O artigo que vão começar a ler traz importantes reflexões sobre liderança organizacional. Devido a sua extensão, ele está sendo publicado em dois posts. Embora tenham uma sequência natural, podem ser lidos e trabalhados separadamente.
Reflexões sobre Liderança Organizacional – primeira parte.
de Maria Virginia Llatas e Walter José da Silva Jr.
O tema liderança organizacional tem merecido atenção de muitos profissionais em virtude da necessidade de se aplicar este aprendizado junto às práticas do cotidiano empresarial. Já foi percebida pelos gestores a real importância de se formar líderes em suas empresas e dessa maneira facilitar o alcance do sucesso nos negócios.
Para melhor compreensão dessa temática pode-se pensar sobre o papel do líder dentro da organização, verificando algumas formas de atuação para assim obter os frutos advindos do uso da liderança.
A razão de ser desta discussão se deve ao fato de que os colaboradores demonstram níveis mais elevados de comprometimento ao concordar com as idéias apresentadas pelo líder. Mas qual é a definição de líder? Qual é o seu papel? De que forma ele pode exercer a liderança?
Estas são algumas das questões que o artigo apresenta para reflexão, além de trazer elementos que proporcionem aos gestores fazer questionamentos na busca de novas formas de abordagem da liderança dentro das organizações.
A valorização do líder
Em primeiro lugar é importante definir a figura do líder, que pode ser entendida como alguém que possui seguidores. O verdadeiro líder tem a capacidade de criar estratégias, além de determinar o melhor caminho a trilhar. Ele conta também com acompanhamento de seus colaboradores, os quais concordam com a validade das idéias apresentadas.
Líder é, portanto, aquele que antecipa o futuro e é uma pessoa que os outros consideram como principal responsável pela realização dos objetivos do grupo.
Tendo em vista a velocidade dos acontecimentos e a complexidade dos fatores envolvidos nos trabalhos de qualquer empresa, a demanda por líderes capazes de melhorar o sistema torna-se cada vez mais necessária. Concentrar-se no líder também reduz as complexidades organizacionais a condições simples que as pessoas conseguem entender e comunicar.
De acordo com o cientista político americano Fred Greenstein (Veja, 2003:11), existem três tipos de líder.
- O primeiro tipo é dos líderes que marcam diferença por serem grandes estrategistas, objetivos e com visão de futuro. O legado deles é o método.
- O segundo tipo tem como característica o poder intelectual, de maneira a se envolver com questões teóricas no sentido de dissecar e diagnosticar os problemas. São líderes que deixam idéias originais, com marca própria.
- Já os do terceiro tipo são chamados de líderes inspiradores, pois são aqueles que entendem as demandas do povo, suas paixões, e conseguem associar-se emocionalmente às pessoas.
Ainda segundo Greenstein (Veja, 2003:11), “os maiores líderes da história têm força porque reúnem método, intelecto e a habilidade de tocar no sentimento dos seus liderados”.
Pirâmide
Ao imaginar a organização no formato de uma pirâmide, presume-se que todos os colaboradores trabalhem sob ordens de alguém que está acima deles na trajetória organizacional. Com isso, espera-se que gerentes sejam “responsáveis” pelo planejamento, organização e avaliação de tudo que acontece na empresa, enquanto os subordinados são “responsáveis pela execução de tarefas estabelecidas pela gerência”. Dessa forma os colaboradores têm a percepção de que fazem todo o trabalho.
No entanto, seria melhor virar essa pirâmide, de modo a colocar os administradores na base. Com essa inversão ocorreria um efeito sutil, porém transformador, o qual informaria a nova responsabilidade de cada um.
Na verdade, o gerente deve trabalhar para seus colaboradores, pois se ele vencer, todos os demais vencerão. E o líder pode mudar de estilo de acordo com colegas de trabalho ou com as situações diárias. Para isso, três habilidades são importantes: flexibilidade, diagnóstico e acerto.
Nem sabia que ele existia…
De acordo com Adair (1998:48), o filósofo chinês Lao-Tsé no século VI a.C. registrou o seguinte pensamento: “o melhor líder é aquele que as pessoas mal sabem que ele existe; não tão bom é aquele que as pessoas obedecem e aclamam; pior quando o desprezam. Deixe de honrar as pessoas e elas deixarão de honrar você. Mas de um bom líder, que pouco fala, quando a sua tarefa estiver terminada, sua meta atingida, todos dirão: isso fomos nós mesmos que fizemos.”
Observa-se nessa passagem a manifestação de aspectos fundamentais na atuação dos líderes modernos, como humildade e respeito, os quais contribuem para que o líder faça a diferença, sendo essa a verdadeira recompensa para a liderança.
Segundo Costin (2003:12), “o líder faz a diferença quando consegue ter visão, especialmente na situação brasileira, um contexto de baixa capacidade instalada de formulação de políticas públicas”.
Pode-se também colocar nesse novo caminho algumas “placas indicativas” que indiquem clareza das regras, transparência nas ações e demais valores que possam ser uma ponte que permita a integração entre as competências individuais e as competências da organização.
Há que se colocar também na bagagem um bom suprimento de flexibilidade, interesse genuíno em aprender, em colaborar e favorecer o crescimento do outro. O momento é de aprendizagem, de revisão de valores, de perceber que há novas formas de se atingir resultados.
Ser capaz de empolgar
É preciso transformar um negócio em missão e, mais uma vez, valoriza-se a postura do líder capaz de empolgar e contagiar pessoas para o alcance de objetivos significantes e dignificantes para todos, pois ele não está interessado no poder, mas nos resultados; ele será o centro, mas jamais será centralizador.
Dessa forma, se o líder quer ser como um “maestro” na condução de sua equipe torna-se relevante saber qual parte da orquestra que se pode renovar, sem deixar de lado os cuidados para se manter uma condição de sustentabilidade.
Em Management (2004:65-75), tem-se a entrevista com Jack Welch – ex-presidente da GE, o qual nos apresenta sua contribuição para esse assunto. Para ele, “se o líder dá voz e dignidade às pessoas, elas se envolvem no jogo e procuram vencer. Afinal, quem não quer vencer no mundo dos negócios deve dedicar-se a outra coisa – a pintura, música, literatura ou política”.
Para Crosby (1991:6), “um líder precisa ter paciência, não apenas porque esta é uma virtude, mas porque os outros podem não visualizar ou aceitar as coisas com a mesma rapidez que o líder. Um verdadeiro líder entende que é importante servir o prato da mudança em porções digeríveis. Embora seja frustrante e difícil estar adiantado em relação a seu próprio prazo enquanto todos estão ficando para trás, é necessário ter paciência, se é que você quer que os outros o alcancem”.
4 tipos de líderes
Segundo Manz e Sims (1989) há 4 tipos de líderes, cujos focos são:
- os que tem poder, posição, autoridade. Possuem visão geral dos relacionamentos nas organizações e permitem grandes conexões.
- os que tem sabedoria e sabem dirigir, são visionários e possuem muitos seguidores.
- os que tem seguidores, comandam os submissos e possuem a confiança emocional dos seguidores.
- os que possuem o comportamento típico de um líder: possuem direção e comando, assumem metas e objetivos, assumem posturas positivas, desenvolvem a própria liderança através de auto-análise e críticas construtivas, promovem suas equipes de trabalho e desenvolvem uma cultura baseada na confiança.
Estes últimos são efetivamente os agentes de mudança nas Organizações. Não importa quão instável possa estar o ambiente da empresa, estes líderes sabem conduzir o trabalho e garantirão a estabilidade necessária com relacionamentos equilibrados e estáveis entre chefia e subordinados.
Referências Bibliográficas
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