Carreiras mutantes [Cabe a Você estar preparado]

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por Ronaldo Lundgren.

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O título deste post vem de artigo de Thomaz Wood Junior, publicado na revista Carta Capital, de 16/11/2016.

A globalização é uma realidade. Embora haja o grupo que veja apenas os malefícios que ela causa, há outros que procuram identificar as suas implicações na economia, no trabalho, na educação e na imigração.

Tomaz Wood aborda o impacto da globalização no emprego. Mais especificamente, nas carreiras profissionais. Ele destaca que a globalização abalou “os pilares que sustentavam as carreiras profissionais.”

Antes da globalização, havia uma certa estabilidade. Profissionais podiam se desenvolver em apenas um campo de atividade. Muitas vezes, quase toda a vida profissional podia ser feita em uma única organização. Vários trabalhadores se davam por satisfeitos com essa estabilidade. Outros, no entanto, ela representava “condenação ao tédio e à mediocridade profissional.”

Carreiras mutantes

Nos anos 1990, os estudiosos Robert Defillippi e Michael Arthur cunharam o termo carreiras sem fronteiras: “trajetórias profissionais que, por opção ou necessidade, cruzam várias vezes as fronteiras de funções, cargos, empresas e países.”

É fato que um bom número de pessoas aproveitou as novas oportunidades. Assim, passaram a construir novas carreiras, bem-sucedidas, com bom retorno financeiro e de realização pessoal. Por outro lado, uma grande quantidade se viu lançada em uma situação de precarização do trabalho.

Os dois estudiosos definiram três competências necessárias para ter sucesso ou sobreviver no mundo das carreiras sem fronteiras:

  • Know-why – saber por que, para onde e como se movimentar profissionalmente;
  • Know-how – o domínio de conhecimentos, formais e informais, que apoiam o desempenho profissional; e
  • Know-whom – a capacidade de estabelecer relacionamentos e parcerias, visando identificar e aproveitar oportunidades de trabalho e de emprego.

Trajetórias esdrúxulas

É comum encontrarmos trajetórias profissionais extravagantes, mesmo esdrúxulas. Elas constituem o novo normal: “biólogo que se tornou pintor, a ex-cantora paisagista, o MBA hoje velejador, a antiga diretora de RH e atual dona de uma pousada.”

Mudar radicalmente o rumo profissional, abraçar o empreendedorismo ou manter ocupações paralelas tornou-se fato corriqueiro.

Interessante que tal fenômeno é identificado também nos dois extremos de uma trajetória profissional. No início, vemos universitários “obrigados a realizar difíceis escolhas profissionais sem ter a maturidade ou o grau necessário de informação, trocam frequentemente de cursos.” No final da carreira, aposentados enfrentam a realidade de se “reinventarem profissionalmente”.

E a educação formal?

As instituições de ensino parecem alienadas a esse fenômeno. Instituições públicas não percebem as necessidades do mercado de trabalho. Parecem, inclusive, não se importar. Por sua vez, as instituições particulares, querendo preencher as vagas existentes, “seguem modas e humores sem olhar para a frente.”

Cabe a cada indivíduo buscar seu próprio aperfeiçoamento. Ele está em um ambiente de muitas ameaças, mas também de oportunidades.

Como desenhar o futuro? Para responder a esta pergunta, Thomaz Wood apresenta as seguintes direções para uma educação superior alinhada com com os novos tempos:

  • maior amplitude e menos especialização;
  • mais aplicação e menos teorização;
  • mais realidade e menos idealização;
  • mais sustentabilidade e menos inovação;
  • mais crítica e menos conformismo;
  • mais razão e menos jargão;
  • mais aplicação e menos preleção;
  • mais civismo e menos mercantilismo;
  • mais humanismo e menos instrumentalismo;
  • maior flexibilidade e menor rigidez;
  • maior longevidade e menor concentração;
  • maior ambição e menor presunção;
  • mais substância e menos imagem; e
  • mais saber e menos faz de conta.

Considerações finais

Você enxerga esse impacto da globalização nas carreiras profissionais? Você já ampliou seus horizontes, fazendo coisas a mais do que a sua formação profissional indica? Qual sua opinião? Deixe seu comentário.

publicado
Categorizado como Coaching

Por Ronaldo Lundgren

Possui graduação pela Academia Militar das Agulhas Negras; é Mestre em Estudos Estratégicos pelo US Army War College; e Doutor em Ciências Militares pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército.

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