Estilos e modalidades de liderança em ambientes corporativos

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por Luciano Mendes Nolasco, Tiago de Azevedo e Jonathan Ramos Cruz.

estilos e modalidades de liderança em ambientes corporativos

Efeitos dos estilos e modalidades de liderança em ambientes corporativos

A liderança sempre esteve presente na História da humanidade desde os primórdios. Grandes líderes deixaram marcas positivas ou negativas no mundo por meio de sua atuação à frente de grupos e sociedades, promovendo o desenvolvimento humano, a justiça, a paz e a esperança ou, por outro lado, fomentando a discórdia e a destruição.

No ambiente empresarial, a formulação da Teoria das Relações Humanas, como uma resposta às demandas de recuperação econômica decorrentes da Grande Depressão de 1929, ensejou a mudança do foco clássico e mecanicista do homo economicus para o homo social.

Essa nova vertente de estudos apontou a liderança como um dos principais catalisadores das potencialidades do elemento humano e responsável principal pelo clima organizacional, requisitos essenciais para a produtividade.

Teorias de liderança

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Liderança

Nesse sentido, diversas teorias sucederam-se, objetivando melhor compreender o fenômeno em sua natureza estrutural, ora com foco no líder (traços), neste e nos liderados (comportamentais) e, finalmente, considerando ambos e a situação (contingenciais).

Atualmente, sobressai-se a percepção de que a liderança seja resultante de interações, mediadas pela comunicação e condicionadas pelo ambiente, entre líderes e liderados, sempre em direção à conquista de objetivos comuns. Pode-se entender que é um exercício de liderança em processo.

… liderar significa conquistar as pessoas, envolvê-las para trabalhar entusiasticamente a serviço de um objetivo, fazendo com que se empenhem ao máximo nesta missão

Nos tempos instáveis e de grandes mudanças em que vivemos, as empresas passaram a priorizar o tema, não somente visando ao bem-estar dos colaboradores, mas pelo que isto pode trazer em termos de resultados para o negócio. Para Hunter (2006), liderar significa conquistar as pessoas, envolvê-las para trabalhar entusiasticamente a serviço de um objetivo, fazendo com que se empenhem ao máximo nesta missão.

Este texto objetiva integrar a análise dos efeitos dos estilos e modalidades de liderança em ambientes corporativos. Para tal, em um primeiro momento, discutirá os estilos de liderança, correlacionando-os com aspectos de hierarquia, papéis sociais e processo decisório.

A relevância da abordagem reside na possibilidade de demonstrar-se o valor do líder como ativo essencial ao bom desempenho das empresas em um ambiente de forte competitividade e de demandas conflitantes, a partir da plena realização do potencial do mais importante recurso – o humano.

ESTILOS DE LIDERANÇA

Em 1939, os psicólogos Ralph White e Ronald Lippitt publicaram o artigo “Patterns of aggressive behavior in experimentally created social climates”. Após extensa pesquisa, os psicólogos destacaram três estilos de liderança:

  • autoritária (ou autocrática);
  • democrática; e
  • liberal (laissez-faire).

a. Líder autocrático

Mais conhecido como “chefe”. Condutor que define quais e como devem ser conduzidas as ações. Este acredita ser a sua opinião sempre a mais correta e a de seus subordinados, pouco relevantes. Evidencia foco nas tarefas e não nas relações humanas. Baseia seu poder geralmente na posição (cargo) que ocupa.

Tem postura essencialmente diretiva, não deixando espaço para criatividade dos liderados. Por ocasião dos feedbacks, dirige-se diretamente aos colaboradores, nominando publicamente os eventuais autores de faltas cometidas e/ou de atos dignos de elogios.

O grupo tende a apresentar ausência de espontaneidade e de iniciativa, assim como inexistência de laços afetivos. O trabalho só se desenvolve na presença do líder, visto que, quando este se ausenta, o grupo produz pouco e tende a indisciplinar-se.

São características do autocrata:
– decisões sem consultar o grupo;
– determina as tarefas de cada um;
– a produtividade é elevada;
– a realização das tarefas não é acompanhada de satisfação dos subordinados, baixa motivação; e
  • não há lugar para a criatividade e expressão individual.

b. Líder democrático

Assiste e instiga o debate entre os colaboradores. O grupo esboça as providências e técnicas para atingir os objetivos e todos participam nas decisões. Cada membro do grupo opina sobre com quem trabalhará e sobre a divisão das tarefas. Procura ser um membro igual aos outros elementos do grupo, não se encarregando muito de tarefas.

É objetivo e, quando critica, limita-se aos fatos. Promove o bom relacionamento e a amizade entre o grupo, tendo como consequência um ritmo de trabalho suave, seguro e de qualidade, mesmo na sua ausência.

São suas características:

– incentiva a contribuição de todos da equipe no processo de decisão;

– ajuda a desenvolver a capacidade de toda a equipe.

O comportamento deste líder é de orientação e de apoio. É o estilo que produz maior qualidade de trabalho (FACHADA, 2003). Os membros da equipe sentem que controlam o próprio destino. Apresentam boa produtividade e a equipe é motivada.

c. Líder liberal (LAISSEZ-FAIRE)

Não se impõe e não é respeitado. Os liderados têm total liberdade para tomar decisões, quase sem consulta ao líder. Há participações mínimas e limitadas por parte do líder.

O grupo decide sobre a divisão das tarefas e sobre quem trabalha com quem. Os elementos do grupo tendem a pensar que podem agir livremente, tendo também desejo de abandonar o grupo. O líder não regula, não estabelece prazos e metas, nem avalia o grupo. Faz alguns comentários irregulares sobre as atividades apenas quando questionado.

A produção não é satisfatória, visto que se perde muito tempo com discussões e questões pessoais. Este é frequentemente considerado o pior estilo de liderança. Normalmente, é menos nociva em equipes onde os indivíduos têm muita experiência e espírito de iniciativa.

São características do grupo liderado de forma liberal:

– subordinados tomam as suas próprias decisões;
– membros do grupo muito experientes;
– liderados motivados e com iniciativa; e

– liderança arriscada, nem sempre eficaz.

Hierarquia e Papéis Sociais x Liderança

a. Hierarquia

Segundo Morgan (1996), hierarquia é “a autoridade do superior sobre o subordinado que caminha do topo para a base da organização; essa cadeia que é resultante do princípio de comando deve ser usada como canal de comunicação e de tomada de decisão”.

A estrutura hierárquica nas organizações advém da remota influência da Igreja Católica (MOONEY, 1947) e das organizações militares (MORGAN, 1996). Ganhou mais peso com a Teoria Clássica da Administração, segundo a qual a hierarquia seria a base da organização formal, condicionando seu funcionamento.

A estrutura hierárquica excessivamente verticalizada e formal foi perdendo espaço na medida em que o ambiente foi perdendo estabilidade e previsibilidade. Com a evolução da Teoria das Relações Humanas, novas configurações mais horizontalizadas foram surgindo, refletindo mais a dimensão humana em detrimento da visão mecânica anterior, valorizando mais o líder em contraste ao chefe funcional.

b. Papéis sociais

Oliveira (1998) escreveu que se trata do comportamento que o grupo social espera de qualquer pessoa que ocupe determinado status social. Seria o aspecto dinâmico do status. Assim, o papel social define o conjunto de normas, direitos, deveres e explicativas que condicionam o comportamento dos indivíduos junto a um grupo ou dentro de uma organização. Cada indivíduo ocupa uma posição nos diferentes grupos sociais a que pertence, ou seja, na hierarquia social.

Estas formas de papéis hierarquizados encontraram na divisão social uma forma de organização do trabalho.

c. Correlação com Estilos de Liderança.

Autocrática – Hierarquia organizacional muito verticalizada predominante. Comunicação unidirecional formal por rígidos canais. Papéis sociais rígidos.

Democrática – Hierarquia com menos níveis. Liberdade de expressão multidirecional dos liderados. Competências e situações específicas podem alterar o papel social dos integrantes do grupo.

Liberal – Organização de hierarquia horizontal (plana). Autonomia de atuação de todos. Papéis sociais pouco claros.

Processo Decisório x Liderança

a. Processo decisório

KAZMIER (1975) afirma que a habilidade em tomar decisões é a chave para o planejamento bem sucedido em todos os níveis da gestão. Mais que uma simples seleção de planos de ação, a tomada de decisão é um processo que assume pelo menos três fases: diagnóstico, formulação de alternativas e análises/comparações à luz de critérios.

Em relação à tomada de decisão, podemos considerar que o ser humano emprega cinco atitudes básicas:

Instintos – ação precede o pensamento, falta de controle;
Crenças Subconscientes – ação precede o pensamento, carga emocional;
Crenças Conscientes – controle das ações, consciente, decisões racionais baseadas em critérios pré-estabelecidos.
Valores – ação consciente onde os valores guiam as decisões; e

Intuição – ação consciente através da intuição.

A instabilidade que caracteriza o ambiente de negócios, associada à multiplicidade de atores envolvidos e à interdependência imposta pela globalização, ampliaram exponencialmente as dificuldades para a condução do processo decisório, ao passo que reduziram os prazos disponíveis para os gestores. Normalmente, decisões têm que ser tomadas sem a posse de todos os conhecimentos que seriam importantes – “gap de informação”.

A fim de minimizar a vulnerabilidade representada pelo “gap”, cabe ao decisor servir-se de um adequado sistema de monitoramento ambiental, além de uma assessoria multidisciplinar que o auxilie a atentar para os mais diversos ângulos de cada problema, que confira a maior consistência possível ao processo decisório e incremente a sua possibilidade de acerto. Em termos gerais, o decisor deve pautar-se pelas atitudes da crença consciente combinada com a de valores. A intuição representaria o diferencial entre soluções igualmente satisfatórias.

b. Correlação com Estilos de Liderança

Autocrática – Decisões sem consultar o grupo. (MENOR QUALIDADE)

Democrática – Incentiva a contribuição de todos os envolvidos no processo de decisão. (MAIOR QUALIDADE)

Liberal – Subordinados tomam as suas próprias decisões. (FALTA UNIDADE DE ESFORÇO)

Considerações finais

Os efeitos dos estilos e modalidades de liderança em ambientes corporativos causam um impacto significativo no clima organizacional. Cabe ao líder ter esta consciência. Seu estilo pode alavancar a produtividade da empresa de forma muito positiva.

Hora de agir!

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Autor: Ronaldo Lundgren

Possui graduação pela Academia Militar das Agulhas Negras; é Mestre em Estudos Estratégicos pelo US Army War College; e Doutor em Ciências Militares pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército.

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