por Ronaldo Lundgren.(*)
Você já teve a oportunidade de trabalhar com alguém que é considerado uma estrela? Um profissional reconhecido, dentro e fora da organização, por sua competência; que costuma ser consultado sobre o seu ponto de vista a respeito de um tema crítico; que é sempre designado para fazer palestras e conduzir reuniões importantes. Não é fácil.
Imagine agora não uma estrela, mas várias. Uma constelação na organização onde você trabalha. Como trabalhar com um time de estrelas? Como aproveitar o lado bom desses egos reunidos? Como identificar aquilo que não é bom para a equipe?
Um funcionário, que não seja considerado “estrela”, tem a tendência de classificar aqueles astros de uma forma bem pragmática: os do bem – que reconhecem a importância do trabalho em equipe; e os egoístas – que acham que o companheiro está lhe atrasando e comprometendo a qualidade do trabalho que, se ele fizesse sozinho, sairia muito melhor, tipo: “eu faço a minha parte e você que se vire para me acompanhar”.
“Há realmente dois perfis de astros corporativos: os imaturos, que querem tudo para si, e os que dividem as responsabilidades e as alegrias”, diz Mike Martins, diretor executivo da Sociedade Latino Americana de Coaching, de São Paulo.
As empresas estão cheias de profissionais de ambos os tipos. E você precisa conhecê-los bem e aprender a conviver com esse pessoal para tirar as melhores lições que eles podem oferecer. Porque, sim, eles podem até ofuscar quem está por perto, mas continuam tendo muito a ensinar.
Algumas características das estrelas
Os astros não se tornam tão poderosos da noite para o dia. Seus currículos são baseados no estudo (cursos de especialização, MBAs, domínio de outros idiomas) e na experiência (adquirida em cargos importantes, em atividades voluntárias e prática de hobbies).
Possuem habilidades técnicas desenvolvidas e conhecem muito do negócio no qual trabalham. Foram educados, desde a infância, para se destacarem. Para eles, a competitividade é forte e esperam ser o melhor. Além disso, também aprendem a fazer marketing pessoal. “As estrelas fazem questão de mostrar resultados e sabem escolher os trabalhos que mais têm a ver com elas”, diz Stella Angerami, presidente da Angeramis Desenvolvimento Profissional, empresa de counselling, de São Paulo.
Mas todos têm algo em comum: sede de crescimento. “Eles têm gana de aprender e deixar um legado”, diz Mike Martins, diretor executivo da Sociedade Latino Americana de Coaching, de São Paulo. Nem todos, porém, conseguem fazer isso. Quem cresce rápido e chega ao estrelato muito jovem, situação comum nas empresas atualmente, precisa conciliar a exposição do cargo com a imaturidade.
“As empresas estão promovendo funcionários muito jovens e enchendo demais a bola deles”, diz Stella. O risco dessa prática é promover estrelas do mal.
São pessoas que têm uma gula enorme por méritos próprios, estimulam a competitividade ferrenha da equipe, desagregam o time, só enxergam o que elas mesmas querem ver e são muito duras com os resultados seus e dos outros. Segundo Regina Camargo, sócia-diretora da Across, consultoria de desenvolvimento humano, de São Paulo, “Os níveis pessoais de exigência são tão altos que dá a impressão de que nunca estão satisfeitas”.
Quando há outras estrelas na equipe, pior ainda. O resultado até é bom, mas cada um age individualmente, sem espírito de equipe. Com isso, a organização corre o risco de a estrela mais fraca acabar em outra constelação.
Tirando proveito da luz das estrelas
No dia a dia de um escritório, a atitude esnobe do chefe estrela pode afetar você. Nesse caso, o melhor é respirar fundo e tentar apreender apenas as coisas boas que o astro pode oferecer.
Identifique as técnicas que o astro domina.
Uma vez identificadas, pergunte detalhes de como ele faz, do por quê está fazendo desse jeito e não daquele. Os astros gostam do reconhecimento e costumam distribuir conselhos.
Ciúme e inveja só atrapalham
Não embarque na canoa furada da inveja e das críticas faladas às escondidas. Ao contrário, procure aprender. Em vez de se sentir subestimado por não ser considerado ainda um grande astro, procure compreender o que falta a você para chegar tão alto. Se é que você queira vir a ser considerado um estrela. Porque existe o ônus em ser rotulado como astro da equipe.
Autoconhecimento
Todo astro conhece muito bem a si próprio. Sabe seus pontos fortes e, principalmente, seus fracos. Muitas vezes, uma atitude de superioridade, que afeta os que estão próximos, procura esconder uma deficiência de empatia. Então, faça como eles: busque o seu próprio autoconhecimento. “Sem saber seus pontos fortes e fracos, uma pessoa pode até ascender, mas a queda será rápida e cruel”, diz Nélio, coach da NB Heart. Por isso, tome cuidado com o seu ego: defina o que é melhor para você e nunca se ache um astro maior do que é.
Criação de sucessores
Todo astro sabe que precisa preparar seu sucessor. Se assim não fizer, podem comprometer sua própria ascensão. Sua atitude profissional e responsável, somada ao seu potencial, estarão sendo percebidos e você pode vir a ser um dos funcionários escolhidos para substituir o astro no momento em que ele galgar outros postos.
Tenha seu próprio plano de carreira
Cole no astro da empresa em que você trabalha. Aprenda as melhores técnicas com ele. As estrelas sabem como criar um time eficiente e como fazer com que cada um contribua da melhor forma possível — e isso cria oportunidades. Motive-se. Não se preocupe se outros funcionários, por ciúme ou inveja, queiram interferir em seu próprio plano de carreira.
Aceite novas responsabilidades
Para ser um profissional estrelado, além de se dedicar ao conhecimento técnico, comece a aceitar novas responsabilidades e a buscar, espontaneamente, feedback de seus chefes e pares. “Esses são os primeiros passos. O mais importante é não ter medo de definir sua estratégia de carreira”, diz Adriana Prates, presidente da Dasein Executive Search, consultoria de Belo Horizonte.
A escolha de profissionais especialmente talentosos, seguros de seu valor e com comportamentos controversos pode ser um desafio para diversas corporações. Afinal, administrar talentos fora de série, motivá-los e enquadrá-los em trabalhos de equipe requer habilidade, cuidado e sensibilidade por parte dos gestores.
Trabalhar com um time de estrelas pode render uma oportunidade de aprendizagem a um custo pequeno, com potencial de um retorno significativo no futuro da carreira.
(*) Este post baseou-se em artigos de Elisa Tozzi (publicado pela Revista Exame) e Márcio Jardim (publicado no Canal RH).
