Como tomar decisões com base na sua intuição

Share

por Melody Wilding.

Como tomar decisões com base na sua intuição

Você já teve a experiência de saber que uma situação simplesmente não parece correta? Você sabe como é: aquela sensação incômoda de que algo está errado? 

Meu instinto começou a sussurrar para mim no início da minha carreira. Na época, eu racionalizei que a pressão extrema que senti foi um efeito colateral da minha própria inadequação, não o resultado de uma cultura de escritório tóxica. “Se eu apenas trabalhar mais e persistir, melhorará“, eu disse a mim mesma.

Mas com o passar dos meses, desenvolvi um profundo conhecimento de que não era o caminho certo para mim. E aí, já não podia mais ignorar minha intuição. Uma sensação de medo persistente me seguiu em todos os lugares. Sem receio, deixei aquele trabalho para começar o meu próprio negócio. Absolutamente, foi a melhor escolha. Eu sabia que meu instinto poderia ser confiável para me guiar.

“E aí, já não podia mais ignorar minha intuição”.

Pesquisas mostram que usar a intuição nos ajuda a tomar decisões melhores e nos dá mais confiança nelas. Isso pode surpreender as pessoas que não consideram a intuição no seu dia-a-dia.

Na realidade, a intuição é uma habilidade poderosa, apoiada cientificamente. Aprender a confiar no seu instinto pode ser uma vantagem competitiva nos negócios e na vida.

O que é intuição?

Os psicólogos definem a intuição como “compreensão imediata, conhecimento ou consciência, não derivada da percepção nem do raciocínio“. É um sentimento automático e sem esforço que, muitas vezes, o motiva rapidamente a agir.

Como empreendedora, ao trabalhar com meus clientes, confio em meus instintos o tempo todo.

Parte do meu trabalho é trazer ordem e estrutura para os pensamentos e comportamentos dos outros. Para fazer isso, canalizo minhas energias para demonstrar empatia e sensibilidade. Eu também uso minha intuição. Ela me ajuda a chegar à fonte do que realmente incomoda alguém – mesmo que ele não consiga encontrar as palavras para se exprimir.

Intuição é… compreensão imediata, conhecimento ou consciência, não derivada da percepção nem do raciocínio.

Você colherá benefícios ao aperfeiçoar sua intuição. Por exemplo, quando fizer um discurso ou uma apresentação, habitue-se a fazer uma “leitura” na sala. Assim, você pode customizar seus pontos de modo que eles ressoem com sucesso para seu público-alvo.

Se você estiver envolvido no desenvolvimento de um novo produto e não tiver certeza sobre como escolher entre as soluções, recorrer à intuição pode orientar seu processo criativo na direção certa.

A intuição é uma habilidade deliberada que pode ser desenvolvida. Depois de aperfeiçoada, ela é aplicável em muitas situações. Ela lhe ajuda a escolher um plano de carreira, por exemplo. Em momentos de pressão, ela auxilia nos julgamentos, bem como nas respostas a perguntas complicadas.

Siga seus Instintos

Evidências informais revelam que os cientistas frequentemente fazem descobertas “acidentalmente”.

Quando os cientistas mantêm uma mente aberta e curiosa, eles são mais capazes de identificar padrões e criar conexões criativas. Este tipo de inovação por palpite é responsável por descobertas incríveis como a penicilina e o teflon.

Embora muitas pessoas digam que preferem tomar decisões de forma racional, elas não se dão conta de quanto é fácil para a mente ficar sobrecarregada de dados.

Uma pesquisa demonstrou o poder de usar a intuição, em vez de ignorá-la e usar apenas informações racionais. Neste estudo, os compradores de carros que confiaram apenas na análise das informações disponíveis ficaram satisfeitos com suas compras em cerca de um quarto do tempo.

Enquanto isso, aqueles que fizeram compras intuitivas ficaram felizes em 60% das vezes. Isso porque confiar em amostras de dados menores permite que nossos cérebros tomem boas decisões, mesmo na falta de muita informação.

O instinto torna a tomada de decisões mais rápida e fácil. Mas isso por si só não é o motivo de ele ser tão poderoso. Confiar em seu instinto também pode levar a decisões que resultam em melhores resultados.

Balanceamento de Coração e Cabeça

Uma de minhas clientes, Norah, me disse que estava pensando em deixar o emprego, mas não conseguia tomar uma decisão final.

Ela não queria fazer algo de que pudesse se arrepender. Já havia passado por todos os exercícios analíticos em que conseguia pensar: uma lista pró/contra; conversado com uma amiga; e imaginado como seria se ela ficasse no emprego versus se ela fosse embora.

A única coisa que ela não fez, porém, foi entrar em sintonia com sua intuição.

Norah estava cercada pelo estresse e por barulho ao analisar a situação. Ela não parou para fazer um teste de intuição. Quando ela fez, descobriu que sua intuição estava sinalizando alto e claro.

Eu perguntei a ela simplesmente: “A ideia de sair parece um ‘forte sim’ ou apenas um ‘sim’?”

Quando Norah pensou em continuar no emprego, sentiu uma pontada de alerta e teve até uma reação fisiológica. Quando ela pensou em ir embora, seu comportamento fez um 180 graus. Ela se recostou na cadeira e sentiu uma profunda sensação de alívio.

Solicitar a ajuda da sua intuição em decisões importantes como essa pode parecer ilógico, mas na verdade é o momento perfeito para ouvi-la.
Mesmo que sua mente tenha racionalizado todas as razões pelas quais você deveria permanecer em um emprego ou um relacionamento, seu instinto tem escutado e catalogado todos os sinais e bandeiras vermelhas.

Como holisticamente aprimorar sua intuição

A intuição pode ser desenvolvida como uma habilidade de tomada de decisão.

Para refinar sua sensibilidade aos instintos, é essencial criar espaço para a intuição crescer, assim como praticar técnicas para prestar mais atenção a ela.

Algumas pessoas nascem com grandes habilidades intuitivas. Há evidências de que as mulheres, em particular, têm uma forte intuição porque (a partir de uma perspectiva evolucionária) elas precisavam de um forte senso de consciência para proteger seus filhos do perigo.

Habilidades intuitivas também podem ser afetadas por experiências que ocorrem durante períodos de crescimento emocional. Se alguém experimenta uma infância traumática, é provável que ele experimente dúvidas excessivas e abafe sua voz interior por autoproteção. O bom é saber que é possível aprender a confiar em sua intuição.

Para a maioria das pessoas, o trabalho de aperfeiçoar sua intuição requer apenas mudanças pequenas e habituais. Aqui estão algumas maneiras de praticar o desenvolvimento de sua habilidade:

1. Coloque a Intuição à frente e no centro

As empresas que dizem que adotam a intuição nem sempre se organizam de modo a permitir que ela seja usada.

Se você é um líder que deseja que a intuição desempenhe um papel em sua organização ou em sua equipe, ajuste seus cronogramas de acordo. Se os prazos são rigorosos e fixos, a criatividade não pode prosperar.

Em seguida, incentive sua equipe a começar a pensar de forma intuitiva e a realizar testes no instinto. Para explorar o que isso significa, considere mudar a maneira de tomar decisões. Se uma decisão geralmente vem depois de uma análise intensiva, experimente usar uma combinação de dados e um pensamento intuitivo.

Em particular, faça um esforço coletivo para ouvir mais. Não despreze sentimentos ou palpites. Qualquer equipe naturalmente tem um mix de pessoas cada vez menos intuitivas. Ao expandir sua intuição coletiva, você reforça suas habilidades individuais também.

2. Use o Teste de Julgamento de Encaixe

Tente este exercício para praticar a tomada de decisão com uma pergunta que você está deliberando:

  • Escreva uma simples pergunta sim / não em um pedaço de papel.
  • Certifique-se de que a questão é acionável e não teórica.
  • Por exemplo, em vez de “Não gosto do meu chefe?”, escreva: “Devo sair do meu trabalho?”
  • Escreva “sim / não” abaixo da pergunta e deixe uma caneta por perto.

Agora vá fazer outra coisa por algumas horas. Quando você se deparar com o pedaço de papel, pegue a caneta e feche os olhos. Em seguida, abra-os e circule imediatamente sua resposta.

Este exercício baseia-se na precisão do pensamento rápido do instinto. Pode não ser uma resposta que você goste, especialmente se a pergunta for grande, mas há uma boa chance de você se forçar a responder honestamente.

É uma boa maneira de esclarecer a situação, independentemente de como você decide agir.

3. Crie espaço para reflexão

A intuição não pode florescer em ambientes movimentados e barulhentos – seja no trabalho, durante seu trajeto ou em casa.

Para realmente ouvir a percepção que vem de dentro, você precisa construir a tempo para refletir sobre suas experiências. Isso parece mais fácil de dizer do que fazer.

Porque reconheço que a intuição desempenha um papel importante em minha vida, eu construo o tempo de reflexão em minha agenda. Eu reservo um tempo entre reuniões. Desta forma, ajusto minhas rotinas de manhã e à noite para que eu tenha tempo para relaxar e refletir.

Outras ferramentas para reflexão incluem registro no diário, fazer caminhadas para limpar a cabeça e cultivar uma prática de meditação ou atenção plena.

Uma simples técnica de meditação é simplesmente usar um momento para se tornar consciente de como você se sente. Examinando regularmente seu corpo e checando seus sentimentos, você pode entrar em contato com o que seu instinto está dizendo.

A natureza transformadora e expansiva da intuição

Sua capacidade intuitiva está crescendo enquanto você lê isso. Isso nunca para. Essa é a beleza desta incrível ferramenta.

Quando aproveitamos e aplicamos a intuição, somos capazes de tomar decisões com mais rapidez e conforto. Muitas vezes, tomamos decisões que têm mais resultados bem-sucedidos. E com o tempo, nossa capacidade de perceber e usar nossa intuição aumenta – e assim aumentam os benefícios.

Estou interessada no meu conhecimento do mundo, e confio no meu instinto. Agora, vejo minha intuição como um diferenciador central em meu trabalho. Um enorme corpo de pesquisa científica crescente mostra que a intuição é mais poderosa do que jamais imaginada.

Claro, você provavelmente teve um sentimento sobre isso o tempo todo.

Referência(s)

How to Make Better Decisions by Improving Your Intuition, de Melody Wilding – Human Behavior professor. Coach.

Mundo das Mensagens.

Akashic Records Institute.

Inspiração para superar dificuldades

Share

por Ronaldo Lundgren.

Inspiração para superar dificuldades

Inspiração para superar dificuldades

A nossa maior glória não reside no fato de nunca cairmos, mas sim em levantarmo-nos sempre depois de cada queda

Para Maria Elizabeth Ferreira “essa frase sintetiza o sentido da motivação. Podemos cair, sim, muitas vezes na vida. Mas o valor está em nos levantar após cada queda, firmes no propósito, perseverantes na esperança de alcançarmos a nossa tão sonhada meta”.

Reconhece a queda e não desanima. Levanta, sacode a poeira, dá a volta por cima. (Jorge Aragão)

Elizabeth também afirma que o “verdadeiro valor do ser humano não é evitar as quedas ao longo da vida, mas sim ter força e a vontade em se levantar. Não nos importemos em cometer erros; errar faz parte da vida.

Errar é humano. Aprender com os erros, essa é a mensagem principal“.

Transportai um punhado de terra todos os dias e fareis uma montanha

Inspiração para superar dificuldades

O pouco que você faz ajuda a mudar o mundo a sua volta. O texto de Paiva Netto, tratando sobre desperdício merece nossa atenção. Para Paiva Netto,

Urge impedir o desperdício. É providência sensata, humanitária, em todas as áreas e das mais diferentes classes sociais. É um crime, por exemplo, deixar estragar alimentos, quando milhões de pessoas ainda passam fome.

Quantas pessoas esbarramos diariamente nas ruas das cidades brasileiras? Quantas lhe agradeceriam por receber um prato de comida?

O dr. Alan Bojanicn, no mesmo texto de Paiva, chamou a atenção para esse fato:

“A FAO fez um estudo amplo para ver a porcentagem de perdas de alimentos no mundo. Temos uma cifra que é muito — vamos dizer — dolorosa! Depois que o produto é coletado, até chegar ao consumidor, e mesmo na casa dos consumidores, temos perdas muito altas. É quase um terço de toda a produção mundial que vai — se pode dizer — para o lixo. Uma produção muito importante, que tem implicações de todo tipo, em primeiro lugar, humanitárias, porque é comida que poderia ser dada para muitas pessoas carentes. É um absurdo ambiental, pois muita energia foi gasta na produção. E também tem a ver com a ineficiência econômica. Então, é um absurdo humanitário, ambiental e econômico-financeiro.

O pouco que cada um faz, voltado para a melhoria da qualidade de vida, torna-se um muito para o ambiente a sua volta. Paiva Netto defende que “a migalha de hoje é a farta refeição de amanhã. Reflitamos sobre isso”.

Só tem direito a descansar quem terminou a caminhada

Era o ano de 1994. Eu me encontrava em Lusaka, capital da Zâmbia. País colonizado pela Inglaterra, vizinho de Angola, onde eu servia como Observador Militar da ONU.

Em Lusaka, eu fazia parte da comitiva da ONU que mediava o acordo de paz entre o governo de Angola e a UNITA. Depois de mais de 20 anos de guerra interna, foi assinado o Protocolo de Lusaka, que pretendia por fim ao conflito.

Na última reunião antes do ato formal da assinatura do acordo, o  antigo secretário-geral da UNITA, Eugénio  Manuvakola, Chefe da delegação, olhando para as partes presentes proferiu esta frase:

“Só tem direito a descansar quem terminou a caminhada”.

Nunca a tinha ouvido antes. Mas me marcou bastante. Manuvakola explicou, de forma simples, que a assinatura do Protocolo não caracterizava o término da caminhada. Portanto, os angolanos ainda não tinham o direito a descansar. Precisavam tornar o Acordo em realidade.

Manuvakola estava certo. Ele pagou caro a “ousadia” de rubricar o acordo. O Protocolo de Lusaka não prosperou. Consta que chegou a ser preso, tendo fugido da área dominada pela UNITA indo para Luanda, onde criou a extinta UNITA-Renovada.

Considerações finais

A ousadia é a metade da vitória e quem temer ao inimigo já vai vencido. Dificuldades e obstáculos existem na vida de qualquer pessoa. Para buscar forças a fim de superá-los, é bom ter por perto alguns exemplos e frases que ajudem a estimular.

Essas são algumas que compartilhei com você. Construa a sua própria. E não perca a esperança.

Referências

Sítio Pensador – Roberto Shinyashiki – Confúcio – Oliver Goldsmith

O pensamento crítico e a mudança de rotina

Share

por Ronaldo Lundgren.

O pensamento crítico e a mudança de rotina

“A rotina é a tradição corrompida, deturpada e morta, ao passo que a tradição é a conservação do passado vivo. É a luta contra a morte do passado. É a entrega, a uma geração, dos frutos da geração passada. Separar o que merece durar. Deixar sair o que merece perecer”. (Marechal Humberto de Alencar Castello Branco)

O experimento com os 5 macaquinhos ilustra como a rotina corrompe uma organização. Confira no vídeo abaixo.

Como separar rotina de tradição

Como separar o que merece continuar daquilo que prejudica uma organização?

Em 1978, o Doutor Afonso Carlos Correa Fleury cunhou o termo rotinização para explicar porque as empresas preferem manter o controle social na fábrica, evitando a eclosão de conflitos. Por sua vez, ainda nos anos 1980, Mario Sergio Salerno destaca que “os Centros de Decisões sacrificam a eficiência para evitar problemas com a mão-de-obra”.

Mas o mundo gira. Se no século passado as empresas optavam  pelo bom clima organizacional, nos dias atuais elas também querem a inovação.

A sociedade muda a todo instante. Não mais na lentidão da época industrial. As empresas se transformam. Buscam novas ideias. Achiles Rodrigues resume bem o nosso tempo:

Vivemos em uma era de transformações tecnológicas exponenciais — alta conectividade; mobilidade, inteligência artificial, internet das coisas, robótica, realidade virtual, realidade aumentada, drones transportando pessoas, automação, ufa!!!

Nunca foi tão importante pensar de forma disruptiva...

Toda essa revolução tecnológica e de automação influencia diretamente mudanças sociais e culturais. Aquilo que funcionou no passado já não funciona mais, basta dizer, por exemplo, que hoje, 60% dos jovens estão aprendendo profissões que vão deixar de existir nos próximos 10 anos.

Como pensar de forma disruptiva? É possível preparar sua equipe para pensar criticamente? Sem comprometer a disciplina na sua organização?

O que é pensar criticamente

Pensar criticamente é:

  • decidir racionalmente no que acreditar ou não acreditar;
  • usar nosso pensamento racional e ponderado para obtermos melhores resultados nas atividades que desenvolvemos; e
  • saber jugar proposições, argumentos e opiniões e, através da investigação ativa, obter justificações para nossas decisões e crenças. 
Os 7 sábios e o elefante – interpretações limitadas

O portal Universia afirma que “Todas as pessoas possuem um histórico de vida. Cada indivíduo passou por experiências e situações diferentes, além de terem crenças, medos e objetivos distintos. Quando um mesmo problema é apresentado para várias pessoas, é normal que cada uma delas o interprete de uma maneira e proponha resoluções diferentes. Isso acontece por causa do jeito único que cada um de nós tem”.

É provável que você já tenha evitado expor sua opinião por receio de parecer diferente, fora do grupo. É até comum esse tipo de atitude em uma empresa.

Imagine-se em uma reunião decisória. É raro admitir-se que os participantes sigam processos diferentes para a tomada de decisão. Mas eles também carecem de críticas.

Para solucionar um problema, pense criticamente. Para isto, “afaste-se” dele. Seja racional.

Afastar-se do problema e ser racional exige que você coloque suas crenças em uma gaveta próxima. Dê-se uma chance para receber outros pontos de vista, outras opiniões. A capacidade de agir assim é conhecida como pensamento crítico.

Para a especialista Giedre Vasiliauskaite, (*) professora do Master in Consultancy and Entrepreneurship de Rotterdam, “Pensar criticamente é uma qualidade importante. De forma resumida significa que, antes de tomar uma decisão, o indivíduo pensa bastante e questiona certezas (próprias e dos outros). Desconfia do que parece óbvio. Abre-se para novas perspectivas e consegue apresentar suas ideias e argumentos, verbalmente ou por escrito, de maneira lógica e clara”.

Como pensar criticamente

O pensamento crítico pode ser visto como tendo dois componentes:

  1. um conjunto de habilidades de produção e processamento de informações, além das crenças; e
  2. o hábito, baseado no compromisso intelectual, de usar essas habilidades para orientar o comportamento.

Desenvolver um conjunto de habilidades e adquirir o hábito de usar essas habilidades não é difícil. Embora, quando se pergunta como conseguir isso, as respostas são vagas.

Debora Santille entende que isto acontece porque algumas pessoas “acreditam que o pensamento crítico não pode ser ensinado de forma isolado, que só pode ser desenvolvido em um contexto do longo prazo“.

Continuando, Debora sugere uma estrutura com quatro áreas-chave:

  • Argumentação
  • Lógica
  • Psicologia
  • A natureza da ciência

Argumentação

A argumentação é uma poderosa ferramenta para aprender a pensar bem. Argumentar exige um trabalho intelectual primoroso. Apresentar suas ideias com suporte em dados concretos, de maneira compreensível para seus interlocutores, é a primeira competência a desenvolver.

Discutir, ao invés de simplesmente discordar, indica um engajamento intelectual problemático. Mostra uma pessoa com a intenção de consolidar sua posição, sem compromisso com a solução do problema.

Daí a importância da argumentação. Dominar esta competência reduz as discussões no trabalho.

Lógica

A lógica é fundamental para a racionalidade. É difícil ver como você pode valorizar o pensamento crítico sem abraçar a lógica.

Usando a lógica de uma forma defeituosa acarreta falácias de raciocínio. Essas falácias são famosas por conter erros lógicos, como:

  • raciocínio circular
  • a falácia falsa
  • o apelo à opinião popular.

Aprender um pouco de lógica é central para o desenvolvimento do pensamento eficaz.

Psicologia

Estudos na área da neurociência comprovam que o nosso cérebro é plástico. Miguel Lucas entende que “Esta neuroplasticidade refere-se à capacidade do cérebro para modificar a sua estrutura e função, em decorrência de experiências anteriores”. Esta nova ciência revela o nosso extraordinário potencial de transformar a nós mesmos.

Os processos relativos ao pensamento envolvem não apenas a cognição, mas também aspectos de outra natureza, como afetivos e as crenças incorporadas ao longo do tempo.

Segundo Cristina Satiê (*), “as crenças pessoais, ao fazerem parte da individualidade do sujeito, passam a influenciar o próprio funcionamento mental e a organização do pensamento, atuando juntamente aos processos cognitivos”.

Ao contrário do que se pensa, as pessoas não têm o controle da tomada de decisão. As suas crenças influenciam com tanta intensidade que decidem sem considerar outras hipóteses. Isso não quer dizer que elas são falhas. Apenas significa que elas não se abrem a novos pontos de vista.

Para realizar o pensamento crítico, é importante saber que é possível pensar sem estar preso às próprias crenças. Voltando a Miguel Lucas, ele destaca que a “forma prática de realizarmos este processo é tomar consciência da forma como queremos pensar e agir e orientarmo-nos a nós mesmos, forçando-nos a desenvolver um padrão mental que suporte aquilo que queremos passar a ser”.

Prosseguindo, Lucas orienta que a atenção dedicada a qualquer assunto é o “método eficaz para conseguirmos orientar os nossos pensamentos. […] A atenção é a capacidade de dirigir a nossa concentração para algo que escolhemos focar-nos. A forma mais simples de realizar este processo é focando a atenção na respiração”.

A natureza da ciência

Ajuda a pensar criticamente conhecer, pelo menos um pouco, sobre a natureza da ciência. Possuir um conhecimento geral, os assuntos que são tendências no momento, um pouco de estatística também.

Aprender sobre quais são as diferenças entre hipóteses, teorias e leis, por exemplo, contribui para que as pessoas  entendam porque a ciência confere credibilidade.

Compreender o uso da estatística em muito auxiliará na forma de pensar criticamente. As pessoas se sentirão mais capacitadas para lidar com questões difíceis ou complexas.

Essas noções de ciências e estatística, bem como o conhecimento geral, auxiliam na predisposição em considerar outras opiniões. Ajudam também, na formulação de argumentos consistentes.

Considerações finais

A linguagem de raciocínio incorporado dentro de tudo isso é a linguagem do nosso pensamento. Ensinar a pensar é possível. O pensamento crítico pode ser estudado e ensinado em parte como processos físicos.

Conhecimentos gerais, questões de atualidade e meios de comunicação fornecem uma montanha de combustível para a usina cognitiva. Conceitos gerais de argumentação e lógica são facilmente transferíveis entre os contextos de uma situação.

Aprender uma metodologia para pensar criticamente limita o pensamento crítico. Claro que adotar uma metodologia vai ajudar. Principalmente, no começo da capacitação dos funcionários. Mas depois, é necessário estimular o aprofundamento no estudo e na prática deste tipo de pensamento.

Referências

(*) Viviane Zandonadi – Cinco dicas para exercitar o pensamento crítico.

The Foundation for Critical Thinking

Cristina Satiê de Oliveira Pátaro. Pensamento, crenças e complexidade humana.

Não dá pra contar apenas com a sua força de vontade

Share

por Ronaldo Lundgren.

Não dá pra contar apenas com a sua força de vontade

Alcance o sucesso usando outros sistemas

“Desejo é essencial para motivação. Mas, é a determinação e o comprometimento na busca implacável de seu objetivo que lhe capacitarão a conquistar o sucesso que procura”. (Mario Andretti)

Não se culpe se sua força de vontade estiver em baixa.

Não confie apenas na vontade

Não confie na força de vontade para cumprir suas tarefas.

Dê menos importância aos artigos que falam sobre pessoas altamente produtivas. Gente que acorda muito cedo e aproveita o tempo para fazer um milhão de coisas enquanto você ainda dorme. Não confie na força de vontade para cumprir suas tarefas.

Não importa se você é mais produtivo do que alguém conhecido. Nem tão pouco se pode assumir qualquer tarefa. Não confie na força de vontade.

Você pode ter o melhor sistema para realizar suas tarefas diárias. Você pode organizar seu tempo de maneira perfeita. Você pode ter um completo autoconhecimento, conhecendo seus pontos fortes e os fracos também. Não confie na força de vontade.

O que diz a literatura…

Essas pessoas altamente eficazes podem acordar mais cedo para fazer o dia render mais. Podem concluir suas tarefas diárias, retirando-as da lista do que “tem que ser feito”. Porém, não é a força de vontade que as torna mais eficazes. Possuir uma poderosa força de vontade é um efeito secundário em ser altamente eficaz.

À medida que você executa tarefas mais difíceis, fica mais fácil encarar outras tarefas grandes e difíceis.

A literatura sobre força de vontade concentra-se em maneiras de fazer coisas maiores e mais difíceis. Contudo, ela não orienta para, primeiramente, focar naquelas tarefas menores e menos difíceis. Como consequência, temos um grupo de pessoas que sabem como aumentar suas respectivas forças de vontade, mas não sabem aplicá-las para se tornarem pessoas mais eficazes.

Você não precisa de força de vontade para ter sucesso. Você precisa de sistemas.

A força de vontade aumenta e diminui. Uma força de vontade eficaz leva tempo para construir. É melhor ver sua força de vontade como um bônus extra em cima dos sistemas básicos que lhe permitem ter sucesso. Mesmo quando sua força de vontade falha.

Sistemas de Responsabilidade

“Os perdedores têm objetivos. Os vencedores têm sistemas.” Scott Adams

Os sistemas de responsabilidade se utilizam dos valores que você tem para “lembrá-lo” de suas próprias obrigações. O componente importante aqui é que o sistema de responsabilidade trabalha com seus valores.

Entenda o que o motiva (e o que você quer evitar) para escolher o melhor sistema possível. Por exemplo, você pode ter vergonha da ideia de que seus colegas lhe vejam como um “vacilão”.

Ao contrário, você é do tipo que cumpre sua palavra. Você valoriza seu orgulho e sua capacidade de ser uma pessoa que faz aquilo que disse que vai fazer. Você se sente frustrado com os tipos de pessoas que dizem que vão escrever um livro, abrir um negócio ou perder peso, mas nunca fazem. Eles só falam sobre fazer, mas não fazem.

Se você tem vergonha ao falhar, adote a postura de anunciar publicamente suas metas. Deixe claro que você as executará. Caso não consiga fazê-las, isso o relega à classe das pessoas que não cumprem seus compromissos. Isto é algo que você teme.

Se você é do tipo acanhado e quer mudar, escolha aplicar recursos em sua própria capacitação, por exemplo. Contrate um coach ou matricule-se em algum curso. Faça um investimento que o force a sair, de modo a interagir com outras pessoas. Caso não persista, você perderá o investimento realizado. Em resumo, você criou um sistema que vai lhe ajudar a atingir sua meta.

Considerações finais

Faça o que fizer, não confie apenas em sua força de vontade para ter sucesso. Configure seus próprios sistemas. Ao contrapor seus valores às suas metas ou objetivos, você criará um método para alcançar o que você deseja.

Referência

Buscou oportunidades ou apenas reagiu às circunstâncias?

Share

por Ronaldo Lundgren.

Você buscou oportunidades ou apenas reagiu às circunstâncias?

Para chegar à sua situação profissional atual, você buscou oportunidades ou apenas reagiu às circunstâncias do mercado?

você buscou oportunidades ou apenas reagiu às circunstâncias

Pense bem antes de responder. Saber se você é protagonista ou coadjuvante da sua carreira é mais difícil do que parece.

Afinal, em um mundo cada vez mais instável, não é tão simples determinar o nível de influência que temos sobre nosso destino profissional.

Quem é o protagonista da sua carreira? 

Protagonistas são pessoas com atitude para mudar situações desconfortáveis.

Em artigo publicado na Folha RJ, Luciana Boschi entende que “Protagonistas são aqueles que não se conformam com sua situação e têm atitude para mudar”.

Eles não fazem o papel de vítimas. Ao invés de sentar e lamentar, resolvem encarar a situação e partem para alcançar seus objetivos.

Protagonistas administram suas próprias carreiras. Para isto, é necessário fazer um planejamento considerando algumas variáveis:

  • onde estou;
  • aonde quero chegar; e
  • o que fazer para concretizar minha meta.

O profissional que é protagonista avalia suas competências técnicas e comportamentais. Identifica suas habilidades natas e as competências adquiridas nos cursos e estágios realizados, nos idiomas que domina.

Tudo isso faz parte do autoconhecimento. Aliás, você se conhece?

<<< Autoconhecimento >>>

Conhecer a si mesmo é uma tarefa que não para. A cada momento da vida você muda. Seja honesto com você. Autoconhecer-se é imprescindível para o sucesso na carreira.

Luciana Boschi considera que “Identificar quais competências dominamos, as que precisamos desenvolver e em que áreas podemos encontrar maior realização pessoal e profissional, vai facilitar a trajetória suavizando os espinhos e tropeços, além de diminuir as chances de tentativas frustradas”.

Manter uma carreira de sucesso não é nada fácil, principalmente num cenário com alto grau de competitividade

As oportunidades estão em toda parte. Basta identificá-las. Quando você conhece suas fortalezas e os pontos fracos, torna-se mais fácil escolher e agarrar a oportunidade que lhe interessou.

Fique atento a todas as oportunidades, inclusive dentro da empresa onde trabalha. Com esta atitude, você conhecerá outras áreas. E também vai se especializar e atuar de forma que faça a diferença no mercado.

A gerente de Recursos Humanos Rosilene Senna entende que, “para ser protagonista da sua própria carreira”, pelo menos essas dicas devem fazer parte de sua conduta:

Ser proativo

Proatividade e conhecimento nunca são demais.

Um profissional que sabe tudo sobre sua área e busca conhecer as demais sempre sairá na frente.

Demonstre no dia a dia seu interesse pelo seu trabalho, dê dicas de melhorias e esteja sempre atento às políticas da empresa.

Contribuir com outras áreas

“Isso não faz parte da minha função” é uma frase que deve ser excluída do seu dicionário.

Contribuir com outras áreas pode facilitar ainda mais seu trabalho. Muitos processos e pendências podem ser melhorados se todos trabalharem juntos.

Além disso, é uma oportunidade de mostrar seu compromisso com a empresa e a disposição de colaborar com a equipe. 

Manter boas relações

Contatos são essenciais dentro de uma corporação.

Um bom networking profissional é o canal para novas oportunidades e desafios dentro da empresa, além de gerar sinergia entre todos os colaboradores e deixar o ambiente mais leve.

Ser polivalente

Em um mercado de ampla concorrência, esse é o tipo de profissional que terá destaque.

O que muitas empresas buscam hoje em seus processos seletivos são pessoas versáteis, que desempenham funções variadas.

Isso não significa trabalhar mais, significa ter mais interesse e disponibilidade para assumir novos desafios.

Resiliência

Resiliência e foco devem caminhar juntos.

Foco para estabelecer e cumprir metas traçadas. Resiliência para lidar com obstáculos e pressões do dia a dia, enfrentando as questões com serenidade e competência.

No ambiente profissional, tudo é consequência de muito trabalho e dedicação. Se houver alguma adversidade, se concentre no que é mais importante para superar esse momento e siga em frente!

Brilho nos olhos, energia e otimismo podem ajudar a construir uma trajetória bem-sucedida e feliz.

___ *** ___ *** ___

Atitudes que fazem você perder oportunidades

No entanto, não basta adotar atitudes proativas. Fique atento àquelas que fazem você perder oportunidades.

Artigo da empresa RHNossa sobre o assunto apresentou algumas orientações da Presidente da Sociedade Brasileira de Coaching, Villela da Matta, para “evitar atitudes que acabam atrasando a carreira.

Com a palavra, Villela da Matta:

Falta de interesse

Não inteirar-se sobre os procedimentos da empresa pode ser interpretado pelos gestores como falta de interesse pela organização.

Incompatibilidade com o perfil da empresa

Quando a personalidade e os valores do indivíduo não correspondem aos da organização insistir no emprego é um erro.

Falta de compromisso

Comparecer ao emprego todos os dias não é suficiente para demonstrar compromisso com o trabalho. A empresa precisa de resultados e não apenas de ações.

Faltas

Faltar por qualquer motivo pode ser interpretado como descaso. E, se o funcionário parece não precisar da empresa, a organização também acaba não precisando dele.

Má utilização de recursos

Utilizar os recursos da empresa de forma imprópria é mais um ato a ser evitado.

Não use o telefone da organização para assuntos pessoais, use o computador apenas para o trabalho e deixe para conferir as redes sociais e compras online para casa.

Falta de responsabilidade

Esquecer compromissos é inevitavelmente percebido como irresponsabilidade e desinteresse.

Excesso de ego

Ter o ego muito elevado e não admitir erros são atitudes que prejudicam a sua evolução profissional.

Humildade é uma característica essencial para quem deseja conquistar o respeito de todos na empresa e oportunidades de promoção.

Ócio criativo

Exercite a capacidade de procurar soluções inovadoras e eficazes para os problemas e desafios que surgem nas empresas todos os dias, esforçando-se para ser um colaborador criativo e proativo.

Falta de bom senso

Falar mal do chefe ou de alguém importante da empresa atrasa a carreira, além de demonstrar falta de ética e de respeito. Portanto, meça bem as palavras e evite comentários indelicados.

Atrasos

Cumprir seu horário de entrada e saída é um passo importante. Atrasos, mesmo de poucos minutos, demonstram falta de responsabilidade com a empresa e com os clientes.

Referências

Rosilene Senna é gerente de Recursos Humanos da Aliança Navegação e Logística e da Hamburg Süd.

Luciana Boschi.

Teoria da liderança servidora

Share

por Ronaldo Lundgren.

Teoria da liderança servidora

“The servant-leader is servant first…” (Robert Greenleaf)

teoria da liderança servidora

Depois DA MISSA das sete e meia, resolvi ir até o quarto para buscar um agasalho antes do café da manhã. Quando entrei, ouvi barulho no pequeno banheiro e por isso gritei: - Tudo bem, Lee?

- Não é Lee - veio a resposta. - Estou apenas tentando consertar o vazamento do vaso sanitário.

Meti a cabeça para dentro do banheiro e me deparei com um frade idoso, de quatro no chão, mexendo nos canos do vaso sanitário. Levantou-se vagarosamente e me vi frente a um homem no mínimo uns dez centímetros mais alto do que eu. Com um trapo, ele limpou a mão e a estendeu para mim. - Olá, sou o irmão Simeão. Prazer em conhecê-lo, John.

Era Len Hoffman, mais velho do que na foto da Internet, com o rosto enrugado, maçãs do rosto salientes, queixo e nariz proeminentes e cabelos brancos um pouco compridos.

Minha mão se sentiu pequena em sua mão enorme e poderosa, e eu abaixei os olhos para o chão, embaraçado. Ali estava uma lenda do mundo dos negócios, alguém que ganhava uma fortuna por ano no auge de sua carreira, consertando meu vaso sanitário! (trecho do livro O Monge e o Executivo)

Como conciliar a liderança com o “servir” a um grupo? A teoria da liderança servidora explica este estilo de liderar. Ela representa uma mudança radical no modo como um líder é percebido pelo grupo. Aquela figura de que tudo sabe para uma atitude de servir.

Sucesso em uma organização

Para uma organização ter sucesso, as pessoas precisam ter poder (empowerment). O bem-estar dos seguidores deve estar em primeiro lugar.  Esta é a base da liderança servidora.

A própria liderança servidora é um conceito paradoxal. Normalmente, as pessoas vêem os servidores e líderes como pessoas totalmente diferentes. É mesmo difícil conceituar um indivíduo como sendo ambos ao mesmo tempo.

A raiz desse tipo de liderança está fundamentada nos trabalhos de Robert Greenleaf. Segundo Greenleaf,

“O líder-servidor é primeiro servidor … Começa com o sentimento natural de alguém que quer servir. Com o tempo, esse indivíduo aspira assumir um papel de liderança. Essa pessoa é diferente de alguém que é líder e talvez,  por necessidade em atenuar seu poder, adota uma postura  mais voltada para os interesses dos colaboradores”.

De acordo com Greenleaf, os líderes servidores colocam seu serviço diante do interesse próprio. Ganham confiança por serem confiáveis. Ajudam os outros a se descobrirem. Ouvem ativamente os problemas do grupo, em vez de impor sua vontade aos outros.

Características de um líder servidor

Tem havido um interesse crescente na aceitação da teoria de liderança servidora proposta por Greenleaf. São dez as características identificadas de um líder servidor:

  • Escutar
  • Empatia
  • Recuperar
  • Consciência
  • Persuasão
  • Contextualização
  • Previsão
  • Assistência
  • Compromisso com o crescimento das pessoas
  • Criação de sentimento de comunidade

Liderança transformacional X Liderança servidora

Muitos pesquisadores argumentam que a liderança servidora é essencial para o sucesso organizacional.

Para os autores, a liderança servidora é mais eficaz do que a liderança transformacional em ambientes estáveis. Como exemplo, nas organizações religiosas, voluntárias e sem fins lucrativos.

Eles também argumentaram que a eficácia da liderança servidora é baseada no estágio do ciclo de vida da organização.

No estágio de maturidade, quando a preocupação com os funcionários e o crescimento pessoal é primordial, a liderança servidora é a forma mais eficaz de liderança.

A falta de liderança servidora criará um ambiente de trabalho disfuncional e improdutivo. Os pesquisadores Sen Sendjaya e James Sarros examinaram o fundamento filosófico da liderança servidora e sugeriram que os líderes servidores assumissem tanto o papel quanto a natureza de um servidor. Eles refutaram a afirmação de outros pesquisadores de que a liderança servidora não é ideal nas organizações, afirmando que ela existe e continuará a fazê-lo.

Críticas

Embora esse tipo de liderança tenha sido reconhecido na literatura, não há evidências empíricas suficientes que justifiquem sua validade.

O professor Gary Yukl argumenta que a maioria das evidências sobre o impacto da liderança servidora consiste em relatos e estudos de caso de líderes históricos. Segundo Peter Northouse, a maioria dos relatos é descritiva e não foi testada por metodologias qualitativas ou quantitativas de pesquisa.

Como resultado, os pesquisadores desenvolveram diferentes construções para definir a liderança servidora (por exemplo, Barbuto e Wheeler, 2006; Laub et al., 1999; Liden et al., 2008; e Page e Wong, 2000). Os numerosos construtos desenvolvidos são prova de que os pesquisadores conceitualizam e medem a liderança servidora de maneira diferente. Isto apenas aumenta a necessidade de uma abordagem uniforme para medir o fenômeno.

A eficácia da liderança servidora em todos os contextos tem gerado controvérsia entre os pesquisadores. Gill (2011) argumenta que as teorias de liderança servidora ignoram as muitas demandas que uma organização apresenta, especialmente nos negócios, onde o bem-estar e a satisfação dos stakeholders vêm antes dos interesses dos funcionários.

A liderança servidora também falha em explicar claramente como tal líder lidará com medidas drásticas, como redução de pessoal, que devem ser realizadas para melhorar a organização.

Considerações finais

Com organizações lidando com mudanças e turbulências, a liderança servidora pode não ser adequada em um contexto dinâmico. No entanto,  Russell e Stone (2002, p. 154) entendem que “a liderança servidora é um conceito que, potencialmente, muda organizações e sociedades, porque estimula a metamorfose pessoal e organizacional”.

Referências

Christian Harrison. Leadership Theory and Research: A Critical Approach to New and Existing Paradigms.

As 10 qualidades que todo líder deve possuir

Share

As 10 qualidades que todo líder deve possuir

qualidades que todo líder deve possuir

O texto a seguir foi publicado em The Art of Manliness. É um trecho do Manual de Infantaria do Centro de Preparação dos Oficiais da Reserva dos EUA(*), do ano de 1942. Seria difícil encontrar um melhor resumo das principais qualidades de um líder.

Quais são as qualidades que todo líder deve possuir?

Há muitas tentativas de listar as boas qualidades que um líder deve possuir. Também, pesquisadores buscam as características indesejáveis. Aquelas ​​que o líder não deveria ter ou, se as tiver, pelo menos, minimizá-las.

Geralmente, essas listas servem apenas para desencorajar o aspirante à liderança. Isto porque, em suma, elas descrevem um ideal inatingível. No entanto, para moldar os esforços em seu auto-desenvolvimento, é necessário um guia a seguir. Só assim, é possível acompanhar o progresso na sua preparação para liderar, orientar e dirigir seus colaboradores. As qualidades aqui apresentadas são comprovadas por jovens que as seguiram e tiveram a oportunidade de testá-las em combate.

As qualidades do líder podem ser agrupadas de acordo com métodos diferentes. Elas podem ser separadas em características pessoais e capacidades profissionais. Podem também, ser classificadas como qualidades físicas, mentais e morais. E ainda, serem consideradas como aquelas qualidades relacionadas ao próprio líder e aquelas relacionadas aos indivíduos que ele aspira liderar.

Apenas listar as qualidades desejáveis ​​de um líder seria pouco efetivo. Porém, entender o conceito de algumas dessas qualidades servirá para dois propósitos importantes:

  • ilustrar as características pelas quais devemos observar nos outros; e
  • nos esforçar para desenvolvê-las em nós mesmos, a fim de nos prepararmos para sermos melhores líderes.

Vejamos então, essas qualidades

Lealdade

Nenhuma qualidade é mais importante que a lealdade. É essencial tanto para o líder quanto para o seguidor, pois funciona dos dois lados do indivíduo. A lealdade para baixo não é menos importante do que a lealdade para cima.

A lealdade gera lealdade. Um evidente senso de devoção aos interesses de seus seguidores por parte de um líder é garantia de cooperação fiel e voluntária de sua parte.

Simplicidade

Ser simples é não complicar. Muitas vezes, a falta de simplicidade é fruto da ignorância profissional. É falta de autoconfiança. E ela se manifesta por uma tentativa de escondê-las por ordens, explicações ou condutas vagas e complicadas.

Os melhores resultados no desempenho de uma tarefa são obtidos por métodos simples e diretos. Onde o fim a ser alcançado e os meios para esse fim são claramente entendidos pelo líder. E, depois, através de seus esforços, claramente compreendidos por seus homens.

Autocontrole

Ninguém pode liderar os outros até que ele possa se controlar adequadamente. Somos rápidos em perceber a maestria no homem que pode dominar a si mesmo. O líder que, quando comete erros, perde a paciência e grita com seus subordinados, sacrifica em grande medida a cooperação voluntária deles no trabalho em equipe.

Tato

Ter tato é possuir um senso de adequação das coisas, de quando e como agir. É um lubrificante inestimável para a conduta das relações humanas. Quando falta tato, desenvolve-se fricção na equipe, tornando-a menos eficiente. Para ter tato, necessita-se da simpatia, gentileza, generosidade e respeito aos direitos dos outros. O tato contribui para obter o desempenho alegre e sincero dos colaboradores.

Energia, Entusiasmo, Diligência

A inação diante de uma situação que requer medidas positivas produz fracasso. Ter capacidade e não possuir vontade acarreta insucesso. Muitos líderes medíocres conseguiram êxito por pura energia e perseverança. Esta qualidade permite liderar os outros na realização de um fim comum.

O entusiasmo gera entusiasmo. Também incita outros a esforços dos quais, de outra forma, não se sentiriam capazes. Um homem só está derrotado quando ele assim se sente. Frequentemente, a derrota iminente foi transformada em vitória através da inspiração enérgica e entusiástica fornecida pelo líder.

Senso Comum, Julgamento, Perspicácia

Costuma-se dizer que o senso comum é um dos atributos mais incomuns do indivíduo. Mas o exercício do bom senso é, em grande parte, a base da liderança ativa. Conhecimento é o pano de fundo do senso comum e julgamento. A perspicácia denota rapidez de percepção, agudeza de discernimento e talento na dedução. O líder que antecipa o que seus companheiros farão sob certas circunstâncias, possui qualidades que o colocam em um alto nível de liderança.

Sinceridade

Sinceridade de propósito, como entusiasmo, em um líder é logo transmitida àqueles a quem ele deseja liderar. Falsidade, hipocrisia e blefe são facilmente desmascarados. Aquele que tenta esconder sua ignorância ou ocultar seus erros logo será “destronado”. E pior, deixará de ser aceito pelos companheiros de equipe.

Justiça e imparcialidade

Um senso de justiça e a vontade de ser justo e imparcial com todos os colaboradores são essenciais ao líder. O grau de respeito, de admiração e até mesmo de afeição que os liderados dedicam ao líder, é medido pela fé que eles têm nele.

Essa dedicação  é, em grande medida, determinada por seu senso de justiça e de imparcialidade. Em pequenas coisas, mais do que em grandes coisas, o efeito desmoralizante da parcialidade ou injustiça se faz sentir. A justiça, no entanto, não exige uma tirania dominadora, intimidadora ou agressiva.

Geralmente, essas são indicações de incompetência ou falta de fé secretamente admitidas em seu próprio julgamento ou decisão. Tais medidas são destrutivas em vez de corretivas. Nem é necessário ou desejável, a fim de ser justo, ser excessivamente tolerante, negligente ou persuasivo, pois essas qualidades corromperão rapidamente uma organização por falta de respeito. Mesmo um tolo pode derrubar, mas é preciso um homem de mente e caráter para construir.

Disposição para aceitar a responsabilidade

A vontade de aceitar a responsabilidade é o principal traço de liderança. Responsabilidade em agir, mesmo que o resultado não seja o melhor. Todo líder deve sempre lembrar que a inação e a perda de oportunidades são piores do que um erro na execução de uma decisão tomada. O critério pelo qual um líder julga a solidez de sua própria decisão é se ele irá promover as intenções do seu líder superior.

Iniciativa e Visão

A fim de ter uma disposição para aceitar a responsabilidade, o indivíduo deve ter iniciativa e visão. Muitas causas foram perdidas por falta de previsão e visão por parte dos responsáveis ​​pela programação do caminho a ser seguido. Muitos insucessos acontecem porque o encarregado não fez nada. É muito melhor fazer qualquer coisa inteligente, com vontade, do que esperar pela solução ideal. Isto exige iniciativa, bem como a disposição para aceitar a responsabilidade e agir.

Organizações e grupos de indivíduos, freqüentemente, exibem uma acomodação com a situação. Não querem mudanças. Permanecem em repouso ou continuam na mesma direção. Só acontece alteração quando o líder a provoca. Imaginação e criatividade da mente são atributos que facilitam o exercício da iniciativa e visão.

Considerações finais

As qualidades apresentadas servem para o estudo do indivíduo que aspira a se tornar um líder. Esta é apenas uma abordagem. Existem centenas de abordagens. Contudo, acredito que, uma análise cuidadosa e a aplicação dessas qualidades, permitirão que você se torne um líder. 

Em suma, cada indivíduo possui qualidades inerentes que podem ser moldadas em liderança. Alguns acham mais difícil alcançar do que outros, mas todos os líderes têm uma característica em comum: o desejo inalterável de se tornar um líder.

Referências

The Art of Manliness – “The 45 Qualities Every True Leader Must Have”.

(*) ROTC – Reserve Officers’ Training Corps (ROTC) are a group of college and university-based officer training programs for training commissioned officers of the United States Armed Forces. (Os Corpos de Treinamento de Oficiais de Reserva (ROTC) são um grupo de programas de preparação de estudantes universitários para se tornarem oficiais comissionados das Forças Armadas dos Estados Unidos).

O que torna um líder eficaz?

Share

por Ronaldo Lundgren.

O que torna um líder eficaz?

Como formar a próxima geração de líderes

o que torna um líder eficaz

A liderança faz a diferença. E ela é boa quando um líder consegue nos inspirar. Quando ele nos empolga ou até mesmo quando temos autonomia para trabalhar. Embora seja fácil identificar uma boa liderança, é mais difícil responder a esta pergunta: “O que torna um líder eficaz?“.

A eficácia de um líder começa com ele próprio. Todos conhecemos uma série de capacidades relacionadas ao líder. Ele precisa construir boas redes de relacionamento. Também precisa inovar. E não basta orientar como fazer, ele precisa executar. Outras capacidades envolvem:

  • formar equipes;
  • gerenciar pessoas;
  • comunicar;
  • ter bom senso;
  • agir com inteligência emocional; e
  • ter um caráter ilibado.

Seus colaboradores esperam que você deixe claro o que deseja que eles saibam e façam. Mesmo sem esgotar o rol de capacidades, você deve ajudar outros a liderar.

É comum identificar líderes que possuem algumas dessas características. Normalmente, eles priorizam um grupo delas. Muitos seguem modismos, sem garantir o sucesso de sua liderança. No entanto, existe algo de comum entre os líderes? Se há, é possível reuni-los em um modelo?

Modelo comum a todos os líderes

Será que existe um modelo de conhecimento, habilidades e valores comuns a todos os líderes eficazes? Para responder a esta pergunta, é importante conhecer a sua evolução histórica. O fato de a liderança evoluir com o tempo, onde cada novo estágio surge com base no estágio anterior, é confirmado por estudos sobre o tema.

Esta evolução caminhou ao longo da seguinte estrada:

  • identificação das principais características físicas do líder;
  • o estilo de liderança;
  • a situação vivida determina a maneira de liderar;
  • as competências são fatores fundamentais para o exercício da liderança;
  • os resultados são mais importantes do que as competências; e
  • o comportamento dos funcionários reflete a marca da liderança.

Durante esta evolução, inúmeros livros foram escritos. Diversas teorias foram propostas. Um sem número de pesquisas foram realizadas. Do estudo de todo esse material, verificou-se que a liderança envolve duas partes principais. A primeira considera que os líderes possuem, entre 60 a 70%, de  comportamentos comuns. E a segunda afirma que, os 30 a 40% restantes, são compostos pelos diferenciadores (*). Ou seja, o que diferencia são a estratégia e a visão da empresa, bem como os requisitos específicos de cada tarefa.

Os 70% de comportamentos comuns

Os comportamentos comuns aos líderes foram estruturados por Dave Ulrich (e outros) no livro Definindo o Código da Liderança. Para os autores, tais comportamentos se estruturam em duas dimensões:

  1. Tempo; e
  2. Atenção.

Por que tempo? Porque os líderes eficazes conseguem agir tanto no curto prazo quanto a longo prazo”. Os autores identificaram que os líderes eficazes planejam o futuro. Também, que definem o contexto em que a empresa e o seu pessoal vencerão.

Esse planejamento do futuro “pode assumir a forma de uma visão, intenção, propósito, missão, estratégia, meta, objetivo ou plano”. Os autores consideram ainda, que “os líderes criam uma imagem confiável e otimista de um futuro” para todos aqueles que se relacionam com a empresa. Os líderes estabelecem uma relação entre o futuro e o presente, transformando aspirações em ações.

Por que atenção? Porque “os líderes eficazes sabem quando precisam se concentrar na construção da empresa e de suas capacidades e quando precisam mudar o foco para os indivíduos e as suas habilidades. Também conseguem combinar esses dois aspectos”.

Por vezes, os líderes dedicam sua atenção aos talentos de seus colaboradores. Com isso, formam equipes de estrelas. Em geral, tais equipes, não conseguem superar equipes de alto desempenho. Portanto, é tarefa do líder transformar os talentos individuais em capacidades empresariais.

Em termos de indivíduos, é importante que o líder defina seu modelo, de forma a ser percebido e adotado pelos colaboradores. Afinal, a liderança começa pelo próprio indivíduo. Quem tem autocontrole terá melhor condição de liderar.

E agora, o que fazer?

Líderes precisam formar novos líderes. As competências de liderança representam as habilidades e o conhecimento. Também, representam a perspectiva necessária para que os líderes façam a passagem rumo à alta liderança.

Dave Ulrich defende que o caminho de preparação de novos líderes tem como farol:

  • O coaching fornecido pelo gerente direto do líder;
  • Rotatividade no trabalho e designação de tarefas; e
  • Aprendizado em ação.

No entanto, para alcançar o resultado desejado, é fundamental o acompanhamento de perto. Para sustentar a liderança ao longo do tempo, um processo de acompanhamento deve ser estruturado. Só assim será possível que as práticas empresariais estejam alinhadas para o sucesso.

Referência(s)

(*) Este post tomou por base o livro de Dave Ulrich, Norm Smallwood, Kate Sweetman: O Código da Liderança – Editora BestSeller.

Como reconhecer o vício em trabalho e mudar para uma rotina intensa, mas saudável

Share

por Melody Wilding.(*)

vício em trabalho

Como reconhecer o vício em trabalho e mudar para uma rotina intensa, mas saudável

Não seja um “mártir de trabalho”

Pode ser difícil identificar um workaholic, especialmente em uma cultura que aplaude a devoção em fazer as coisas e uma mentalidade de “vá em frente ou vá para casa”. Mas amar o seu trabalho e ser emocionalmente dependente disso são duas coisas muito diferentes. Quando você não está mais no controle total de suas ações e comportamento, isso é um sinal de vício.

Workaholic é a necessidade incontrolável de trabalhar incessantemente.

De fato, quando o psicólogo americano Wayne Oates cunhou o termo workaholic pela primeira vez há 50 anos, ele o definiu como “a necessidade incontrolável de trabalhar incessantemente”.

Engajado ou Obcecado?

O que separa “ser um funcionário envolvido” de “ser um funcionário obcecado pelo trabalho? A resposta é Motivação. Se você tem uma paixão pelo que faz, sente-se absorvido e com prazer nas tarefas. Ainda mais, se pode delegar com eficiência, provavelmente, você é um trabalhador engajado.

Por outro lado, se você sente uma compulsão interna por trabalhar. Sente emoções, positivas ou negativas, com seu desempenho e costuma ter pensamentos negativos – você pode ser um workaholic.

Embora existam algumas variações nas definições, os workaholics geralmente exibem essas três características:

  • Eles se sentem obrigados a trabalhar devido a pressões internas.
  • Eles persistentemente pensam em trabalhar fora do expediente e em diferentes configurações.
  • Eles trabalham além do que é razoavelmente esperado, apesar das consequências para sua saúde, bem-estar e relacionamentos.

O psicoterapeuta Bryan Robinson resume de forma sucinta: “Workaholism não é definido por horas. É definido pelo que está acontecendo dentro de nós”.

Sinais e Sintomas do Vício em Trabalho

Como você pode saber se é simplesmente um trabalhador ou se sua obsessão é um pouco profunda demais? Aqui estão algumas bandeiras vermelhas a serem observadas:

  1. Você não se lembra da última vez que faltou ao trabalho por problema de saúde.
  2. Você pensa em trabalho o tempo todo, inclusive quando está tentando relaxar.
  3. Você responde a e-mails imediatamente, mesmo que não sejam urgentes.
  4. Você não confia em outras pessoas de sua equipe para fazer o trabalho de acordo com seus padrões.
  5. Seus relacionamentos estão desaparecendo porque você está preocupado com o trabalho.
  6. Você tem problemas para “desligar” à noite.
  7. Você tem pesadelos ou insônia relacionados ao estresse.
  8. Você é irritável, impaciente ou tem explosões de raiva.
  9. Você tem sintomas físicos, como dor no peito e falta de ar.
  10. Mais frequentemente do que não, você se sente inadequado e julga-se por não ter feito o suficiente.

Com o tempo, os viciados em trabalho experimentam a síndrome de desagregação. Eles parecem que estão bem por fora, mas por dentro é o caos. É a conclusão de um estudo realizado sobre o assunto. A pesquisa aconteceu com funcionários de uma grande empresa de consultoria financeira. O estudo descobriu que pessoas com mentalidade de trabalho compulsiva relatam mais dores de cabeça, insônia e ganho de peso. Pior de tudo, eles tinham um risco maior de síndrome metabólica, o que contribui para doenças cardíacas, derrame e diabetes.

O vício do trabalho também causa estragos na vida familiar. Filhos de workaholics pontuaram 72% mais em medidas de depressão do que filhos de alcoólatras. E as esposas de workaholics (talvez sem surpresa) relatam estarem infelizes em seus casamentos. Afinal, é difícil amar alguém que nunca está presente, física ou emocionalmente.

Mudando para uma rotina agitada, porém saudável

Não é nenhum segredo que, hoje, ser louco é um modo de vida. Afinal, chefes são exigentes. As empresas esperam compromisso.

Alguns workaholics pensam que mudar de emprego ou de carreira profissional,  magicamente, resolverá o problema. Infelizmente, essa solução rápida raramente é a solução. Muitas pessoas acabam levando seus métodos workaholic para um novo local.

Contudo, é possível encontrar um meio termo de “agitação saudável”. Conforta saber que você pode ser grande e ambicioso, e sem muito estresse. Depois de começar a mudar seus hábitos e pensamentos, você pode quebrar o ciclo de excesso de trabalho.

1. Reconheça as conseqüências

Identifique o resultado oculto de seu vício em excesso de trabalho. As pessoas geralmente não repetem um comportamento, a menos que obtenham algum benefício positivo dele.

Está ficando mais tarde no escritório como uma maneira de evitar seus problemas conjugais? Será que ter muita coisa na sua lista de tarefas tem uma necessidade psicológica mais profunda de se sentir validado?

2. Confrontar os custos

Seja radicalmente honesto sobre o que o workaholism está lhe custando. Converse com seus amigos e familiares sobre como seus hábitos os afetaram. Pergunte quais alterações eles gostariam de ver. Você provavelmente descobrirá que, em vez de ser crítico, eles expressarão o quanto sentem sua falta e se importam em ver você feliz.

3. Abandone a mentalidade de tudo ou nada

Você não é um fracasso porque não realizou todos os itens em sua lista de tarefas. Você não é preguiçoso se tirar um fim de semana (ou dois!) de folga.

Observe quando você está com este tipo de pensamento inútil. Tenha alguma compaixão por você mesmo. Tire alguma folga do trabalho. Você não é perfeito; você é humano.

Remova as palavras “eu deveria” do seu vocabulário. Troque “Estou ocupado” por “Estou focado”. Diga apenas coisas a si mesmo que diria a um amigo próximo.

Referências

Este post é tradução do artigo “How to Recognize Work Addiction and Shift to a Healthy Hustle“, de Melody Wilding – Professora de Comportamento Humano. Coach.

Liderança na administração pública

Share

por Ronaldo Lundgren.liderança no serviço público

Liderança na administração pública

As livrarias estão abarrotadas de teorias sobre Liderança. Muitos textos são publicados e mesmo assim ainda não há uma compreensão simples e aceita sobre o assunto.

Não resta dúvida que o fenômeno “liderança” é fundamental para a prática da Administração.

A liderança foi se repensando à medida que a sociedade vivenciava transformações, nos seus mais diversos planos:

  • social;
  • tecnológico;
  • político;
  • econômico;
  • cultural;
  • ecológico; e
  • ético.

Apesar de dispormos de grande variedade de estudos relacionados à liderança, pouco se encontra a respeito da liderança dentro do serviço público.

Essa escassez de estudos talvez possa estar associada ao imaginário de que burocracias são movidas por forças que se encontram além do controle de líderes.

A temática da liderança no serviço público passa a ter maior importância. Afinal, as forças que atuam além do controle dos líderes, os impedindo de agir e tornando a administração rígida, tendem a diminuir.

Evolução da liderança

Ao realizar um breve resgate histórico sobre liderança, verifica-se que o início dos estudos científicos sobre o assunto aconteceu no século XX. Desde então, algumas teorias foram propostas.

A teoria do grande homem e a teoria de características embasaram todo o desenvolvimento teórico sobre o tema até a metade da década de 1940.

A primeira, fundamentada no pensamento aristotélico, defendia a ideia de que alguns seres humanos nascem líderes e outros para serem liderados.

Já a segunda, apresentava a ideia de que alguns indivíduos têm determinadas características ou traços de personalidade que lhes permitem serem melhores líderes que outros.

Essas teorias sofrem oposição nos dias de hoje. Acredita-se que a liderança é uma competência que pode ser desenvolvida.

As teorias que tratam de liderança em são grupadas em três grupos:

  1. Teoria de traços de personalidade;
  2. Teorias sobre estilos de liderança; e
  3. Teorias situacionais de liderança.

A Teoria dos Traços de Personalidade

Esta teoria distinguia o líder dos liderados por meio de características de personalidade (físicas ou habilidades cognitivas).

Um traço é uma qualidade ou característica distintiva da personalidade. Segundo essa teoria, o líder é aquele que possui alguns traços específicos de personalidade que o distinguem das demais pessoas. Pode ser um traço físico, intelectual, emocional ou cognitivo.

As teorias comportamentais de liderança

Elas surgiram com a Segunda Guerra Mundial. São as teorias que estudam os possíveis estilos de comportamento do líder em relação aos subordinados. Ou seja, as maneiras pelas quais orienta sua conduta.

Enquanto a abordagem dos traços se refere aquilo que o líder é, a abordagem dos estilos se refere aquilo que o líder faz. Assim, o líder seria predominantemente autocrático, liberal ou democrático.

As teorias situacionais de liderança

Elas argumentam que o líder deve agir conforme a situação se apresenta. Ele deve refletir se o caso necessita de uma posição mais autocrática, mais democrática ou até mesmo mais liberal.

Para os pressupostos da liderança situacional, não existe um estilo de liderança que possa ser considerado o melhor ou predominante, de forma a produzir sempre os melhores resultados, mas sim um estilo mais adequado para cada situação.

Administração Pública no Brasil

É possível identificar três momentos pelos quais passou a administração pública brasileira:

  • a Administração Patrimonialista, anterior a 1937;
  • a Administração Burocrática, entre 1937 e 1995; e
  • a Administração Gerencial, pós 1995 até o presente momento.

A evolução destes modelos foi gradual e não excludente, percebendo-se ainda hoje as três influências na Administração Pública.

Administração patrimonialista

Nesse tipo de administração o Estado era entendido como propriedade do rei.

O nepotismo e o empreguismo, senão a corrupção, eram a norma.

Esse tipo de administração revelar-se-á incompatível com o capitalismo industrial e as democracias parlamentares, que surgem no século XIX.

É essencial para o capitalismo a clara separação entre o Estado e o mercado. A democracia só pode existir quando a sociedade distingue-se do Estado ao mesmo tempo em que o controla.

Tornou-se assim necessário desenvolver um tipo de administração que partisse não apenas da clara distinção entre o público e o privado, mas também da separação entre o político e o administrador público.

Administração burocrática

Surge assim a administração burocrática moderna.

A administração burocrática, proposta por Weber, passou a ser, então, o modelo adotado, afinal era uma alternativa muito superior à administração patrimonialista.

O modelo burocrático trouxe grande evolução à administração pública brasileira, pois enfatizava os procedimentos e tinha como foco o controle das atividades, tentando desta forma extirpar os traços da administração patrimonialista do estado brasileiro.

A administração burocrática buscava introduzir no aparelho administrativo do país a centralização, a impessoalidade, a hierarquia, o sistema de mérito e a separação entre o público e o privado, visando constituir uma administração pública mais racional e eficiente.

No momento em que o pequeno Estado liberal do século XIX deu definitivamente lugar ao grande Estado social e econômico do século XX, verificou-se que a administração burocrática não garantia nem rapidez, nem boa qualidade, nem custo baixo para os serviços prestados ao público.

Na verdade, a administração burocrática era lenta, cara, autorreferida, pouco ou nada orientada para o atendimento das demandas dos cidadãos.

O reconhecimento de que a administração burocrática não mais correspondia às demandas que a sociedade apresentava aos governos impulsionou a busca por um novo modelo de administração.

Administração gerencial

Era necessário um novo modelo de administração para as organizações públicas. Daí, veio a administração gerencial a partir do aperfeiçoamento do modelo burocrático.

Este novo modelo baseia-se em um conjunto de novas iniciativas firmadas nos conceitos de eficiência, eficácia, produtividade, qualidade total, clientes, metas, resultados e parcerias.

A administração gerencial deve ser construída sobre a administração pública burocrática. Não se trata de exterminar de vez a administração burocrática, mas aproveitar suas conquistas e seus aspectos positivos.

A superação da administração burocrática e dos traços do patrimonialismo existentes no setor público foi obtida com a introdução da administração gerencial, contemplando:

  1. autonomia gerencial, com flexibilidade de gestão;
  2. alcance de resultados sob a ótica da eficiência, eficácia e efetividade, com a reorientação dos mecanismos de controle, no caso, de procedimentos para resultados;
  3. foco no cidadão, ao invés de autorreferida; e
  4. controle social, com a introdução de mecanismos e instrumentos que garantam a transparência e a publicidade da política e da ação governamental, assim como a participação e controle por parte do cidadão.

em direção ao setor privado

Sendo assim, podemos dizer que com o advento da administração gerencial, o setor público caminha para um estilo de gestão mais parecido com o do setor privado.

Os gestores e líderes das organizações públicas passam a não apenas controlar os processos existentes, mas também a buscar alcançar os resultados esperados com maior eficiência, eficácia e efetividade, levando sempre em consideração o cliente final, o cidadão.

Não se pode mais vislumbrar uma administração autorreferida, desatenta com os custos, sem enxergar a satisfação do usuário do serviço público.

Isso nos leva a discutir um dos principais fatores que impactam na busca pelo melhor resultado – as pessoas, ou seja, os servidores que executarão os serviços públicos.

A liderança no serviço público passa a ser assunto importante na administração pública gerencial. Afinal, a chave para melhorar o desempenho dos governos é a formação, desenvolvimento e manutenção de equipes de trabalho motivadas e comprometidas com as instituições. Ainda, comprometidas com as missões primordiais do Estado: prestar serviços de qualidade à população e induzir o crescimento econômico do país.

E é aí que vislumbramos o papel da liderança no serviço público.

Liderança na administração pública gerencial

Ao longo dos anos, instituem-se nas organizações públicas, políticas de governança baseadas em estruturas verticais e sólidas.

Isso fazia com que cada pessoa soubesse exatamente o que deveria fazer e quem eram as pessoas responsáveis por dar as ordens; a flexibilidade era muito baixa e os profissionais funcionavam como que em uma grande máquina, cuja velocidade de trabalho era ditada de cima para baixo.

Maior autonomia

Hoje, com a administração gerencial, as pessoas assumem maior autonomia e maior flexibilidade de gestão.

A verticalização deu espaço aos organogramas horizontais. Os resultados não são mais vistos apenas como fruto da somatória dos bons desempenhos pessoais, é preciso que toda uma equipe se motive e conquiste objetivos comuns.

A figura do profissional centralizado foi substituída pelos líderes, capazes de interagir com uma série de indivíduos, estimulando-os a obter os melhores resultados, da maneira mais colaborativa possível e ainda priorizando o autodesenvolvimento.

Administração pública X Administração corporativa

Um traço parece caracterizar a gestão pública brasileira contemporânea: a adoção de conceitos, discursos e práticas gerenciais típicas do mundo corporativo.

Criatividade, postura empreendedora, inovação gerencial, gestão por resultados, contratos de gestão, gestão por competências são alguns dos termos e expressões que, paulatinamente, aderem ao vocabulário cotidiano das diversas instâncias da gestão pública nacional.

Influenciadas pela disseminação de concepções neoliberais, calcadas nas noções de estado mínimo e gestão por resultados, as instituições públicas cada vez mais aparentam aderirem à lógica de mercado, concebendo o cidadão como cliente e adotando novas políticas e práticas de gestão, conforme disseminadas na esfera privada.

Nesse sentido, as organizações públicas se veem pressionadas a reverem suas estruturas e dinâmicas de funcionamento, a fim de otimizarem seus processos e rotinas, assegurando melhor desempenho e resultados mais efetivos.

Como resultante, a demanda por reformas no setor passa a se constituir como importante elemento da agenda política nacional, inserindo-se de forma sistemática nos discursos das lideranças e gestores públicos, que cada vez mais deveriam assumir um perfil empresarial e gerencial.

Administração gerencial e a liderança

Passamos então a relacionar a administração gerencial com os conceitos de liderança.

Os modelos de administração outrora aplicados dificultavam sobremaneira a influência do líder nas instituições.

Na administração patrimonialista

O bem público se confundia com o privado. Reinava o nepotismo e o empreguismo. Restava pouco ou quase nenhum espaço para aplicação dos conceitos relativos à liderança.

Na administração burocrática

Pouca liberdade se dava ao gestor. Os processos eram engessados e mecânicos, diminuindo a necessidade de líderes que levassem as instituições aos melhores resultados.

Na era da administração gerencial

A flexibilidade dos governos aumenta. Os gestores têm uma maior autonomia. Eles devem encontrar os melhores meios de atingir os resultados. Bem como atender ao cidadão de forma mais efetiva.

Assim, as teorias situacionais de liderança podem estabelecer uma relação mais forte com a administração gerencial, haja vista a convergência de suas características.

Tanto a administração gerencial quanto a liderança situacional são dinâmicas, flexíveis, autônomas, situacionais e voltadas ao resultado. Diferentemente das teorias de traços de personalidade e estilos de liderança, que têm conotação mais fixa, permanente e imutável.

Considerações finais

Este texto teve como foco evidenciar a crescente importância da liderança no serviço público brasileiro.

Apresentou-se a evolução dos pensamentos acerca da liderança e a evolução dos modelos de administração pública no Brasil. A liderança passou a ser peça fundamental para que as organizações públicas possam atingir os resultados esperados.

Foram identificadas as características da administração gerencial. Foi visto que os conceitos e estudos sobre liderança podem e devem ultrapassar a seara das corporações privadas e serem aplicados na esfera pública.

Referência(s)

Este post baseou-se no artigo de Daniel Cabral de Almeida – Liderança no setor público: algumas reflexões