Como um líder deve liderar

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por Ronaldo Lundgren.

como um líder deve liderar

Como um líder deve liderar

Segundo o professor Idalberto Chiavenato, liderança é a capacidade de influenciar as pessoas a fazerem aquilo que devem fazer.

Como então se consegue influenciar as pessoas? O que deve ser feito para conseguir que as pessoas façam aquilo que deve ser feito?

Existem diversos estudos que explicam as teorias e estilos de liderança. E, caso deseje se aprofundar, o artigo Estilos e modalidades de liderança em ambientes corporativos contém boas dicas sobre o tema.

Se pudéssemos resumir como um líder deve liderar, certamente 3 atitudes deveriam ser incorporadas ao seu comportamento:

  • agir sempre com energia;
  • ter espírito de decisão; e
  • evitar ficar isolado.

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Agir sempre com Energia

A energia é uma qualidade moral da maior relevância para o exercício da liderança. Não se compreende um líder apático, delegando suas responsabilidades continuamente.

Pela energia, um líder impõe sua vontade aos demais.

Cabe ressaltar que energia não é sinônimo de rudeza. É mais substância do que forma. Está mais no ato em si do que na maneira de agir.

Enérgico é um líder que, depois de estudar um problema, chega à conclusão de que é preciso adotar medidas que contrariam o interesse de outras pessoas.

A despeito da oposição, adota as medidas necessárias. E resiste às pressões para modificar sua decisão.

É evidente que um homem sem energia, hesitante, não inspira confiança naqueles que lidera. Sem gritos, sem alardes, sem violências verbais.

O espírito de decisão

A revista Havard Business Review, em artigo que aborda o processo de tomada de decisão, explica que

Há décadas, psicólogos e pesquisadores de decisão comportamental apontam que os seres humanos têm dois modos de processar informações e tomar decisões.

O primeiro, o Sistema 1 de pensamento, é automático, instintivo e emocional. Ele se baseia em atalhos mentais que geram respostas intuitivas aos problemas quando eles surgem.

O segundo, o Sistema 2, é lento, lógico e deliberado. (Daniel Kahneman, ganhador do Nobel de economia, popularizou essa terminologia em seu livro “Rápido e devagar: duas formas de pensar”.)

Para decidir, o líder deve ter capacidade, inteligência e visão global que lhe permitam chegar à melhor solução possível.

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Um dos piores defeitos do líder é não decidir. “Mais vale uma decisão rápida, ainda que apenas boa, do que outra ótima, porém extemporânea”.

Acontece que a decisão adotada pode contrariar interesses poderosos. Aí chega a vez da energia. Sem ela, o líder deixará ser vencido pelos obstáculos criados e recuará.

A capacidade de decisão é a condição por excelência do líder. O mal-estar domina o ambiente de trabalho quando os funcionários ficam à espera de uma decisão.

Quando se trata de uma decisão mais elaborada, há líderes que se caracterizam por consultar seus auxiliares imediatos. Isto não é ruim, desde que não seja empregado em demasia. Decisões de natureza simples dispensam esse tipo de consulta.

Certos líderes fazem consultas aos subordinados não com a finalidade real de ouvir a opinião deles. De fato, o que se deseja é fazer os auxiliares pensarem que chegaram à decisão já tomada com antecedência.

Este é um procedimento recheado de riscos. Pois o líder poderá ter que defender seu ponto de vista, caso os auxiliares não se deixem induzir com facilidade.

Saia do escritório e vá aonde as coisas acontecem

"Seu principal erro é manter-se isolado. Não permite que ninguém o veja. Assim, não sabe o que realmente está acontecendo. Desconhece o que está decidindo." (Carta de Abraham Lincoln ao exonerar o General John Fremont de seu comando, durante a Guerra Civil americana)

Ficar no gabinete, apenas recebendo informações filtradas pelos assessores mais próximos, é tudo o que um líder não deve fazer.

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É natural que haja uma filtragem nos dados levados ao conhecimento do líder. Ainda mais se ele liderar uma grande organização. Os assessores procuram resolver os pequenos problemas. Com isso, eles imaginam poupar o líder de coisas menores, para que ele possa se dedicar aos grandes temas da empresa.

Cabe ao líder romper essa redoma em que é colocado. Para tanto, revisitar Maquiavel ajuda bastante.

Em O Príncipe, Maquiavel ensina que “não há outro meio de guardar-se da adulação, a não ser fazendo com que os homens entendam que não te ofendem dizendo a verdade“.

Porém, “quando todos podem dizer-te a verdade, passam a faltar-te com a reverência“. Para evitar a perda da reverência, Maquiavel sugere que o príncipe escolha muito bem seus assessores. Apenas os mais capazes e leais deveriam ter a “liberdade” de dizerem a verdade.

Trazendo para o mundo corporativo, o ensinamento de Maquiavel permanece válido. Principalmente, para as grandes organizações.

Contudo, não basta ao líder tomar decisões baseadas nas verdades transmitidas por seus assessores diretos. O mundo está mudando. E continua em constante transformação.

Cabe ao líder ajustar sua agenda, de modo a ter tempo para circular. Para ver in loco o que se passa. Para ver as dores de seus funcionários.

Tudo isto deve ser feito com o cuidado para que a “reverência” seja preservada.

Considerações finais

São inúmeros os estudos e trabalhos abordando o tema liderança. Existem cursos de excelente qualidade que capacitam o interessado em atuar como um líder efetivo.

Se fosse possível colocar todo esse conhecimento em uma prensa, na tentativa de extrair o sumo para ser colocado em prática, por certo essas três atitudes surgiriam como o néctar dos deuses.

Recapitulando:

  • Incorporar uma atitude enérgica – sem ser rude ou cruel;
  • ter prazer em decidir – sem delongas e focado na questão apresentada; e
  • escapar do isolamento que o cargo oferece – sem desprezar o bom assessoramento, mas buscando conhecer o que se passa ao redor.

Hora de agir!

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Autor: Ronaldo Lundgren

Possui graduação pela Academia Militar das Agulhas Negras; é Mestre em Estudos Estratégicos pelo US Army War College; e Doutor em Ciências Militares pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército.

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