O líder deve ter compaixão

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por Ronaldo Lundgren.

O líder deve ter compaixão

A palavra compaixão tem origem latina. Ter compaixão é a virtude de compartilhar o sofrimento do outro. Não significa aprovar suas razões, sejam elas boas ou más. Ter compaixão é não ter indiferença frente ao sentimento do outro.

Talvez pareça estranho estar escrevendo sobre compaixão em um blog que trata de liderança. Compaixão é uma atitude mais associada com religião e causas sociais.

O foco deste post é liderança

Entendo que o líder deve ter compaixão nas suas relações de trabalho.

Imagine a seguinte situação que tive a oportunidade de presenciar. A organização onde trabalhava iria receber a visita oficial de uma importante autoridade da África do Sul.

Embora a maioria dos presentes tivesse uma boa noção do inglês, precisávamos de uma intérprete que fizesse a tradução do inglês para o português, porque naquele tipo de reunião o anfitrião costuma se pronunciar em seu próprio idioma.

A tradutora estava nervosa. Talvez, devido ao nível das autoridades participantes no evento. O fato é que ela começou a errar.

Nós percebemos que as falas do sul-africano não estavam sendo traduzidas corretamente. Isto não era tão significativo, pois estávamos entendendo o que a autoridade falava. Mas o contrário, do português para o inglês, quando nós é que falávamos, não podia deixar dúvidas.

líder deve ter compaixão
Intérprete

A situação estava deixando nossa comitiva incomodada. Tínhamos que repetir nossa fala para que a intérprete traduzisse outra vez. Isso fazia ela ficar ainda mais nervosa. Era um círculo vicioso.

Então, aconteceu aquilo que tinha que acontecer. A autoridade brasileira interrompeu sua fala e passou a orientar a intérprete, dizendo-lhe algo, mais ou menos assim: “você sabe. Tenha confiança. Vou falar mais pausadamente“.

Aos poucos, a intérprete se acalmou e fez o trabalho como desejávamos que fosse feito.

Aquilo foi compaixão. Não foi ter pena.

Compaixão e piedade

Bem diferente da piedade, que é somente um sentir pena de alguém, a compaixão resulta em uma ação.

“Imagine alguém dentro de um buraco. Quando você sente pena dessa pessoa, você a abraça e a conforta. Quando sente compaixão, mais do que confortar, você quer ajudá-la a sair do buraco, e vai atrás de uma solução, como procurar por uma escada ou mais pessoas para ampará-la a sair de lá”, exemplifica Heloísa Capelas, especialista em desenvolvimento humano e diretora do Centro Hoffman, em São Paulo.

Como responder com uma atitude de compaixão no trabalho

1. Dê um tempo.

Quando um colaborador  comete uma falta, que pode comprometer sua organização, a tendência é que o líder seja afetado.

Por isso, dê um tempo. Procure controlar seus sentimentos de raiva, frustração, impaciência ou qualquer outro.

Se o líder reage por impulso, tão logo tome conhecimento da falha do funcionário, ele pode agravar ainda mais o problema.

Pode “perder” aquele funcionário, criando uma barreira difícil de transpor em situações futuras. A prática de meditação pode ajudá-lo a controlar seus impulsos. (conheça como os 7 simples mas poderosos hábitos que farão você ter mais sucesso)

2. Coloque-se no lugar do funcionário.

Ao dar um tempo, procurando reconhecer seus próprios sentimentos em relação ao que está se passando, o líder também cria as condições para exercer a empatia com o funcionário.

“O olhar da compaixão é aquele que nos faz colocar no lugar do outro e fazer por ele o que gostaríamos que ele fizesse por nós, e não fazer ao outro o que não gostaríamos que ele fizesse a nós”, explica Karen Armstrong.

3. Desculpar.

Desculpar a falha não apenas fortalece a relação do líder com aquele funcionário, mas com todos que tiverem conhecimento do fato.

Desculpar promove um sentimento de lealdade entre o líder e o funcionário. A sensação de desculpar permite caminhar para frente, de modo a que, juntos, possam ultrapassar outros obstáculos.

Tornando um hábito

Procure despertar a compaixão no seu dia-a-dia. Só lhe fará bem. Assim como aos que o cercam.

Em 2010, Karen Armstrong, escritora inglesa e consultora de religião comparada, ganhou o prêmio TED Prize.

A organização sem fins lucrativos, que divulga conferências pela internet, premia anualmente um palestrante para estimular o seu projeto a crescer.

No caso de Karen, um tratado da compaixão para ser instaurado no mundo todo, das escolas aos espaços políticos.

“Compaixão une todas as tradições espirituais e, por isso, é urgente na economia capitalista, que é competitiva e individualista.”

Centenas de países assinaram o tratado e a compaixão vem sendo aplicada em diversas áreas, como inovação, empreendedorismo social e sustentabilidade.

“No ano passado, por exemplo, o Iraque e a Jordânia criaram uma competição pela internet em que os integrantes eram convidados a postar uma ação compassiva todos os dias durante um mês. Cerca de 40 mil pessoas participaram”, orgulha-se Karen.

O Google também assinou o tratado. A forma que a empresa multinacional de serviços online encontrou para aplicar a compaixão no dia a dia da companhia foi adaptar num curso as lições do livro de Karen, “12 Passos para uma Vida de Compaixão”.

Hora de agir

Você sabia que outras pessoas aguardam sua indicação. Por isto, não deixe de curtir e compartilhar. Obrigado.

Autor: Ronaldo Lundgren

Possui graduação pela Academia Militar das Agulhas Negras; é Mestre em Estudos Estratégicos pelo US Army War College; e Doutor em Ciências Militares pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército.

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