E quando o mau líder é… nós próprios?
Ser um bom chefe não é tarefa fácil.
Se há uma série de características que tornam um líder excelente, também são vários os aspectos que tornam uma chefia terrível.
Quem já trabalhou com um mau superior hierárquico tem a perfeita noção de que os trabalhadores em situação semelhante não são inspirados a dar o seu melhor.
Infelizmente, são muitos os líderes que nem sequer se apercebem de que só estão criando entraves à execução das tarefas por parte dos seus colaboradores. E, por causa desta falta de noção e de excesso de maus hábitos, não só prejudicam as suas equipes como colocam a organização em risco.
Mas, e quando o mau líder somos nós próprios? Como sabemos que estamos a ser ineficazes?
Podemos até pensar que a dinâmica e o protocolo no escritório estão funcionando muito bem. Porém, na realidade, há problemas que os funcionários não mencionam – e aspectos de que têm receio de falar.
Seguem-se alguns dos sinais de aviso mais comuns de que pode haver um problema.
1. Não confiar nos funcionários
Por vezes os chefes são maus porque pensam que são muito bons em executar algumas tarefas. Ou então “empurram” tudo para cima dos funcionários.
Tanto o comportamento “eu faço melhor” quanto aquele que “sobrecarrega o funcionário” podem ser frustrante, irresponsável e pode ser mau quando um chefe quer fazer tudo.
Os trabalhadores passam assim pela complicada situação de tentar fazer algo, enquanto o chefe está constantemente intervindo, quando não é sequer preciso (ou, pior, contribui com opiniões sobre algo de que não está a par ou bem informado).
Se lidera uma equipe e tem dificuldade em conter-se na microgestão dos seus membros, pode tentar abordagens como explicar de forma clara quais são as suas expetativas ou começar por contratar pessoas em quem sabe que pode confiar para fazer o trabalho pretendido.
Mesmo que tenha a melhor das intenções quando tenta ajudar, chega a um ponto em que deixa de ser útil.
Pode ser muito difícil para algumas pessoas deixar de controlar tudo, mas desde que tenha as pessoas certas na sua equipe, tudo corre de forma mais suave sem a sua constante interferência. Além de que, quando os funcionários sentem que confia neles, são muito mais propensos a apresentar novas ideias, a assumir riscos e a evoluir nos seus cargos.
2. Não respeitar os limites pessoais dos trabalhadores
Este hábito pode manifestar-se de várias maneiras. Como ligar para os colaboradores a qualquer hora do dia, todos os dias da semana, quando não é esperado que estejam disponíveis. Ou pedir-lhes para dedicarem muito tempo e energia ao seu trabalho, bem além do que é esperado e razoável.
Há formas de impulsionar os seus funcionários sem os fazer odiarem-no ou levá-los a trabalhar até à exaustão. Não faz bem a ninguém fazer os colaboradores trabalhar quando estão cansados ou doentes, física ou mentalmente.
E depois há aqueles chefes que forçam os limites mentais dos trabalhadores, deixando-os desconfortáveis, seja rebaixando-os, por exemplo, ou ao descarregar sobre eles os problemas da vida pessoal.
Os líderes abusivos são, por norma, narcisistas, arrogantes e insuportáveis para com os trabalhadores, o que, sejamos honestos, não é algo que se pode corrigir ao ler este artigo. Se um superior hierárquico considera que pode ser abusivo desta forma, precisa tentar resolver as questões subjacentes a este tipo de comportamento.
3. Falar para as pessoas e não com elas
A comunicação é um grande fator no que diz respeito às capacidades e características de um bom líder.
Quando um responsável não comunica de forma clara – via e-mail, cara-a-cara ou por mensagens de texto – pode criar confusão e um vai-e-vem desnecessário.
Isto faz os funcionários perderem tempo executando algo que não tinham necessidade de fazer, ou então algo importante não é feito de forma correta ou a tempo.
E depois há aqueles que “berram” ordens à equipe, o que faz com que as pessoas se sintam desconfortáveis em pedir esclarecimentos ou ajuda. Neste caso, mesmo que o trabalho seja feito, é difícil os funcionários terem qualquer tipo de crescimento.
Ao comunicar de forma agradável e aberta com a equipe o líder não só está tornando mais fácil que o trabalho seja feito e bem feito, como também está deixando o ambiente no escritório mais saudável e mais divertido para todos.
Não convém esquecer os benefícios associados a um ambiente de trabalho bem-disposto e social, como uma maior satisfação entre os funcionários, menor stress e menor rotatividade dos trabalhadores.
4. Não felicitar a equipe
O reconhecimento dos colaboradores é crítico, mas muitos líderes não conseguem ver os benefícios. Um “obrigado” autêntico ou o esforço para reconhecer o trabalho árduo de um funcionário num projeto pode criar mais confiança, aumentar o desempenho no futuro e melhorar as relações profissionais.
Ou seja, liderar requer uma ampla gama de competências. E até mesmo os melhores chefes podem aperfeiçoar algumas delas.
É que, quando há um problema, a maioria dos funcionários não se sente à vontade para o dizer ao superior hierárquico. Mesmo os líderes mais bem-intencionados podem estar criando um ambiente tóxico sem se aperceberem.
Ao prestar atenção a alguns destes sinais de aviso pode reconhecer erros e maus hábitos em que possa ter incorrido, e em seguida tomar medidas para os reverter.
Referência(s)
Este artigo foi publicado no Portal da Liderança.
