por Ronaldo Lundgren.
Aprender a falar faz parte da arte de bem viver. (José Roberto Whitaker Penteado).
Dentre as inúmeras faculdades de que é dotado o ser humano, comunicar-se com seus semelhantes talvez seja uma das mais importantes.
A palavra falada caracteriza a espécie humana. Deve ser considerada como um verdadeiro patrimônio do homem. A comunicação verbal dispõe de poderes para afetar não só o indivíduo, como a própria sociedade.
Mas, o que é comunicação verbal?
Entende-se que a comunicação verbal é parte dos estudos das comunicações humanas que, através da palavra falada, busca que determinado ponto de vista seja aceito por outras pessoas.
Comunicar não é construir e nem mesmo repetir frases bem elaboradas. É preciso, isto sim, saber dizê-las. Aí que está o segredo da comunicação.
O objetivo da comunicação é o seu alvo. Se o mesmo não for atingido, todo o esforço terá sido em vão. Tenha em mente que o alvo é quem vai dizer se sua comunicação foi eficaz. Não adianta você achar que tudo foi feito de forma perfeita. Se o alvo não compreendeu, aceitando sua mensagem, você falhou.
Planejando sua comunicação verbal
A elaboração prévia de planos para uma comunicação eficaz é de elevada importância. Dependendo da situação, você só dispõe daquela oportunidade para expor suas ideias. E precisa atingir o seu alvo.
Planejar é estabelecer um esquema. Esse esquema vai lhe permitir organizar suas ideias e pensamentos, evitando correr o risco de se perder enquanto faz sua explanação.
Uma comunicação verbal pode ser resumida da seguinte maneira: primeiro busque que a(s) pessoa(s) lhe aceite(m); depois, apresente os fatos que deseja expor; em seguida, defenda-os, lançando mão dos argumentos que estejam a sua disposição; finalmente, apele para que o seu ponto de vista seja aceito.
Transformando essa forma resumida em esquema, teremos:
- Introdução
- Exposição
- Confirmação
- Conclusão
Introdução
O objetivo fundamental é despertar a interrelação entre as partes. Ou seja, entre o orador e o ouvinte. Esta fase vai lhe dar condições de ser aceito pelo receptor. Para isso, procure criar um clima de simpatia e compreensão, bem como busque atrair a atenção do(s) ouvinte(s), sem a qual não alcançará êxito em seu objetivo.
Se nesses momentos iniciais o orador alcançou o seu propósito, conseguindo vender-se bem, terá praticamente ganho a partida. Vender-se bem é ganhar a simpatia, a benevolência e a confiança dos que recebem a comunicação.
Segundo Cícero, a introdução é a oração que prepara o ânimo do ouvinte para receber o restante do discurso.
Todas as atenções estarão voltadas para o orador. Sua postura, seus gestos, sua voz, sua dicção, suas roupas, seus cabelos, tudo enfim, estará na mira do ouvinte.
Ganha pontos quem se apresenta de maneira sóbria, assumindo atitudes simples, corteses e corretas, sem demonstrar qualquer afetação. Um olhar discreto e um sorriso natural, expontâneo e expressivo, são armas a serem usadas com inteligência.
Dê início a sua comunicação com entusiasmo, transmitindo convicção em suas palavras. Mantenha aparência de tranquilidade, ainda que nos primeiros momentos não a sinta, pois tal atitude infunde confiança. Seja autêntico. Empregue expressões próprias. Use naturalidade.
Exposição
Uma vez terminada a Introdução, está na hora de começar a expor o conteúdo principal que você deseja transmitir ao(s) ouvinte(s). Seja claro e objetivo. Não pode deixar nenhuma dúvida quanto ao ponto de vista apresentado. Entretanto, seja breve e mantenha-se seguro e preciso.
Não se estenda em divagações inúteis. Procure despertar a curiosidade do ouvinte, de modo a que ele mantenha a atenção em você. Considere esta fase como se fosse a moldura das ideias a serem desenvolvidas.
A Exposição prepara a audiência para a parte seguinte, que é a mais importante da sua comunicação.
Confirmação
Esta é a principal fase de sua comunicação. É nela que você vai defender suas ideias, apresentando a melhor argumentação para justificar ou confirmar seu ponto de vista.
Seus argumentos devem estar baseados em várias razões, sejam elas fatos ou teorias. Digamos que você tem 10 razões que sustentam sua argumentação. Por experiência, a audiência fica cansada e perde o interesse quando o comunicador utiliza mais de 4 razões para defender suas ideias. Portanto, escolha as melhores razões para utilizar.
Feita essa escolha, caberá agora distribuí-las de acordo com uma escala de valores, que poderá ser a seguinte:
Argumento:
- Forte;
- Menos forte;
- Fortíssimo.
Primeiramente, lance mão do argumento forte, de modo a impressionar. Em seguida, utilize o menos forte, que ficará fortalecido por ser usado entre o primeiro e o terceiro. Por fim, apresente o argumento que você considera fortíssimo ou decisivo.
Qual a razão para utilizar tal critério?
Se lançarmos, logo de saída, o nosso melhor trunfo, realmente iremos impressionar a audiência. Entretanto, é natural que o(s) ouvinte(s) esperem que algo mais importante venha a ser revelado. Ao usarmos o argumento fortíssimo, esgotamos nosso repertório, levando frustração à audiência.
Algumas vezes, os argumentos de que dispomos são apenas razoáveis. O que fazer nesses casos? Nessas circunstâncias, a ordem sugerida (forte – menos forte – fortíssimo) perde a razão. A melhor solução passa a ser reunir os argumentos e lançá-los de uma só vez. De modo a que eles se sustentem mutuamente, terminando por se fortalecerem.
Se o assunto a ser apresentado é controverso, procure destruir as provas contrárias. É a hora da refutação. Esta forma de contestar deve ser feita após o desenvolvimento da argumentação, que já consolidou o ponto de vista apresentado, facilitando a destruição dos argumentos contrários.
Conclusão
É o momento culminante da mensagem. Você deve perceber que o seu objetivo foi atingido.
O apelo é a mais comum das formas empregadas para se chegar à conclusão. Antes porém, faça uma recapitulação dos argumentos apresentados e, se possível, em uma única expressão.
Uma outra maneira de concluir sua apresentação é através de uma frase de entusiasmo chamada exaltação. Esta forma de fechar um discurso destina-se, especialmente, a comunicações festivas ou de reuniões sociais afetivas.
Cabe destacar que, na parte final do discurso, quando o orador entrar na fase da conclusão, não pode mais argumentar. Se o fizer, quebrará a harmonia da comunicação, enfraquecendo-a.
Você conhece outra técnica para fazer sua comunicação verbal? Convido-o a compartilhar sua capacidade.
Este post baseou-se no livro Oratória e Comunicação Humana, de Durval Moraes Carvalho.
