A liderança servidora de Jesus em projetos e programas
Nosso blog tem o privilégio de publicar o post que aborda a liderança servidora de Jesus em projetos e programas. O conceito de liderança servidora, tão difundido em livros como o “Monge e o Executivo”, é de fato bem anterior, tendo sido praticado por ninguém menos que o próprio Cristo.
por Manoel Valentim.(*)
“Liderança” é um conceito compartilhado pela igreja e o mundo secular. No entanto, não devemos pressupor que ambos, cristãos e não-cristãos, compreende-o da mesma forma. E devemos adotar modelos do mundo secular de gestão, mas sujeita-los ao escrutínio crítico cristão primeiro.
Jesus entrou no mundo com um novo estilo de liderança. “Ele disse que a diferença entre o velho e o novo estilo é, conforme registrado no Evangelho segundo São Marcos:”
Para Ele, a diferença entre o velho e o novo estilo
“Mas Jesus, chamando-os a si, disse-lhes: Sabeis que os que julgam ser príncipes dos gentios, deles se assenhoreiam, e os seus grandes usam de autoridade sobre eles; Mas entre vós não será assim; antes, qualquer que entre vós quiser ser grande, será vosso serviçal; E qualquer que dentre vós quiser ser o primeiro, será servo de todos. Porque o Filho do homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos.” (Marcos 10: 42-45)
Portanto, entre os seguidores de Jesus, a liderança não é sinônimo de domínio. Nosso chamado é para servir, não para dominar; para ser servidores, e não senhores. Sim, é verdade que em algum grau cada líder tem a autoridade, pois a liderança de outra forma seria impossível. Jesus deu autoridade aos apóstolos e cristãos, tanto no ensino e na disciplina da igreja.
Mesmo pastores hoje, embora não sejam apóstolos consagrados pessoalmente por Cristo, devem “respeito” por sua posição “sobre” a congregação (veja 1 Tessalonicenses 5: 12), e até mesmo devem “obedecer” (Hebreus 13: 17).
No entanto, a ênfase de Jesus não estava na autoridade de um governante-líder, mas na humildade de um líder servo. A autoridade que dirige o líder cristão não é poder, mas amor, não pela força, mas pelo exemplo, não pela coerção, mas pela persuasão fundamentada em valores. Os líderes têm poder, mas o poder é seguro apenas nas mãos daqueles que mostram comprometimento e não apenas envolvimento.
O serviço do líder
Qual é o risco na ênfase de Jesus no serviço do líder?
Por um lado, sem dúvida, o principal risco ocupacional é o orgulho. O modelo dos fariseus não concordava com o legado que Jesus estava construindo. Os fariseus amavam tanto a títulos como “Pai”, “professor”, “Rabi,” que ofendiam a Deus com seu orgulho e presunção, que prejudicam a fraternidade cristã (Mateus 23: 1-12).
No entanto, o principal motivo que Jesus teve de enfatizar o papel de um líder servo, sem dúvida é o reconhecimento tácito do valor das pessoas que atende.
Ultimamente o mundo está tomando emprestado o modelo de “serviço” e liderança que são elogiados pelas razões erradas com que agem. Robert K. Greenleaf, por exemplo, um especialista na área de pesquisa e ensino de administração, em 1977 escreveu um extenso livro, “Servant Leadership” (Liderança servo), que colocou uma legenda intrigante:
“A jornada para a natureza do poder legítimo e a grandeza “. O “princípio moral” de Greenleaf é que “o grande líder é visto como servo em primeiro lugar.”
Na verdade este princípio é verdadeiro, mas os líderes devem primeiro mostrar o seu valor através do serviço. Mas o perigo que ele descreve como o princípio é que o serviço é apenas o meio para o final (em outras palavras, para se qualificar como um líder).
No entanto, este não é o princípio que Jesus ensinou. Para Cristo, o serviço foi um fim em si. T.W. Manson expressa a bela diferença quando escreveu: “No reino de Deus, o serviço não é uma forma de adquirir nobreza, a única classe de nobreza é o serviço”
Então, por que a afirmação de Jesus?
Nossa resposta deve incidir sobre o valor intrínseco dos seres humanos, segundo o qual seu ministério de amor altruísta é o elemento essencial da perspectiva cristã.
Se os seres humanos são feitos à imagem de Deus, então eles devem servir e não explorar, respeitar e não manipular. Como Oswald Sanders disse: “A verdadeira grandeza, não é a verdadeira liderança alcançada através da redução dos homens para servir, mas dando-se a eles em serviço altruísta“.
Aqui também está o perigo da liderança em projetos e programa. Liderança inevitavelmente envolve o desenvolvimento destes, mas as pessoas têm prioridade sobre os projetos. E não se deve “manipular” ou mesmo “gerenciar” puramente em razão destes. Não se pode manipular as pessoas como se fossem mercadorias.
Então, na verdade, os líderes cristãos devem servir, não aos seus próprios interesses, mas aos interesses dos outros. (Filipenses 2: 4).
Este princípio simples leva o líder do excessivo individualismo, egoísmo, extremo isolamento e “lord”, para servir aos outros, servir melhor ao grupo.
A equipe de liderança é mais saudável do que a liderança sozinho, por várias razões.
- Em primeiro lugar, os membros da equipe complementam uns aos outros, apoiam uns aos outros com seus talentos e compensam uns aos outros em suas fraquezas. Nenhum líder possui todos os dons, nenhum líder possui total controle da direção em suas mãos.
- Em segundo lugar, os membros da equipe encorajam uns aos outros, identificando os dons de cada um e motivando uns aos outros para desenvolve-los e usá-los. Como Max Warren disse: “A liderança cristã não tem nada a ver com a autoafirmação, mas tem a ver com incentivar as pessoas a afirmar-se”.
- Terceiro, os membros da equipe prestam contas uns aos outros. A partilha do trabalho significa compartilhar responsabilidades. Então, nós ouvimos uns aos outros e aprendemos uns com os outros. Tanto a família humana como a família cristã (igreja) são contextos de solidariedade no qual qualquer ilusão de grandeza incipiente se dissipa rapidamente. ” O caminho do insensato é reto aos seus próprios olhos, mas o que dá ouvidos ao conselho é sábio” (Provérbios 12:15).
Considerações finais
Ao longo desta ênfase cristã sobre o serviço, o discípulo procura seguir e reflete apenas a imagem do seu mestre.
Embora ele fosse o Senhor de todos, Jesus tornou-se o servo de todos. Com o avental da servidão, ajoelhou-se para lavar os pés dos apóstolos.
Agora, ele nos diz para fazer o que ele fez, para nos revestir de humildade e amor para servimos uns aos outros (João 13: 12-17; 1 Pedro 5: 5, Gálatas 5:13).
Nenhuma liderança é verdadeiramente cristã, se não for marcada pelo espírito de servir com humildade e alegria.
Referência(s)
(*) Cel R/1 Manoel Valentim. Oficial de Engenharia da reserva do Exército Brasileiro, professor, escritor, membro dos Gideões Internacionais e cristão da Igreja Batista de Araguari-MG.
Baseado no Livro Oportunidades y retos sociales, de John Stott, Editorial Vidal.
