O hábito da atenção

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por Ronaldo Lundgren.

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Procrastinate – Procrastinar – Adiar. A palavra em inglês foi colocada de propósito. Em uma pesquisa no Google, mais de 15,3 milhões de referências. Boa parte delas voltadas para ensinar a corrigir uma atitude de muitas pessoas que “estão evitando realizar uma tarefa que precisa ser feita“.

A imensa quantidade de informações, disponibilizadas quase instantaneamente pelos meios de TI, tem levado as pessoas a procrastinarem (adiarem) as tarefas mais urgentes e prioritárias no trabalho, em casa, na escola.

Tal fenômeno vem servindo de tema para uma série de artigos que visam sugerir mecanismos para que se mantenha o foco.

O hábito da atenção

“Aplicação cuidadosa da mente a alguma coisa”. Esta é a definição de atenção. Quando temos muitas coisas chegando à mente, várias diferentes, portanto interessantes, fica fácil desviar o pensamento.

Se a matéria das operações mentais é o pensamento, o elemento que nos permite conduzir com este pensamento é a atenção. É graças a atenção que chegamos a modelar nitidamente o pensamento, a dar-lhe a forma e o relevo que são necessários a nossa ação.

A atenção é uma faculdade essencial, que nunca é educada convenientemente. Podemos afirmar que não se sabe prestar atenção. Desta insuficiência de atenção, provém uma memória defeituosa, que registra fracamente o que lhe está confiado.

Somos seres essencialmente distraídos. Caminhamos muitas vezes ao acaso, sem sermos capazes de nos determos para contemplar, ver em minúcias o que merece ser olhado.

É comum passarmos por pessoas dormindo em calçadas. Sujas, com fome, que apenas despertam nossa atenção no aspecto da segurança. Ela é uma ameaça? Obtendo uma resposta negativa, normalmente, voltamos para o nosso interior. Rejeitamos sem as ver.

Se olhássemos um pouco atentamente, poderia despertar, em nossos pensamentos, a idade, sexo, condições de saúde, comida. Aspectos que nos levariam a pensar em problemas complexos, como a injustiça social, o papel do indivíduo, a falta do poder público.

Tudo isso nos escapa.

Contentamo-nos com alguns dados vagos, quando poderíamos possuir muito mais precisos. Todas as noções estão diante dos nossos olhos, mas não as observamos. Deixamos que elas passem despercebidas. Não as olhamos. Não são úteis para nós naquele momento.

Cérebro sobrecarregado

É fato que não devemos sobrecarregar nossos pensamentos com tudo o que está a nossa volta. Estaríamos colocando um fardo desnecessário em nosso cérebro.

A quantidade de informações que recebemos diariamente das mais diversas formas é enorme. Esse excesso propicia o desenvolvimento de novas doenças e condições mentais que estão diretamente relacionados com o nosso atual estilo de vida.

A Liga Acadêmica de Saúde Mental da Universidade Federal de Uberlândia descreve bem essa situação.

“Imagine você, diante da tela do computador, lendo esse texto. É bem provável que o navegador tenha várias abas abertas: Facebook, Twitter, YouTube, algum outro portal de notícias… e juntamente com isso tudo o seu celular vibrando com algumas mensagens. Inúmeros grupos do Whatsapp não deixam você em paz. Além disso, outras preocupações em sua mente: planos para o final de semana, o trabalho para entregar até a próxima sexta e tantas outras coisas que levam à criação de um série de pensamentos que se relacionam e que exigem grande dedicação das funções cerebrais”.

Esse bombardeio torna difícil concentrar-se em um único foco.

Como adquirir o hábito da atenção

A Oficina de Psicologia propõe o seguinte para se adquirir o hábito da atenção.

Concentrar a atenção em todas as atividades diárias, e não somente durante períodos de meditação formal.

No sentido de promover o desenvolvimento da sua atenção, coloque em prática os dois exercícios abaixo indicados.

  1. Reserve alguns minutos, várias vezes ao dia, para perguntar apenas: “O que é que está acontecendo?” À medida que a observação se for tornando mais fácil, faça a si próprio esta pergunta mais frequentemente. Com o passar do tempo, uma articulação ativa entre o corpo, a mente e a conscientização manifestar-se-á em todas as suas atividades. A observação acabará por se tornar fácil, livre de julgamentos, assemelhando-se a um toque suave, que não perturba o fluxo natural da mente.

  2. Escolha uma palavra que use frequentemente todos os dias – uma palavra como “sim” ou “olá” – e, durante um ou dois dias, substitua por uma palavra alternativa. Observe atentamente as suas reações. Fica frustrado e desiste? Fica tenso quando se distrai e usa a palavra habitual? O lapso evoca pensamentos como: “Sou um fracasso; nunca chegarei a lado nenhum”?

Conclusão

Uma auto-observação descontraída mas persistente, auxiliada por exercícios deste gênero, pode ensinar-nos muito. Pode começar por tentar entender como é que a mente e o corpo se relacionam. Quando se opera uma mudança num, o outro é afetado.

Os pensamentos específicos podem estar associados a sentimentos e sensações corporais particulares. Também poderá reconhecer as circunstâncias que despertam emoções e que o levam a comportar-se de uma determinada forma.

Procure se desenvolver. O verbo SER do líder ficará mais fortalecido.


A Liga Acadêmica de Saúde Mental da Universidade Federal de Uberlândia (LISAM-UFU) é dedicada a estudar os diversos transtornos e diferentes assuntos da área da Saúde Mental (tão importante e influente na saúde humana) e trazer ao público eventos e atividades que permitam maior conhecimento sobre esse tema.

Autor: Ronaldo Lundgren

Possui graduação pela Academia Militar das Agulhas Negras; é Mestre em Estudos Estratégicos pelo US Army War College; e Doutor em Ciências Militares pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército.

4 comentários em “O hábito da atenção”

  1. Achei muito interessante este artigo.
    A atenção é vital para nós e aprendermos algumas técnicas para reforçá-las e bem- vindo. Ví uma reportagem recentemente de um cientista japonês a esse respeito e achei super interessante , e este artigo consolidou e se encaixou direitinho ao conteúdo apreendido.
    Um abraço, Ronaldo.

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