Baixa produtividade e competências em falta

Share

por Ronaldo Lundgren.

Produtividade

Baixa produtividade. O Brasil tem baixa produtividade. Nossos trabalhadores produzem pouco para o resultado do produto interno bruto. Um trabalhador brasileiro gera cerca de US$ 20.000,00 por ano para o PIB. Os dados da The Conference Board Total Economy Database, relativos a 2013, são bastante expressivos.

País PIB/Trabalhador/Ano (US$)
EUA 114.914,00
Austrália 91.943,00
Canadá 85.274,00
Alemanha 79.896,00
Coreia do Sul 66.438,00
Federação Russa 37.410,00
México 37.271,00
Argentina 33.664,00
África do Sul 32.423,00
Brasil 19.833,00
China 19.666,00
Índia 10.651,00

Segundo documento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) – ‘Custo do trabalho e produtividade: comparações internacionais e recomendações‘ – a produtividade do trabalho no Brasil não somente é inferior à dos países desenvolvidos e à de diversos países em desenvolvimento como vem crescendo muito pouco desde o início da década de 2000.

A produtividade do trabalho no país corresponde a menos de um quinto da dos Estados Unidos, cerca de um quarto da Alemanha e pouco menos de um terço da Coreia do Sul. É ainda inferior à da Federação Russa, do México, da Argentina e da África do Sul, embora seja ligeiramente superior à da China e praticamente o dobro da registrada na Índia. Calculam-se taxas de crescimento da produtividade da economia brasileira da ordem de 1% ao ano.

A solução para corrigir essa baixa produtividade é demorada. Passa por uma melhoria da capacitação dos trabalhadores, melhoria da educação, da infraestrutura (estradas, energia, portos, etc), da segurança pública, da previsibilidade das normas jurídicas. São muitas áreas a serem trabalhadas. É uma tarefa que deve ser coordenada pelo poder público, com a participação de vários outros atores com interesse no tema.

Os dados da pesquisa “Falta de trabalhador qualificado reduz a competitividade da indústria”, publicada em outubro de 2013 pela CNI, mostram que 65% das empresas consultadas enfrentam problemas com a falta de trabalhador qualificado.

As 5 competências mais em falta nas empresas

A empresa de coaching MB Soluções conseguiu identificar algumas carências na qualificação dos trabalhadores. Segundo a empresa, “Nos trabalhos com nossos clientes usando nossa ferramenta de Mapeamento Profissional, conseguimos identificar as 5 competências mais importantes para pequenas e médias empresas e que mais constantemente estão em falta no seu quadro de funcionários”. São elas:

  1. Comunicação – fundamental para que todo profissional se comunique e se relacione bem em qualquer situação.
  2. Criatividade e Inovação – importante para acompanhar o ambiente competitivo atual nas empresas e garantir a satisfação dos clientes.
  3. Flexibilidade a Mudanças – evita a acomodação e a falta de disciplina que são prejudiciais para o futuro das pessoas e dos negócios.
  4. Liderança – saber motivar colaboradores para atingir melhores resultados nas empresas;
  5. Trabalho em Equipe – proporciona um bom relacionamento com todos na empresa, saber ouvir, opinar e discutir ideias são fundamentais.

O que pode ser feito

Essa combinação de baixa produtividade e competências em falta nas empresas podem ser atenuadas. A despeito da dificuldade, ações podem ser implementadas. As lideranças dos vários setores do país podem adotar medidas para compensar o apagão de mão de obra.

Medidas simples, tais como: inclusão de mulheres – que possuem um nível médio de escolaridade maior do que os homens; mudança de processos – empregando mais tecnologia da informação; retenção de talentos – seja por políticas salariais, benefícios e/ou delegação de novas responsabilidades; e conquistar os jovens – indo “caça-los” ainda na escola, estimulando e desenvolvendo o interesse pelo portfólio da empresa.

Que outras sugestões você acrescentaria? Comente. Compartilhe.

Autor: Ronaldo Lundgren

Possui graduação pela Academia Militar das Agulhas Negras; é Mestre em Estudos Estratégicos pelo US Army War College; e Doutor em Ciências Militares pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército.

Deixe uma resposta