinais à nossa volta, mais interessante este exercício se torna.

Mas, sobretudo, o maior benefício que a curiosidade me tem trazido, é a capacidade para estabelecer relações entre temas, organizações, pessoas e situações, permitindo criar oportunidades e projetos e gerar ideias. E este processo é absolutamente apaixonante.

Curiosidade e felicidade

O pai da psicologia positiva, Martin Seligman, identifica a curiosidade como uma das cinco características com uma correlação mais elevada com a felicidade do ser humano. Isto que contradiz aquela ideia popular de que o ignorante é mais feliz, porque não tem acesso a informação ou porque não a consegue interpretar. A autora Prêmio Nobel Alice Munro exprime-o de forma sublime na sua frase “The constant hapiness is curiosity”.

Apesar da curiosidade ser um traço da personalidade, ela pode ser desenvolvida e exercitada. Algumas das sugestões que me parecem úteis neste sentido passam por:

  • desenvolver competências de observação;
  • eliminar ideias preconcebidas que provoquem uma resposta automática;
  • ter consciência do que não sabemos; e
  • definir como objetivo de cada dia aprender alguma coisa nova, por muito pequena que ela seja.

É mais fácil quando o desenvolvimento se inicia na infância. A curiosidade começa com o desejo de explorar, que depois evolui para a vontade de inquirir e perguntar.

Um estudo inglês descrito no livro “Young Children Learning” de Barbara Tizard e Martin Hughes que se baseia nas conversas que as crianças têm com as suas mães e as suas educadoras de infância, mostra que as crianças de classe média na Inglaterra são normalmente mais curiosas do que as de classe mais baixa, não porque as mães destas não respondam às questões colocadas pelas crianças, mas porque as mães da classe média fazem mais perguntas aos seus filhos.

E agora!…

Espero que tenha ficado curioso por saber mais!

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(*) Belén de Vicente – Tem mais de 20 anos de experiência em consultoria de gestão na Península Ibérica. Trabalha também na gestão de parcerias internacionais nos setores do Ensino Superior e da Saúde. Atualmente é a fundadora e diretora geral da Medical Port, a porta de entrada para cuidados médicos em Portugal, para quem vem de outros países. …

Autor: Ronaldo Lundgren

Possui graduação pela Academia Militar das Agulhas Negras; é Mestre em Estudos Estratégicos pelo US Army War College; e Doutor em Ciências Militares pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército.

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