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Liderança organizacional [segunda parte]

O artigo que vão começar a ler traz importantes reflexões sobre liderança organizacional. Devido a sua extensão, ele está sendo publicado em dois posts. Embora tenham uma sequência natural, podem ser lidos e trabalhados separadamente.


REFLEXÕES SOBRE LIDERANÇA ORGANIZACIONAL – segunda parte.

de Maria Virginia Llatas e Walter José da Silva Jr.

Liderar para servir

Liderança Organizacional

A base da liderança eficaz é compreender a missão da organização, defini-la e estabelecê-la de forma clara e visível. E ela não se baseia em ser inteligente, mas principalmente em ser consistente.

Liderança é a capacidade de orientar, controlar, dirigir, analisar e influenciar pessoas em direção a um objetivo, um resultado. Ela pode ser compreendida como um caminho a ser trilhado e, portanto, não tem fim. Durante a trajetória, constrói-se a sabedoria de se relacionar com o outro, formando-se uma comunicação permanente e proporcionando a troca de idéias na busca de objetivos comuns.

De acordo com Wagner III (2000:354), “liderança dificilmente pode ser conseguida por meio de ensinamentos obtidos num curso, embora isso possa trazer alguma contribuição. As habilidades para liderar são desenvolvidas ao longo de muitos anos. Como passamos a maior parte do tempo no trabalho, a capacidade para liderar deve ser aprendida no próprio trabalho”. Com isso, percebe-se que o atributo mais importante da liderança seja o desejo de liderar, de querer ser líder. Habilidades e competências gerenciais podem ser desenvolvidas junto aos colaboradores, porém a paixão para liderar uma organização não.

Liderar x Administrar

Outra importante distinção refere-se à diferença entre liderar e administrar. Administrar significa assumir responsabilidade e fazer acontecer. É também saber lidar com a complexidade.

Já liderar é influenciar, guiar em direção e, principalmente, saber lidar com a mudança. Segundo Wagner III (2000:350), “uma liderança forte com uma administração fraca, na maioria dos casos, é pior do que o contrário. O real desafio é combinar uma liderança forte com uma administração forte e usar cada uma para equilibrar a outra”.

As empresas modernas estão interessadas na criatividade do profissional, em sua capacidade de interagir com os colegas de trabalho. Com isso, ganha relevo a liderança construtiva, de maneira que as relações humanas são utilizadas com o intuito de se obter melhorias na realização de tarefas realizadas em equipe.

São condições que o diploma não garante, embora as instituições de ensino sejam capazes de proporcionar trabalhos que visem ao desenvolvimento de habilidades interpessoais do aluno, para então prepará-lo para o mercado de trabalho.

Esse mesmo mercado busca profissionais que se atualizem sempre e que imprimam dinamismo dentro das organizações, o que exige garra e paixão associadas às habilidades técnicas. Cobra-se eficiência no “aqui e agora”.

Liderança e resultado

Em conformidade com Ulrich (2004:152), “se a liderança não produz resultados, então falta eficiência no que se faz”. É preciso que se estabeleçam os rumos, definindo-se o destino na empresa e também mobilizar o envolvimento individual. Pode-se com isso fortalecer as habilidades empresariais, contando-se com o empenho pessoal dos colaboradores dentro do processo.

Torna-se indispensável repensar valores e olhar mais para as metas do que para os problemas. E, por esse prisma, não se pode banalizar o mundo interno, quando se propõe inovação e transformação.

Segundo Meireles (2001:25), “ser gerador – gerente – significa abranger todas as dimensões do ser, aprimorar-se voltado para o outro, energizar os valores do cotidiano, reencontrar o que há de mais natural no homem: o amor, e recriar o que ele tem de mais específico: a razão”.

As empresas focam pessoas com facilidade de relacionamento, postura firme, convicções claras e que estejam aptas a enfrentar conflitos. Valorizam-se a visão global e a postura multifuncional. Os profissionais devem olhar a árvore contextualizada na floresta. Não basta ver a árvore, ainda que frondosa, é fundamental perceber a floresta.

Dessa forma, pode-se apresentar a liderança como sendo um processo social no qual se estabelecem relações de influência entre pessoas. E ao observar as práticas de liderança junto aos aspectos sociais, nota-se que se tal característica for trabalhada e desenvolvida, permitirá a exteriorização da mesma, trazendo resultados significativos para as organizações.

Liderança como competência

À luz da liderança como competência, líder e chefe são funções complementares, no sentido de que a chefia (gerência) é uma posição formal, nomeada, levando-se em conta ou não as preferências dos seus colaboradores.

Por força da posição, o chefe recebe autorizações, delegações e participa de outros níveis hierarquicamente superiores. Tais condições são fontes de poder, uma vez que proporcionam informações diferenciadas.

Em empresas com competências em liderança esta escolha leva em conta a capacidade potencial, que pode ser desenvolvida, e a real, comprovada no dia-a-dia. Assim, se o chefe dispõe de tais habilidades, terá chances de conduzir sua equipe, inclusive estimulando a competência de liderança de cada um dos seus colaboradores, num processo de revezamento constante.

Ter um olhar para além do agora

Além do horizonte do tempo há um mundo modificado, muito diferente do mundo de hoje. As pessoas que conseguirem ver para além desse horizonte e acreditarem que os sonhos podem tornar-se realidade terão mais oportunidades de influenciar o meio em que se encontram.

Elas poderão, dessa forma, abrir os olhos e elevar o espírito das pessoas de sua convivência. Além disso, poderão gerar confiança e assim fortalecer relacionamentos. Mas para se obter confiança é preciso respeitar os detalhes que sinalizam comprometimento.

Confiança pode ser entendida como sendo a medida da segurança de uma pessoa em si mesma, com a sensação de ser capaz de desempenhar bem um trabalho sem supervisão.

Prometer e não cumprir

Muitos dos problemas existentes nas empresas são decorrentes da falta de compromisso de algumas pessoas que fizeram promessas e depois não cumpriram. Com isso, recomenda-se que a liderança da empresa estimule a comunicação interna, pois só assim impede-se que pequenos mal entendidos sejam transformados em grandes problemas.

O líder também deve ver a liderança como uma responsabilidade e não como posição e privilégios. Um requisito importante para a eficácia do líder é então confiarem nele. De outro modo será difícil ter seguidores, pois confiança é a convicção de que o líder fala sério. É a crença na chamada “integridade”.

Além disso, o líder pode fixar as metas e as prioridades. Determinar e manter os padrões e também fazer concessões. Porém, antes de aceitar uma concessão, o líder eficaz ponderou aquilo que é certo e desejável.

A aplicação do processo de decisão a problemas reais traz limitações de ordem prática. A principal delas é a dificuldade de estimar as probabilidades de ocorrência dos acontecimentos possíveis.

Dessa forma, a análise dos cenários pode servir para treinar os tomadores de decisão a reconhecer sinais de mudança em ocasiões adequadas. Os cenários ajudam também o líder na introdução de mudanças graduais nos próprios modelos advindos da tomada de decisão.

As decisões servem como instrumento para os líderes no sentido de promoverem mudanças, adaptações ou contribuições para a melhor alocação dos recursos organizacionais.

Considerações Finais

A partir das informações expostas neste artigo, pode-se dizer que a liderança possui grande importância nas organizações, desde que bem compreendida e, principalmente, realçada nas práticas do cotidiano, sem colocá-la como um mito organizacional.

O claro entendimento dos conceitos apresentados proporcionará aos gestores obter maiores ganhos de produtividade na medida em que eles compartilhem conhecimentos com seus colaboradores na busca de novas formas de conduzir as atividades empresariais.

Além da solidificação da liderança dentro da empresa, tem-se a consciência de que é preciso praticá-la constantemente.

Dessa forma será possível discutir este tema na busca de novas formas de abordagem, sem se esquecer da complexidade associada ao assunto, o que facilitará na geração de outras possibilidades de gestão dos negócios.

Concluindo, os esforços para aperfeiçoamento da liderança organizacional resultarão em comprometimento por parte dos integrantes da companhia, o que significará mais eficiência e eficácia.

Eficiência porque se trata de um elemento que indica o potencial de uma pessoa; é o processo. Eficácia porque ocorre quando se atinge metas, objetivos e finalidades, ou seja, relaciona-se com os resultados. E estes serão os melhores benefícios para os líderes que se engajam no desenvolvimento de seus colaboradores.

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