Como encarar os Lapsos de Integridade

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por Ronaldo Lundgren.

lapsos de integridade

Como encarar os Lapsos de Integridade

Para você mudar é preciso encarar riscos e desafios na nova trajetória. Uma mudança profunda exigirá que se coloque em prática ações sob uma perspectiva diferente. Essas ações lhe forçarão a encarar os obstáculos que surgirão.

Não é uma tarefa fácil. Na maioria das vezes, as pessoas seguem a rotina diária, executando as tarefas que lhe são determinadas. São poucas aquelas que planejam a carreira. Que se dispõem a enfrentar os riscos e desafios.

Um desses obstáculos é um teste a sua integridade.

Integridade vem do latim integritate, significa a qualidade de alguém ser íntegro, de conduta reta, pessoa de honra, ética.

Um teste à integridade

O exemplo a seguir mostrará um confronto crítico entre Tomás e seu chefe, Rogério.

O cenário

Tomás era o gerente de projetos em uma empresa de exploração de petróleo. Seu chefe, Rogério, era um profissional especial, trabalhava por conta própria e era altamente conceituado nesse meio.

Quando surgia um problema difícil, buscavam Rogério. Ele resolvia os casos mais críticos. Trabalhar com ele era o sonho de quase todo mundo. Era certeza de melhorar o currículo profissional.

Tomás estava trabalhando sob o comando de Rogério. Ele estava em êxtase. Como gerente do projeto, tudo precisava dar certo: cumprir o calendário, dentro do orçamento, sendo reconhecido por Rogério.

O projeto acontecia em uma plataforma de petróleo. A companhia petrolífera contratou Rogério para administrar e instalar um “sistema de atracagem com âncora única”.

Este sistema elimina a necessidade de bombear petróleo por centenas de quilômetros de tubulação, desde a plataforma até a costa. Os navios petroleiros se abastecem diretamente na plataforma.

O trabalho dos mergulhadores era muito perigoso. Cabia a Tomás gerenciar todo o processo.

Para manter o cronograma, a empresa utilizava o procedimento de “saturação de mergulho”. Este procedimento possibilita que a equipe de mergulhadores trabalhe a grandes profundidades, sem perder tempo com a descompressão.

Os mergulhadores trabalham afivelados a uma cápsula submarina, por períodos entre 8 e 12 horas. Quando o mergulho termina, a cápsula é trazida de volta ao navio para ser acoplada a câmaras secas e pressurizadas. Assim, os mergulhadores se mantêm pressurizados até a hora do novo mergulho.

Os momentos mais perigosos são a largada e a recuperação da cápsula. É quando as ondas afetam a cápsula. Fortes ondas separaram as cápsulas de seu guincho. provocando sérios acidentes. E aí, são poucas as chances para recuperar os mergulhadores.

O trabalho dos mergulhadores e da equipe de topo era excelente. Rogério estava muito satisfeito. Para Tomás, tudo transcorria como planejado, sem grandes interferências.

O comportamento de Tomás

Naquele dia o vento estava mudando de direção. O mar não estava de cara boa. Um vendaval forte se aproximava. A cápsula com os mergulhadores acabara de entrar na água. Ficaria submersa por 12 horas.

Ao checar a previsão do tempo, Rogério se aproximou de Tomás e disse:

  • “Tomás, você e sua equipe têm feito um trabalho muito bom. Estou muito satisfeito e sei que vai continuar assim”.

Rogério prosseguiu dizendo que precisavam concluir a conexão da linha de fluxo naquele dia, para adiantar o cronograma. Disse ainda:

  • “Sei que o tempo não está bom. Mas aqueles homens o respeitam e farão o que você pedir – já testemunhei isso antes. Precisamos manter aquela cápsula na água o máximo que pudermos, antes que um ventinho qualquer nos derrube”.

Tomás respondeu confiante: “Sim, senhor“.

A mudança do tempo aconteceu. O “ventinho” se transformou em um vendaval.

Tomás esticou a operação de mergulho além de seu limite de segurança. A recuperação da cápsula era muito perigosa. Ele não apenas arriscou a segurança dos mergulhadores, como também abriu um péssimo precedente para os parâmetros estabelecidos na operação.

Por que Tomás agiu assim?

Ele queria ter sucesso. Para isso, trabalhava em excesso, sempre focado na tarefa. Para ele, sucesso era a execução perfeita dos serviços e, naquele caso, agradar Rogério.

Quando Tomás recebeu um feedback positivo de Rogério, ficou dividido entre sua responsabilidade com seus companheiros e a expectativa de Rogério.

No momento que confirmou que o tempo iria piorar, teve medo de contrariar Rogério. Faltou-lhe força de caráter para interromper a operação. Ele preferiu “arrumar” argumentos para justificar a continuação do mergulho.

Tomás manipulou sua equipe, colocando-a em risco.

O que fazer para melhorar

O que se passou com Tomás também ocorre com outros profissionais. Algumas situações têm o condão de criar o dilema entre a auto-imagem e o comportamento real.

Este dilema pode comprometer sua integridade. Quais influências podem afetar sua decisão?

Ao se sentir atormentado entre duas alternativas desconfortáveis (se ficar o bicho pega, se correr o bicho come), busque outras opiniões. Procure agir de acordo com sua integridade.

O dilema, normalmente, inicia de maneira bem inocente. Ao perseguir um fim justificável, fazemos algum tipo de barganha. Sabemos que é errado, mas nos justificamos dizendo que é por uma boa causa. Usamos o fim para justificar os meios.

Para não cair nessa armadilha, você precisa reconhecer as mentiras que dizemos a nós mesmos. Precisamos reconhecer nossa fraqueza, ambição, insensibilidade, falta de visão e coragem.

Ao agir assim, começamos a enxergar a necessidade de mudança. Para crescer e se desenvolver, reduza os seus lapsos de integridade.

Referência(s)

Robert E. Quinn – Desperte o Líder em Você.

Autor: Ronaldo Lundgren

Possui graduação pela Academia Militar das Agulhas Negras; é Mestre em Estudos Estratégicos pelo US Army War College; e Doutor em Ciências Militares pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército.

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