Sexto sentido empreendedor: como a intuição impulsiona a tomada de decisão

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Sexto sentido empreendedor: como a intuição impulsiona a tomada de decisão

intuição impulsiona a tomada de decisão

Este texto foi publicado em Medium Corporation.

por Aytekin Tank. (*)

Adam Werbach era o menino de ouro do Sierra Club.

Ele cresceu em Los Angeles. Aos 7 anos de idade preferia acompanhar os noticiários sobre poluição atmosférica antes de suas práticas de T-ball. Um hábito matinal alimentado por um enorme amor pelo meio ambiente e uma visão para um futuro mais verde.

Aos vinte e três anos, Werbach tornou-se o presidente mais jovem da história do Sierra Club – uma das principais organizações ambientais dos Estados Unidos que promove soluções climáticas e conservação.

Ele começou com disposição e, imediatamente, passou a aproveitar sua energia, inteligência e talvez um pouco de intuição para mudar drasticamente o funcionamento do clube.

O jovem ativista foi admirado por toda a parte. Acumulou muitos seguidores … até que ele tomou uma decisão de negócios que ninguém esperava.

Uma mudança que deu trabalho

Adam Werbach decidiu aceitar um emprego de consultoria no Walmart … a organização que muitos conservacionistas acreditam encarna tudo contra o qual o Sierra Club se opõe.

De repente, Werbach saiu da situação de fazer 200 discursos por ano pelo país, em frente a uma audiência entusiasmada, para não poder falar em público sem um aparato segurança privada.

Em entrevista à Revista Fast Company, Werbach compartilhou:

“Eu participei de um evento e alguém veio até mim e disse: ‘Eu não me sentiria seguro se fosse você. As pessoas estão revoltadas'”.

No entanto, as ameaças de morte foram apenas uma parte dos golpes que Werbach enfrentou em sua decisão de ir do verde ao azul.

Seus amigos e colegas alegaram que ele mudou de ideia e até hoje, alguns se recusam a falar com ele.

Dois ativistas chegaram a escrever uma carta aberta sobre o ex-presidente do Sierra Club, The Death of Integrity: Ao trabalhar com o Wal-Mart, o ativista Adam Werbach está abandonando seus princípios.

Para Werbach, provavelmente, não foi a melhor coisa a ler pela manhã.

O resultado compensou

No entanto, avançando em mais de uma década de reações adversas, Werbach está começando a ver que sua controversa decisão de ingressar no Walmart foi o correto.

Desde que assumiu o cargo de consultoria no Walmart, Werbach ajudou 40% dos funcionários da empresa a adotarem práticas sustentáveis.

Ele tem sido fundamental não apenas para diminuir o impacto do Walmart no meio ambiente, mas também para melhorar a qualidade de vida de seus funcionários – um dos movimentos de Werbach ajudou 12 mil funcionários do Walmart a deixar de fumar.

Além de muitas iniciativas de sustentabilidade do Walmart, Werbach está agora trabalhando com grandes marcas como Proctor & Gamble, General Mills e Sony BMG para fazer o mesmo.

Ele argumenta que sua decisão de deixar o Sierra Club e se juntar ao Walmart deu a ele uma plataforma muito maior para difundir a conscientização sobre sustentabilidade e conservação ambiental.

Quando a sua intuição pode tornar o mundo um lugar melhor

Atletas chamam de instinto. Hipsters conhecem como vibrações. Os cientistas afirmam que é intuição. Você e eu provavelmente nos referimos a isso como um pressentimento. E, o mais espiritual entre nós poderia pensar nisso como um sexto sentido.

Independentemente de como você chame, a maioria de nós experimentou um “sentimento” que não podemos descrever – seja sobre uma pessoa, um evento ou, no caso de Werbach, uma grande decisão de negócios.

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Nos negócios, muitas vezes somos ensinados que cada decisão deve ser orientada por dados. Mas acontece que algumas das principais mentes do mundo confiam tanto em sentimentos quanto em fatos concretos …

De Henry Ford e Bill Allen da Boeing, a Travis Kalanick, do Uber, esse pensamento contraditório e radical levou muitas pessoas corajosas a obterem grandes sucessos.

O mesmo vale para grandes sonhadores como Walt Disney, Elon Musk e Steve Jobs. É aparente que visão e determinação não têm sido a única coisa ao lado deles. Um sentimento mais profundo parece também existir …  Intuição ou algo que se “descobre” instintivamente e não através de raciocínio consciente.

Steve Jobs era um defensor sincero da intuição. Famoso por dizer que sua regra de negócio número um era confiar em seu coração e em seu instinto.

Mas o que exatamente é esse sentimento? Realmente tem alguma validade?

Você poderia usar a intuição?

Sonia Choquette é autora e coach globalmente famosa. Ela trabalha com executivos para aproveitar sua intuição, a fim de tomar melhores decisões de negócios.

Ela argumenta que, usando apenas o intelecto e evitando sua capacidade inata, você está se mantendo longe dos insights mais valiosos.

No entanto, até mesmo Choquette adverte que a intuição não deve ser seguida cegamente. É muito mais eficaz um indivíduo se valer da visão e da experiência que possui no setor para tomar uma decisão.

É aí que entra a ciência.

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No “Journal of Organizational Behavior e Human Decision Processes“, um estudo foi publicado por pesquisadores do Boston College, Rice University e George Mason University, que descobriram:

A intuição é eficaz quando se toma uma decisão em uma área onde o tomador de decisão tem um conhecimento profundo.

Micahel Pratt, especialista em psicologia organizacional e pesquisador do estudo acima, tinha algo fascinante a compartilhar sobre o tema da intuição:

“A intuição é como a nitroglicerina – ela é melhor usada apenas em certas circunstâncias”.

Como Choquette, Pratt também adverte que é preciso ter cuidado ao usar seu instinto em uma indústria com a qual não estão totalmente familiarizados.

Vida real

Para usar alguns exemplos da vida real. Se você é um Diretor de Marketing que trabalhou em bens de consumo durante toda a sua vida. Aí, aparece jovem empreendedor que pede para que você invista na empresa de biotecnologia dele. Pense duas vezes antes de investir. Mesmo se tiver um “sentimento muito bom sobre isso”.

No entanto, se um de seus funcionários vier até você com uma campanha de marketing e algo dentro de você estiver dizendo … “John, você tem que tentar. Isso realmente funciona” … essa pode ser a sua intuição falando.

Essa abordagem intuitiva desempenhou um papel significativo em nosso constante crescimento no JotForm. Inclusive influenciando nossa decisão de realizar alguns experimentos malucos de marketing.

Sim, é um “sentimento” que não conseguimos descrever, mas de alguma forma consegue nos convencer de que deveríamos tentar … realmente poderia funcionar.

Aplicar a intuição a sua vida não é fácil

Como escrevi em “Como toda decisão que você toma é errada“, a intuição pode ser um pouco ambígua.

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Em particular, rastreá-la pode ser a parte mais desafiadora. É fácil compensar nossos sentimentos iniciais sobre alguém ou algo depois que o evento já terminou.

Por exemplo, se uma relação comercial termina, é fácil dizer “nunca tive um bom pressentimento sobre esse sujeito” depois do fato … seja verdade ou não.

Se você está realmente interessado em testar seus instintos, pegar um caderno e rastreie seus sentimentos sobre uma decisão. De preferência,  antes de tomar a decisão. Uma vez que a decisão tenha realmente ocorrido, você pode voltar atrás. Pegue suas anotações e compare o resultado da decisão.

Para o autor Lewis Howes, essas “práticas de reflexão” ajudam a sintonizar seus pensamentos. Auxiliam também, a prestar atenção aos sentimentos iniciais sobre coisas, pessoas, eventos e decisões.

Enquanto eu não recomendaria apostar um milhão de dólares em um palpite ou um pressentimento … Eu não recomendaria evitar esse sentimento completamente, também.

Além disso, como expliquei em “Como tomar melhores decisões na vida e nos negócios“, nem todas as decisões são criadas da mesma forma.

Algumas estão no piloto automático (como a camisa para vestir todas as manhãs). Algumas baseiam-se apenas na intuição. Enquanto outras exigem tempo e atenção em tempo real.

Não é preto ou branco também. Estabelecer parcerias com alguém. Contratar funcionários. Escolher uma carreira profissional. Estes são exemplos que merecem sua energia cognitiva e sua intuição.

Referência(s)

Aytekin Tank – Entrepreneurial sixth sense: how intuition drives stronger decision making.

Autor: Ronaldo Lundgren

Possui graduação pela Academia Militar das Agulhas Negras; é Mestre em Estudos Estratégicos pelo US Army War College; e Doutor em Ciências Militares pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército.

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