Os EUA vão se isolar deixando espaço para a China?
A mudança de liderança
Do ponto de vista prático, não podia ser de outra forma, tal a dependência do modelo global de livre circulação que faz da China o maior exportador mundial.
Mas do ponto de vista conceitual e sobretudo estratégico, Jinping trouxe duas novidades: primeiro, aproveitou as angústias de muitos investidores e países com o modelo comercial mais restritivo proposto por Trump para ocupar o potencial espaço livre deixado por Washington; segundo, assumiu uma vocação universal para o status da China na ordem internacional em evolução, quando até aqui o foco da sua ascensão estava sobretudo centrado na Ásia.
Não existe vácuo de poder
Mais: ao defender claramente o Acordo de Paris sobre alterações climáticas, ao contrário de Trump, que já disse não o respeitar, Jinping fez simultaneamente o reconhecimento de que a gestão climática é um dilema político interno na China, como sublinhou o respeito pela assinatura de um acordo que vai passar a ser maldito em Washington, virando assim o mundo contra a administração americana. Foi uma forma hábil de disseminar o soft power chinês.
A retração dos Estados Unidos para o seu interior acelerará a ascensão da China como superpotência, cedendo áreas estratégicas cujo relativo vazio os chineses ocuparão. A retirada norte-americana da Parceria Transpacífico é um erro que a China também agradece, enquanto Trump, pela sensação de melhor preservar o seu mercado interno, perde condições preferenciais nas gigantes novas classes médias asiáticas em formação.
É só o começo…
Ainda não transcorreram os 100 primeiros dias do governo Trump. Pode ser que a situação retorne à normalidade geopolítica estabelecida. Pode ser que, ao contrário, o isolacionismo se acentue. E o Brasil? Como será afetado? É importante que nossos interesses nacionais estejam bem definidos e bem defendidos.
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